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quinta-feira, 15 de março de 2007

Mensalão, mensalão! Ocorreste, ou não?

Crônica
Não leia só uma. Uma versão não é bom. Todas. Duas, vá lá. Adiante, resumo apertadíssimo, quase estrangulado de tão apertado que foi. Só para ilustrar.

Reportagens: relatório da CPMI dos Correios e denúncia do procurador-geral da República. Veículo: duas respeitadas revistas semanais. Nome: o arguto leitor as identificará. Período: semanas de 09 a 15 e 16 a 22/04/2006, respectivamente. A pergunta (que não quer calar): mensalão, mensalão, ocorreste, ou não?

Revista 1. Reportagem: Relatório da CPMI dos Correios. Título: Dicionário de Falcatruas. “(...) os parlamentares produziram uma espécie de inventário de novas e de antigas maracutaias. (...) Quando as formas de corrupção que estavam escondidas se tornam conhecidas, fica mais fácil combatê-las — e é com esse espírito que o calhamaço da CPI deve ser lido e analisado.”

Revista 2. Sobre o mesmo relatório. Título: Perguntas ao Relator. “O texto de Serraglio é parcial, omisso e não prova o mensalão.” E arremata: “O relatório do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) resistiu poucas horas. Enfático, mas vazio de provas, o trabalho desagradou a todo mundo.”

Revista 1. Reportagem: Denúncia do procurador-geral da República. Título: O Sujeito Oculto. “O nome de Lula não aparece no texto da devastadora denúncia (...), mas as peças do esquema, juntas, formam a imagem do maior beneficiário de tudo: o presidente.” E continua: “Bem, se pode reclamar um recorde, o governo Lula talvez devesse ler com cuidado o texto da denúncia (...). Ali estão descritos em detalhes e com precisão jurídica os mecanismos de funcionamento do que talvez seja (...) a maior quadrilha jamais montada com o objetivo de garantir a continuidade no poder de um mesmo grupo político, o PT de Lula.”

Revista 2: Sobre a mesma denúncia. Título: O MP vai na onda. “O procurador-geral da República não consegue ir além da constatação de que houve dinheiro ilegal no processo eleitoral. (...) o procurador-geral utiliza o termo ‘mensalão’ (...). Mas (...) a denúncia (...) não acrescentou provas cabais necessárias para qualificar a crise dessa maneira. (...) algumas perguntas permanecem sem resposta: Por que petistas precisariam receber dinheiro para votar projetos de interesse da administração Lula? Como era possível manipular as votações no Congresso pagando a tão poucos? (...) Como no texto da CPI, sobra contundência e faltam provas da existência do mensalão”.

Antagônicas reportagens? Escolha. Ora.
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Crônica publicada no jornal Gazeta de Alagoas, de 27/4/2006

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