F R A S E

SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

domingo, 19 de agosto de 2007

É, cansei!

Crônica
Ano passado, escrevi algumas linhas demonstrando minha preocupação com nosso futuro. Estávamos às vésperas da eleição para Presidente (ou reeleição, como vimos depois). A crônica tinha por título: “Onde iremos parar?” Um desabafo, na verdade. Não buscava respostas. Apenas uma maneira de expor minha estupefação com tudo o que vinha ineditamente ocorrendo.

Em amparo à minha irresignação, citei alguns dados da economia. Principiei pelo pagamento da dívida com o FMI. Brincadeira, não! Vazio imenso ficou. Falei também do estancamento da venda do patrimônio público — não sei pra que ficar com aquilo que restou (CAIXA, BB, Petrobrás...). E por aí fui destilando minha ira, até então contida. Trouxe à tona o absurdo aumento do salário mínimo, de 55 para 152 dólares (como pagar os empregados?), além da criação de 6 milhões de empregos — e tome inserir miseráveis na economia, só pra atrapalhar. Não deixei barato: citei o aumento da exportação, de 60 para 199 bilhões de dólares e, para finalizar, contei que o risco-Brasil despencara de 2.400 para 204. Sem dó nem piedade. Disse, mesmo!

Pois não pára de piorar! Do FMI não se ouve falar mais, mesmo! Até quase esqueci o bordão, lembra? “Fora, FMI!” Salário-mínimo, durma!, agora vale U$ 205! Os alimentos, pasme!, com desoneração tributária (por isto que, para onde você olha nos supermercados, só vê pobre). A mortalidade infantil reduzida à metade (depois reclama-se do aumento populacional). Universidade pública a rodo (pra quê?). Empregos, com carteira assinada, só fazem aumentar. As balanças comercial e de pagamentos, simplesmente superavitárias. O risco-país uma bela merreca: 1 décimo (verdade!). Até os juros estão caindo! Isto pra não dizer — saindo da economia —, da Polícia Federal, toda semana com uma Operação “alguma coisa”, ou something, e desse Desengavetador-Geral da República. E tudo isto com uma política macroeconômica ortodoxa e conservadora! Assim não dá!

Porém o principal alvo de minha irritação é o tal do Bolsa Família. Pô! Assistencialismo? Nada a ver! Afinal, comida nunca encheu barriga de miserável! Só a da gente. A fome, entenda-se, resulta de uma política — acertada! — de anos de descaso. Assim, deve-se deixar o pobre matá-la só após a realização de políticas públicas de médio a longo prazo, que dêem escolaridade e emprego para todos, etc. De preferência, claro, apenas no papel. Alguém precisa fazer algo! Urgente!

Se cansei? É... Cansei!

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Crônica publicada no jornal Gazeta de Alagoas, de 18/08/2007, e no Boletim da Associação Nacional dos Advogados da Caixa Econômica Federal - ADVOCEF, set/2007.

2 comentários:

Sergio Francisco dos Santos disse...

Caro André,
Li seu artigo e achei muito bom!
Essa turma do "cansei" vai cansar de ver o Brasil progredir cada vez mais. Se fazem de cego para não querer ver. Não aceitam a realidade que vivemos, de normalidade financeira, de crescimento da economia e de mais oportunidades para as classes menos favorecidas.
Estou dando ampla divulgação do Artigo no meu meio.
Parabéns.
Um grande abraço.
Sergio Francisco dos Santos.
Médico.

Roberto Bastos disse...

Concordo com seu artigo do dia 18 de agosto da Gazeta de Alagoas. Claro que você não teve espaço para outras observações. É provocativo e verdadeiro. Todos nós sabemos do tamanho da divida com o povo brasileiro deste e de outros governos. Muita pressão e protestos são necessários para se avançar nas áreas de saúde, educação e segurança. São temas que horrorizam a todos pela distância entre o que é necessário e o que se oferece. Infelizmente, só leva vantagem quem grita.
Enviei-o ao meu irmão que é professor da UFRN. Ele também gostou e tratou de divulga-lo na universidade. Parabéns. Abraços. Roberto Bastos.