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SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Quando vive a democracia?

Crônica
Numa democracia representativa o povo participa do governo por meio de seus representantes, por ele eleitos. A democracia, por outro lado, imprescinde da submissão da minoria à vontade da maioria, respeitados os direitos e a livre expressão daquela. Nesse norte, considerar-se injusto o resultado de uma disputa decidida no voto é legítimo. Também o é defender que poderia ser outro, noutras condições. Não o é, porém, o desrespeito ao resultado havido.

Tampouco há democracia quando a informação é difundida por uma única voz. Não basta a liberdade individual de expressão se somente uma versão é difundida pelos grandes meios de comunicação. O monopólio, ou oligopólio, da informação traduz ditadura mais perigosa do que a tradicionalmente conhecida, porque escamoteada sob falsas vestes de democracia. O pano é fajuto. O inimigo está escondido. Resta inviabilizado o enfrentamento justo, porque as armas são desproporcionais. O ditador não é alguém. É ninguém, e são todos os protegidos pelas idéias defendidas pelo monopólio.

Numa contenda, o ataque ao adversário necessita passar pelo exame dos atos de seus acusadores e dos fins eventualmente encobertos por sua fala. Entretanto, as vias hábeis a tornar público o que está escondido omitem-se em fazê-lo. Esconde-se os motes reais que movem o ditador fantasma a adotar tal ou qual discurso. Vale sempre uma só versão. E para os contendores amparados pelo déspota sem corpo identificável, a democracia existe até enquanto há disputa. Finda, pelo julgamento, se o resultado lhes é desfavorável, alardeiam que morreu a democracia.

Ora, desimporta tenha sido o resultado considerado justo para alguns, injusto para muitos. Irrelevante se o foi na contramão do desenlace desejado pelo ditador invisível, detentor do monopólio da informação, arvorado em juiz sem toga. Venceu a maioria. E ponto.

Penso que, aí, vive a democracia, independentemente da valoração acerca de ter, ou não, saído prestigiada, do resultado, a verdade, tampouco da desconfiança fundada, ou não, de que os julgadores não escapariam estivessem do outro lado. Entendo, sim, que vence a democracia, e vive!, quando, alheio à versão tornada oficial, única e pretensamente impositiva do ditador fantasma, o julgado reflete a vontade dos legitimados a julgar.

Insatisfeito? Mude-se os legitimados, de resto espelho de quem os legitimou. Mas submeta-se à vontade da maioria. Isto é democracia.
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Crônica publicada no jornal Gazeta de Alagoas, de 04/10/2007.