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SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

quinta-feira, 15 de março de 2007

Notícia quase esquecida

Crônica
Sério! Não entendi. Ou, ao revés, entendi?
Há quase um ano pipocam notícias sobre a existência do tal de mensalão. Uma espécie de mesada — não confundir com aquel’outra, do lanche, cinema com a namorada, etc. —, que seria conferida a parlamentares para votarem matérias de interesse do governo federal. Não é pouca não, a cobertura. Suspeitou-se — não raro afirmou-se — a ciência do presidente e, até, sua participação no imbróglio.
— Ele sabia! Claro que sabia! — afirmava, categoricamente, o eleitor que cria no seu envolvimento.
— Será? Ele insiste que não — refutava, timidamente, o outro, com receio (inútil) de parecer ingênuo.
— Deixe de ser bobo, homem! Não vê que esses fatos não lhe poderiam ser desconhecidos?! Tome tenência, abestalhado! Até o deputado que lhe era vizinho foi afastado! Como poderia ele não saber?! — insistia, sem paciência, o crédulo.
— Ôxe, mas se o próprio cabra que, com raiva, abriu o “bico”, falou que o dito cujo é inocente!... Aquele, do olho roxo, que foi cassado! Disse que o presidente, quando soube do diz-que-diz, até sentiu como quem levou uma facada nas costas! Ele disse! Ouvi sim! E por que diria, não o fosse? — tentou argumentar o desconfiado das versões que asseveravam a ciência do principal mandatário da nação.
— Disse, mas... não importa! O fato é que não é crível que não soubesse. Não é, e pronto! Aliás, este é um país de fé, de crenças. Portanto, se o incrível é que não soubesse, então o crível é que sabia. E se é crível, verdade o é: sabia de tudo! Tudinho, tudinho! — depois dessa acachapante dedução, restou ao incrédulo pacóvio aquietar-se.
Assim, os rumores e afirmações no sentido de sua ciência — quiçá participação — só aumentavam. Até de impeachment cogitou-se... Mas ficou nisso. Pesquisas de opinião, ao contrário, passaram a registrar sua espantosa recuperação junto ao eleitorado.
Março de 2006. Ouvi, desatentamente, na TV, a notícia de que a Polícia Federal, após oito meses de investigação, não detectara um único indício de seu envolvimento no tal mensalão. Segundo o blog do Josias de Souza, a conclusão constara de um relatório confidencial, ainda inconcluso quanto a outros pontos.
Pois não é que apesar da indiscutível importância da notícia, não se lha deu destaque que lhe fosse minimamente proporcional? Apontava conclusão da mais respeitada instituição policial do país, sobre o assunto mais comentado na imprensa. E mal se a divulgou. Por quê?
Só se eu não soube pesquisar... Ah, tá!
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Crônica publicada no jornal Gazeta de Alagoas, de 22/4/2006

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