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SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

sábado, 17 de novembro de 2007

Operação Caça-Fantasmas

Crônica

Nesses tempos de operações policiais nominadas — a última, a Operação “Carranca” —, bem que se poderia criar uma outra, que me veio à mente há pouco.

Como sabido, a atual busca investigar suspeitos da prática de atos delituosos contra o erário: licitações fraudulentas, recebimento de propinas, superfaturamento de obras, etecétera. Tais condutas delituosas culminam por impingir inaceitável prejuízo ao erário. O dinheiro público foi ou é surrupiado, desviado, ou dê-se o nome que se queira, em prol de seus partícipes, arquitetos, cúmplices, coniventes, e por aí vai. A fonte, e a vítima, pois, é o dinheiro público.

Após assistir ao noticiário acerca dessa Operação “Carranca”, vi-me refletindo sobre uma outra forma de locupletamento bastante corriqueira em nosso Estado. Essa é buscada por vezes sem constrangimento. Com efeito, não raro a ambição por inserir-se entre os beneficiários é até alardeada: “Ah! Quem me dera um desse...!” Agora, quem já goza do “privilégio” tende a ser mais discreto. Aqui também há burla à lei. O Estado também sofre prejuízo. O dinheiro público é também gasto ilicitamente.

Refiro-me aos funcionários públicos fantasmas, essa categoria invisível de servidores que, outrossim, jamais se deixa ver — com trocadilho — em seu suposto local de trabalho, quando há um. Esses(as) servidores-fantasmas, apesar de não dedicarem um minuto de seu decerto preciosíssimo tempo ao labor, ao fim do mês recebem sua remuneração, inobstante esta fosse devida apenas como contraprestação pelo serviço prestado. Aqui, portanto — tal qual quem favorece licitações, obras públicas superfaturadas, desvia verbas de merenda escolar, e tantas outras safadezas (ops!) —, há também percepção injustificada, porque ilícita, de dinheiro público.

Então, imaginei a notícia: Acondicionados em diversos ônibus previamente alugados para tal fim, as Polícias Federal e Civil levam presos inúmeros supostos servidores-fantasmas, integrantes de quadrilhas especializadas nesse tipo de crime no país, finalmente identificados (e visualizados). As autoridades suspeitas de lhes terem conseguido a “vaga” integram o grupo.

Concordo que a condição de invisibilidade dos suspeitos dificultaria a investigação policial, mas sempre é possível socorrer-se daquele grupo especializado... humm... Como é mesmo o nome...? Ah, os Caça-Fantasmas. Pronto, o nome já tem: Operação Caça-Fantasmas! Legal...


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Publicada no jornal Gazeta de Alagoas, de 17/11/2007

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