F R A S E

SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Concerto com "s"

Crônica
Morri de rir com a zombaria dele. Sério! Quero dizer: sério, que ri. Foi tão engraçado...! Não, não sorri externamente. Quem sorriu foram minhas vísceras. Gargalharam! Meus intestinos, por exemplo, torciam-se e retorciam-se, sorrindo. Igualzinho ele sorri quando a piada enviada por um telespectador não tem graça.
Foi há alguns dias. Estava assistindo ao seu programa. Ele e mais quatro convidadas jornalistas comentando, com indisfarçável parcialidade — e humor! —, as “terríveis mazelas” desse governo.
O mote da vez: o “caos aéreo” e a tragédia do vôo da TAM, em Congonhas. Ambos, como tudo, decorrentes da incompetência e falta de ética no governo federal. Hein? Nos poderosos EUA também está havendo dificuldades semelhantes na aviação? Ainda não se sabe as causas do acidente da TAM? Ôxe! Deixa quieto!
Gostei do “debate”. É que morro de vergonha de o presidente do meu país ser um ex-operário, nordestino, que fala errado, não tem curso superior, no exterior se expressa em português, toma uma cachacinha e, suprema desgraça, diz que não gosta de ler. E com esses predicados ainda tem o desplante de se insurgir com altivez contra os poderosos países que dominam a economia mundial, liderar aqueles ditos emergentes, reivindicar para o Brasil uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU — e é considerado em sua pretensão —, querer mudar o combustível usado no mundo, para o nosso etanol, e por aí vai. Por isto que gostei. Vingança pura.

Pois bem, o comentário, agradavelmente preconceituoso e jocoso, que fez minhas entranhas rirem tanto, deu-se a partir da forçada exploração, pelo apresentador, de um equívoco na fala do novo ministro chamado a cuidar do alardeado “caos aéreo”, numa entrevista. Dizia o ministro que seria como um maestro, regendo as necessidades do país em sua área, mas “sobre” (e, não, sob) as ordens do presidente! Com irretocável humor malévolo, o ex-comediante manifestou inexistente estupefação. Fingiu-se chocado! Então o fará “acima” das ordens do presidente?!, indagou, falseando uma engraçadíssima preocupação. Minhas vísceras já começavam a regozijar-se com sua ironia cáustica. E arrematou, com uma crueldade de matar de rir: Ah! É que no governo do presidente Lula o concerto é com “s”! Ha ha ha! Todos caíram na gargalhada! As convidadas e parte da platéia. Ele também, satisfeito com sua arte. Tão inteligente...

Não ri. Deu-me embrulhos. Deve ter sido pelas gargalhadas de minhas vísceras...