F R A S E

SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

E num é que a salvação é estatizar?

Crônica
E agora, Hayek, seu enganador?! Cadê teu fundamentalismo neoliberal, agora? E você, Thatcher! Teu capitalismo é tão bom quanto tu és homem, mulher! E o Lanterna na Popa, bíblia dos neófitos (e nem tanto) neoliberais brasileiros, hein?

É a desmoralização?! Foi lá, no seio da economia de mercado defendida a ferro e fogo pelos donos do mundo, e na Europa, por teus seguidores da Inglaterra. Oh, Thatcher, tu de novo! Foi aqui no Brasil, não, bendita! A maior intervenção estatal da história! Guerra? Não. Agora não é de guerra que falo não. Não se cuida de intervenção armada em outro país, a pretexto de salvar mais um povo sofrido que coincidentemente pisa em solo repleto de petróleo, não! Vocês acabam de promover a mais impressionante intervenção estatal foi no sistema financeiro e nos mercados, criaturas! Logo vocês que ensinavam que nada que era estatal prestava, que o certo era privatizar, que os mercados se regulavam sozinhos, que as estatais só serviam pra dar prejuízo ao país que as tem... É..., caiu a máscara?

Aqui mesmo, neste país, o governo anterior desembestou-se a privatizar. Nossas empresas estatais foram vendidas a preço de banana (peraí, quanto tá a dúzia da pseudobaga, mesmo?)! E quase que os bancos federais entraram de gaiatos nessa onda! E a nossa Petrobrás, então?! Leitor e leitora tão estupefatos quanto eu, ouçam-me! Eles, os arautos do capitalismo, estão agora é estatizando seus bancos para salvá-los da bancarrota! Já pensou o que é isto? E aí, cara-pálida, vai privatizar mais nada, não?

E sabe o que é que mais me impressiona, além dessa verdadeira balbúrdia chamada mercado financeiro mundial, ícone desse desmoralizadíssimo neoliberalismo? Que o Brasil resiste aos efeitos da bancarrota desse pessoal. É, o mesmo Brasil a quem era sucessivamente apontados caminhos contrários ao seu desenvolvimento, realizadas intervenções em sua economia e cobrados juros extorsivos de sua (ex-)dívida pelos sábios da economia mundial. O Brasil está (ainda, pelo menos) de pé. E sólido. E sabe qual a ironia? Que uma das suas “sortes”, hoje, é ter pelo menos três grandes e fortes bancos estatais e empresas públicas (pasmem!) para ajudá-lo, todos escapados dos leilões do governo liberal anterior. Incrível, não?

Bem, agora é preparar-se porque esses caras vão querer saber de nós como criar, manter, desenvolver e utilizar-se de bancos estatais modelos. Não se esqueçam de cobrar a aula, hein? E bem caro.
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Também publicada no jornal Gazeta de Alagoas, de 02/11/2008.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Um busto pro pinto

Crônica
Ops! Perdão! Leia-se: Um busto pro Pinto. Assim, com o P, de pinto, maiúsculo. Corrigi a tempo. Dificuldades com a gramática, à parte, refiro-me àquele cearense que nos veio devolver a fé e a coragem no homem. Não só no homem público. Digo em qualquer homem. Inclusive nas mulheres também. Óbvio. Falo do ser humano. Sim, o busto seria pra ele. Era o mínimo que os alagoanos poderiam fazer. Um belo busto, ao lado de um do deodorense Tavares Bastos, bem à frente daquela Casa Legislativa que tem o nome deste último, aqui mesmo na Capital das Alagoas.

Ôxe! Pode, não, é? Mas tem tanta gente viva dando nome a órgão público neste Estado!... Afinal, seria uma maneira de demonstrar-lhe o reconhecimento e a gratidão da gente de bem desta terra — que é a imensa maioria, fazendo o favor! — pelo excelente e corajoso trabalho por aqui realizado. Ao mesmo tempo ficaria registrado, publicamente e para a posteridade, para que jamais o esqueçamos e as suas profiláticas e assépticas ações. O salvador — o Pinto —, ao lado do seu protegido (e por ele salvo) — o Bastos.

O cabra tem nos dado uma lição, alagoanos. E, principalmente, às nossas autoridades — naturalmente àquelas omissas, ou acovardadas, ou comprometidas com o que ele combate, ou tudo junto. Uma bela e impagável lição. Afinal, quando poderíamos imaginar que alguém pudesse realizar a operação policial que promoveu no âmbito da Assembléia Legislativa de nosso Estado? Quando poderíamos supor que ouviríamos aquelas impressionantes (para dizer o mínimo; mínimo, mesmo!) gravações telefônicas, com seus nauseantes, chocantes e revoltantes, mas esclarecedores diálogos? É como se levássemos um soco e, então, passássemos, só aí, a enxergar o tamanho do “reino” daquelas plagas e a nossa própria omissão enquanto cidadãos.

Excessos podem ter sido cometidos. Equívocos, idem. Discute-se se as algemas eram mesmo necessárias. Pode ser, num ou noutro caso. Mas só não compreendo é essa tardia grita contra aqueles antiqüíssimos e mundialmente utilizadíssimos artefatos policiais. Que estranho... Claro, também, que ninguém foi julgado até agora. Mas aquelas gravações... Ah! Aquelas gravações!... Tão nítidas, tão longas, tão esclarecedoras..., tão bem-vindas! E aí, outra incompreensão minha: por que já estão querendo restringir o uso do grampo telefônico autorizado judicialmente? Ôxe!? Que coisa!? Por que será?

Ôme! Um busto pro José Pinto de Luna! Rápido! Antes que ele se vá.
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Também publicado no jornal Gazeta de Alagoas, de 18/10/2008

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Votei, sim. E com vontade!

Crônica
Domingo, 05/10/2008. Eu, com alguns adesivos do meu candidato a vereador, Marcelo Malta, colados à camiseta. “Ô André, e tu vai votar no Cícero, é?”, perguntou-me, com uma expressão misto de enjôo e incredulidade, certamente assim me questionando porque Marcelo apoiou Cícero para prefeito. Não lembro se falou Cícero. Ou Ciço. “Vou, claro! O que meus olhos vêem não me deixa votar em outro candidato!”, respondi, algo surpreso com aquele tom igualmente surpreso com que me foi dirigida a pergunta. Referia-me à verdadeira revolução urbana operada pelo então candidato à reeleição. Para até cego (ops!, deficiente visual) ver. “Ave Maria...!”, limitou-se a dizer — não sei se pra mim, ou para eu ouvir —, torcendo o nariz. Na verdade, desconheço se o que foi torcido foi mesmo o responsável pelo olfato; mas se não foi, que torceu alguma outra parte de sua face, ah!, torceu, sim). Ave Maria...!, não disse, só pensei. E nada mais me tendo sido dito ou perguntado, o “papo” foi encerrado por aí mesmo.

Confesso que não entendi o porquê de Nossa Senhora ter sido lembrada (ou invocada?) para vir em seu socorro — ou ao do próprio futuro da cidade, quem sabe? Pelo tom de desencanto que percebi tão-logo confirmei-lhe minha preferência, talvez tenha o chamamento sido em prol, mesmo, da coletividade. Tipo: protegei-nos, Mãe de Jesus! Coitada de Maceió! Mais um a votar no Ciço! Mas..., mais um o quê?, pensei cá com meus botões, embora minha camisa não fosse de abotoar. Mais um bobo, um incauto? Sei lá. O que percebi é que votar no Cícero parecia-lhe inaceitável.

Confesso que não votei nele na eleição anterior. Definitivamente não me parecia ideologicamente afinado com minhas idéias. Nem me lembro de já ter apoiado algum de seus correligionários de então. Tampouco o conheço pessoalmente. Mas se soubesse que aquele candidato iria fazer o que hoje vejo ter feito na minha cidade, afirmo: teria votado também ali.

Bem, duas conclusões: a primeira: é o melhor prefeito que já vi atuar. Pelo menos, na minha existência adulta (ou mesmo adolescente), embora saiba da (com justiça!) elogiada administração de Sandoval Caju e Dílton Simões, em tempos mais remotos. Pois o Cícero vem se juntar à dupla, então! Mais, ouso dizer: a continuar nesse ritmo, e ajustando o que há por ajustar, ficará para a história como o melhor prefeito que Maceió já teve.

A segunda: voltei a ter orgulho da minha cidade. O mérito: do Cícero. Queiram ou não. Fazer o quê? Não vou mentir.

sábado, 30 de agosto de 2008

Egoísta e acomodado

Crônica
Sou. Cada vez mais. E isto se torna mais evidente em dois momentos, que se interligam. Primeiro, viajando pelo interior alagoano, quando me deparo com a miséria de vários de seus municípios. De dar dó! Alguns não têm “um pau pra dar num gato” (o pau que metaforicamente bateria no bichano seria um comércio decente, uma grande feira, alguma indústria, enfim, dinheiro circulando). Nada (ou quase). Mas sobra miséria: doenças (muitas erradicadas em outros locais), analfabetismo, esgoto a céu aberto, barbeiro (o bicho, não quem barbeia os outros), bocas desdentadas, piolho, falta d’água... Sim, sobra(!) falta d’água. Falta tanto que sua falta já é a regra. Assim, sobra.

Outra momento é em época de eleição para prefeito. Os candidatos são uns abnegados, uns desprendidos, uns exemplos incontestes de amor ao próximo necessitado. Verdadeiras Madres Teresas de Calcutá (com o perdão da santa, pela comparação e citação, aqui), não fosse uma diferença: pegam em armas, se preciso for. A maneira como guerreiam — entre eles, inclusive e principalmente —, sem receio de criar desafeições no opositor e, não raro, arriscando a própria vida; o volume de recursos financeiros que investem na campanha — sacrificando dos seus entes mais próximos e queridos (mesmo com a certeza de que jamais conseguirão recuperar as vultosas importâncias despendidas apenas pelo recebimento de sua remuneração mensal, contrapartida do exercício do cargo) —, se de um lado fazem-me marejar os olhos de lágrimas, emocionado pela ainda existência de homens tão probos, generosos e devotados à causa dos miseráveis, de outro como que apunhalam-me o peito, face à dor que sinto, decorrente da constatação de meus egoísmo e acomodação.

Mas a recompensa divina não tarda! (com o perdão do Senhor, pelo socorro ao além, de que mais uma vez me valho). Com efeito, após eleitos, rápida e folgadamente vê-se adquirirem belas e confortáveis casas (algumas, verdadeiras mansões), enormes propriedades rurais, belos carrões importados (e por aí afora), certamente por terem ganho em alguma das loterias da CAIXA, ou por uma herança inesperada, ou coisa (legal, claro!) que o valha.

Vejo tudo isto e sinto-me incomodado pela depreciativa avaliação de mim mesmo. Mas nem assim livro-me de meu egoísmo, de minha confortável acomodação. Prefiro seguir com o incômodo. Tão diferente desses pretendentes a homens públicos. Tão diferente desses, depois eleitos, prefeitos.
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Também publicado no jornal impresso Gazeta de Alagoas, de 10/9/2008 (na internet, em http://gazetaweb.globo.com/v2/gazetadealagoas/texto_completo.php?cod=134236&ass=37&data=2008-09-10)

quinta-feira, 26 de junho de 2008

A discrepância


Crônica
Sabe o que mais impressiona no desempenho do atual prefeito? A discrepância. Sim, a discrepância entre o que ele faz pela cidade e o que os seus antecessores fizeram. Como explicá-la? Enquanto no governo municipal anterior, de dois mandatos, construiu-se aquele utilíssimo viaduto do Poço, em cuja relação custo/benefício não parece ter prevalecido este último, o governo de hoje promove uma verdadeira revolução na capital das Alagoas. Exagero, não! Uma revolução, sim senhor! Sua disposição para o trabalho, sua visão política acurada, seu empreendimento saltam aos olhos. O cara faz. Simplesmente. Ah!, teve também o riacho Salgadinho. Despoluído, liberou-se o banho no mar da Avenida. Mas ôxe, foi só por um dia!?

Tá certo que o governo federal não pára de enviar recursos. Verdade, também, que a bancada federal no Congresso Nacional, apesar dos pesares, tem sido atuante nesse sentido. Concordo, igualmente, que o munícipe tem correspondido, pagando o IPTU. Mas os governos municipais anteriores também tinham dinheiro, ora bolas! Também recebiam do governo federal, diacho! Também havia a receita do referido imposto! Por que então a enorme, abissal, diferença entre os seus desempenhos e o de hoje?

Mas o que me impulsionou a escrever estas linhas não foi, por exemplo, o último viaduto inaugurado, da Mangabeiras, embora inegável a sua importância para a cidade. Foi, isto sim, o lançamento da pedra fundamental da futura praça do mirante do Jacintinho, a que tive o prazer de comparecer a convite do vereador Marcelo Malta, aliás, outro político que nos faz continuar acreditando e lutando por dias melhores. Meu caro leitor, confesso: foi tão emocionante quanto simples. O olhar arguto e sensível que teve o Marcelo, para ali, naquela área, enxergar a importância de um projeto como o que lá se instalará, e o seu empenho hercúleo para viabilizá-lo em tempo recorde, aliados ao apoio fundamental do prefeito — que, afinal, é quem o executará — e, naturalmente, à invariável disponibilidade do Ministério dos Esportes do governo do Presidente Lula — de onde virão os recursos — são atos (políticos, por excelência!) que emocionam e nutrem a nossa crença de que um mundo melhor é possível, o nosso sonho de uma Maceió mais moderna e, principalmente, mais humana.

Ah! A discrepância? O porquê dela? Não sei... Mas o fato é que sem ela nada disso estaria hoje acontecendo; os tempos seriam os mesmos. Bendita seja, então. Salve a discrepância!
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terça-feira, 8 de abril de 2008

PCdoB com Cícero: decisão acertada

Crônica
Quem capitaneia a maior revolução administrativa que esta cidade já viveu, ao menos das últimas décadas? Quem resgatou a auto-estima do alagoano, que voltou a ter orgulho da capital de seu estado? Quem tem demonstrado estar ao lado do maceioense, sem distinção de classes? Exagero, não. O Cícero Almeida — em quem, aliás, lamentavelmente não votei nas últimas eleições — está dando um banho de gestão na capital das Alagoas. E de cachoeira, daqueles do sujeito não conseguir ficar embaixo sem ir beijar o chão, às quedas, pela abundância de água jorrando de cima a baixo. Não é de qualquer chuveirinho, não.

Lembro-me, nas eleições passadas para presidente da república, de uma declaração do prefeito, em rádio local, acerca de qual dos candidatos teria o seu apoio. Respondeu, então, que apoiava e votava no Presidente Lula, no mínimo por coerência e gratidão, já que as obras que vinha realizando em Maceió — e que lhe rendiam tanto reconhecimento da população —, foram possíveis, majoritariamente, graças às verbas federais enviadas ao município. Se não foi bem assim, foi próximo disso, porque o tempo já é distante e a memória é falha. O fato é que ali vislumbrei uma demonstração singela, mas significativa, do (bom) caráter do prefeito.

Pois bem, e não é que no meio de tanta coisa boa que, como sua administração, vem acontecendo por estas bandas — do que é exemplo a erradicação dessa fauna abjeta (guabirus, taturanas...), repelida até por entidades de defesa animal —, eis que recebo a grata notícia de que o Partido Comunista do Brasil, o PCdoB, vai marchar lado a lado com o prefeito nas próximas eleições.

Nada mais lógico, nada mais coerente. A questão ideológica, que se poderia colocar como entrave à sua realização, pelas divergências existentes entre as partes, na verdade não o é. Seja porque provou ser um administrador de escol, seja porque à esquerda (leia-se, PT) o PCdoB não logrou ainda manter uma relação que parecesse justa e equânime (vide a anterior eleição para prefeito, quando preterido o nome de Eduardo Bomfim como “cabeça de chapa”, embora muitos entendessem, à época, traduzir o candidato natural da coligação), seja, finalmente, porque incoerente seria é fazer-se oposição, por oposição.

A humildade e a coragem de reconhecer — e, principalmente, apoiar — em adversário político-ideológico, o bom trabalho desenvolvido em prol da comunidade são qualidades que não parecem faltar ao Partido Comunista do Brasil. Boa lição.
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Também publicada no jornal Gazeta de Alagoas, de 13/04/2008

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

A lagarta e a presunção de inocência

Crônica
Desvios de cerca de R$ 280.000.000,00. Confesso que dei uma conferida, para ver se tinha posto a quantidade correta de zeros. Pura falta de intimidade. Até para escrevê-lo. Dinheiro demais, me’irmão! E pensar que alguns dias antes de ter-se tornado pública a “Operação Taturana” escrevi uma crônica, intitulada “Operação Caça-Fantasmas”, publicada aqui mesmo nesta Gazeta, onde sugeria a criação de uma nova operação policial para caçar os funcionários-fantasmas deste Estado. Só que, coitado, referia-me aos servidores(?) que efetivamente recebiam do poder público, porém “apenas” não trabalhavam. Falta de imaginação da pega! No atual esquema, os fantasmas ou sequer recebiam seus(?) vencimentos, ou recebiam apenas uma parcela ínfima deles. O restante ia pro bicho-de-fogo.

Assim, a par, ainda que superficialmente, da dinheirama, engenho e criatividade empregados pelo ex-lepidóptero, impressionou-me o silêncio respeitoso acerca das autoridades envolvidas. Ôxe, até antes de ter sido descoberto o bicho-peludo (a lagarta, por favor!) comedor de folhas de pagamento, cansei de ver, ler e ouvir condenações sumárias de pessoas, sem a mínima cerimônia dos respectivos algozes, a partir de denúncias incipientes, sequer ainda investigadas. E eu pensava: que indícios, ao menos, há contra ele(s)? Imediatamente recordava-me do clássico (e tenebroso) caso dos diretores da Escola de Base de Brasília, cuja inocência restou provada em juízo, mas após escangalhadas suas honra e vida.

Agora, não! Apesar do volume de dinheiro que a Polícia Federal assegura, após meses de investigação, ter sido surrupiado dos cofres públicos, da atuação do Ministério Público e da Justiça Federal — esta autorizando escutas telefônicas, quebrando sigilos, expedindo mandados de prisão temporárias (e também preventivas) —, e do crime investigado envolver membros do próprio poder onde se alojou a perversa comilona, constato, hoje, que na sociedade alagoana — civil, ou não, organizada, ou não —, à quase unanimidade (há sempre alguns poucos “desaforados”) impera o mais absoluto respeito à presunção legal de inocência dos envolvidos. Há um cuidado tão grande, mas tão grande ao tratar-se publicamente, e na mídia, do apontado envolvimento das autoridades no esverdeado e rastejante caso que não pude deixar de me surpreender e indagar: Por quê? Seria respeito? Ou medo? Ôxe, que nada. Evoluímos! Ah, tá.
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Publicada no jornal Gazeta de Alagoas, de 24/02/2008

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Alagoas sueca

Crônica
Às vezes me pego pensando como deve ser terrível morar nas Alagoas. Sim, refiro-me àquele belo Estado do nordeste do Brasil. Você acredita que apesar de sua pequena dimensão geográfica — é o 2° menor Estado da Federação (aquele país, o Brasil, é uma federação) —, foi considerado o 6° em número de homicídios no ano de 2006? E hoje, naturalmente, deve ser muito, muito pior. É que me escreveu, um amigo desafortunado e desprotegido, que todo dia há no mínimo umas três notícias de assassinato nos jornais da Capital, Maceió. Isto quando não chacinas, mesmo. Pra não falar nos assaltos e seqüestros. Pode crer, quase todos lá já foram — e continuam sendo — assaltados. Rico ou pobre. Em pontos de ônibus, e no próprio, clínicas médicas, supermercados, centros comerciais (shopping centers), academias de ginástica, residências, e por aí vai. Não faltam, tampouco, mortes por encomenda.

Foi mais além: disse-me que, por lá, até no Poder Legislativo do Estado nomes de funcionários fantasmas estariam sendo inseridos na folha de pagamento dos servidores, para depois serem desviados em favor de alguns de seus membros ou de funcionários apadrinhados, o que teria gerado um prejuízo, aos combalidos cofres alagoanos, de mais de mais de 200 milhões de reais. Dinheiro de merenda escolar também teria sido endereçado para contas bancárias de prefeitos, empreiteiros e funcionários de municípios. Despediu-se, melancolicamente, o meu amigo. Mais haveria a contar-me, porém desculpou-se. Preferia deixar para uma outra vez. Escrever sobre as mazelas de sua região abatia-o. Ao final, dessa vez pediu-me para não visitá-lo. Estava zelando, assegurou-me, pela minha integridade física.

Pus-me a refletir, espantado. Fosse como fosse, tratasse-se, mesmo, ou não, aquele Estado do Brasil, de uma região com tantos e tão graves problemas como os que ele desfiou — haveria, mais, parece, tivesse mais fôlego para contá-los —, constatei o homem de sorte que eu era. No meu Estado, coincidentemente também Alagoas — Alagoas sueca, bem entendido —, quase não havia problemas. Pra você ter uma idéia, caro(a) leitor(a), faz seis meses que a Polícia Civil daqui está em greve por melhores condições de trabalho e salários — puro exercício de diletantismo, claro —, mas o nosso azulado Governo nem se dá ao trabalho de resolver o imbróglio. E continuamos, mesmo assim, em absoluta paz, vivendo na mais perfeita harmonia e segurança. Axé!
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Publicada no jornal Gazeta de Alagoas, de 20/02/2008

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Feito cego em tiroteio

Crônica
Velho, que aventura que foi. Pense numa doideira. Ruim demais assistir a um jogo daquele jeito, ainda que esse jogo não passasse de um jogo-treino, como é chamado. Explico. É que você não tem como identificar os cabra que chegaram. Primeiro, porque era uma porrada de jogador de cara diferente. Segundo, porque jogaram com o uniforme de treino, que não traz o número às costas. E terceiro porque, para a instalação definitiva do quase “caos visual”, não houve transmissão das rádios alagoanas, afinal, era apenas um evento maior que um treino, mas menor que um jogo. Como fez falta. Eu, pelo menos, senti uma dificuldade muitas vezes intransponível, até porque ninguém ao meu redor sabia, tampouco, pra me esclarecer. E eu perguntei pra caramba. Vi a hora de alguém, delicadamente, sugerir que eu me aquietasse. Tipo: “eu também não sei, p...! Fique quieto!”. Felizmente, eram muito educados.

Aí, já viu, né? Ou melhor, viu, mas não viu. Era um tal de “quem é esse cara?”, pra lá, “quem é aquele outro?”, pra cá, “é, joga bem, quem é esse?”, “p..., que falta!, foi o tal do Sertânia?”, “esse é fulano?”, e assim por diante, o jogo (ops, jogo-treino) todinho. Pra aumentar o desespero, o técnico usou e abusou (é só maneira de dizer, viu?, abusou nada) das substituições e retornos. Quando eu pensava que estava sabendo da identidade de 78,45% dos jogadores em campo, ele mudava, entrava outro estranho, e só me restava tentar lembrar das últimas resenhas: “humm, esse parece que é meia..., então deve ser o Éder. O cabeludo é o Éder?” “Acho que é”, respondeu-me o vizinho da frente.“Ôxe, e agora, quem tá na direita? É o tal do Marcos?” Era. Caba véio, uma confusão da bichoca preta lixa doida.

Mas tudo bem. Tirando esse aspecto, foi ótimo ver a Pajuçara cheia de gente, fora e, principalmente, dentro de campo.Os velhos conhecidos, sem problema: Jéferson (ão, ão, ão, meu goleiro é paredão), Márcio, Thiago Rangel, Júnior Amorim — que ouvi ser sacanamente ameaçado, por um torcedor sentado próximo a mim, de que a cada gol perdido, um voto idem (referência à cobrança do pênalti, quando chutou a bola na trave) —, Johnnattan, o Marcel — para mim, um dos bons destaques (faltou entrar mais na área adversária, pela esquerda) —, Rafinha, Léo Oliveira, Chiquinho (tá gordinho, hein?) e Hendrich (idem), o Edmar (entrou bem no jogo), o Jean... Esqueci algum? Ah!, gostei da zaga não, principalmente do Alex e do Márcio, mas soube que um novo zagueiro, mais experiente, foi — ou estava pra ser — contratado. É esperar. E quando a gente lembra do início do ano passado, hein? Toc-toc-toc... Bate na madeira, aí, pô!

Finalmente, quanto aos novos — identificados acertadamente, ou não —, deixaram-me uma boa impressão. Principalmente, acho, o tal do Éder (acho que “aquele que vi” era ele), o Marcos e o Júnior Sertânia. O Serginho Mineiro, não arrisco, porque tenho receio de que quem eu imagino ser o cara, seja o William Souza. Brincadeira. Foi assim também não. E o goleiro? Rapaz, o cara parece um varapau de tão grande que é! O Bugrão, é cedo pra falar, mas não desgostei, não. O mais ovacionado pela torcida? A doutora. É, amigo, a doutora, sim! Ao menos era por “doutora” que foi tratada carinhosamente (e bota carinho, nisso) pelos gentilíssimos torcedores do Galo. Como somos amáveis, hein?

Bem, é isso. Na verdade, identificados todos, ou não, não me desagradaram. Alguns, até gostei. O que não gostei, mesmo, já disse, foi a falta do rádio. Ô trocinho pra fazer falta.
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Também publicada no sítio Futebolalagoano.com