F R A S E

SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Alagoas sueca

Crônica
Às vezes me pego pensando como deve ser terrível morar nas Alagoas. Sim, refiro-me àquele belo Estado do nordeste do Brasil. Você acredita que apesar de sua pequena dimensão geográfica — é o 2° menor Estado da Federação (aquele país, o Brasil, é uma federação) —, foi considerado o 6° em número de homicídios no ano de 2006? E hoje, naturalmente, deve ser muito, muito pior. É que me escreveu, um amigo desafortunado e desprotegido, que todo dia há no mínimo umas três notícias de assassinato nos jornais da Capital, Maceió. Isto quando não chacinas, mesmo. Pra não falar nos assaltos e seqüestros. Pode crer, quase todos lá já foram — e continuam sendo — assaltados. Rico ou pobre. Em pontos de ônibus, e no próprio, clínicas médicas, supermercados, centros comerciais (shopping centers), academias de ginástica, residências, e por aí vai. Não faltam, tampouco, mortes por encomenda.

Foi mais além: disse-me que, por lá, até no Poder Legislativo do Estado nomes de funcionários fantasmas estariam sendo inseridos na folha de pagamento dos servidores, para depois serem desviados em favor de alguns de seus membros ou de funcionários apadrinhados, o que teria gerado um prejuízo, aos combalidos cofres alagoanos, de mais de mais de 200 milhões de reais. Dinheiro de merenda escolar também teria sido endereçado para contas bancárias de prefeitos, empreiteiros e funcionários de municípios. Despediu-se, melancolicamente, o meu amigo. Mais haveria a contar-me, porém desculpou-se. Preferia deixar para uma outra vez. Escrever sobre as mazelas de sua região abatia-o. Ao final, dessa vez pediu-me para não visitá-lo. Estava zelando, assegurou-me, pela minha integridade física.

Pus-me a refletir, espantado. Fosse como fosse, tratasse-se, mesmo, ou não, aquele Estado do Brasil, de uma região com tantos e tão graves problemas como os que ele desfiou — haveria, mais, parece, tivesse mais fôlego para contá-los —, constatei o homem de sorte que eu era. No meu Estado, coincidentemente também Alagoas — Alagoas sueca, bem entendido —, quase não havia problemas. Pra você ter uma idéia, caro(a) leitor(a), faz seis meses que a Polícia Civil daqui está em greve por melhores condições de trabalho e salários — puro exercício de diletantismo, claro —, mas o nosso azulado Governo nem se dá ao trabalho de resolver o imbróglio. E continuamos, mesmo assim, em absoluta paz, vivendo na mais perfeita harmonia e segurança. Axé!
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Publicada no jornal Gazeta de Alagoas, de 20/02/2008

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Feito cego em tiroteio

Crônica
Velho, que aventura que foi. Pense numa doideira. Ruim demais assistir a um jogo daquele jeito, ainda que esse jogo não passasse de um jogo-treino, como é chamado. Explico. É que você não tem como identificar os cabra que chegaram. Primeiro, porque era uma porrada de jogador de cara diferente. Segundo, porque jogaram com o uniforme de treino, que não traz o número às costas. E terceiro porque, para a instalação definitiva do quase “caos visual”, não houve transmissão das rádios alagoanas, afinal, era apenas um evento maior que um treino, mas menor que um jogo. Como fez falta. Eu, pelo menos, senti uma dificuldade muitas vezes intransponível, até porque ninguém ao meu redor sabia, tampouco, pra me esclarecer. E eu perguntei pra caramba. Vi a hora de alguém, delicadamente, sugerir que eu me aquietasse. Tipo: “eu também não sei, p...! Fique quieto!”. Felizmente, eram muito educados.

Aí, já viu, né? Ou melhor, viu, mas não viu. Era um tal de “quem é esse cara?”, pra lá, “quem é aquele outro?”, pra cá, “é, joga bem, quem é esse?”, “p..., que falta!, foi o tal do Sertânia?”, “esse é fulano?”, e assim por diante, o jogo (ops, jogo-treino) todinho. Pra aumentar o desespero, o técnico usou e abusou (é só maneira de dizer, viu?, abusou nada) das substituições e retornos. Quando eu pensava que estava sabendo da identidade de 78,45% dos jogadores em campo, ele mudava, entrava outro estranho, e só me restava tentar lembrar das últimas resenhas: “humm, esse parece que é meia..., então deve ser o Éder. O cabeludo é o Éder?” “Acho que é”, respondeu-me o vizinho da frente.“Ôxe, e agora, quem tá na direita? É o tal do Marcos?” Era. Caba véio, uma confusão da bichoca preta lixa doida.

Mas tudo bem. Tirando esse aspecto, foi ótimo ver a Pajuçara cheia de gente, fora e, principalmente, dentro de campo.Os velhos conhecidos, sem problema: Jéferson (ão, ão, ão, meu goleiro é paredão), Márcio, Thiago Rangel, Júnior Amorim — que ouvi ser sacanamente ameaçado, por um torcedor sentado próximo a mim, de que a cada gol perdido, um voto idem (referência à cobrança do pênalti, quando chutou a bola na trave) —, Johnnattan, o Marcel — para mim, um dos bons destaques (faltou entrar mais na área adversária, pela esquerda) —, Rafinha, Léo Oliveira, Chiquinho (tá gordinho, hein?) e Hendrich (idem), o Edmar (entrou bem no jogo), o Jean... Esqueci algum? Ah!, gostei da zaga não, principalmente do Alex e do Márcio, mas soube que um novo zagueiro, mais experiente, foi — ou estava pra ser — contratado. É esperar. E quando a gente lembra do início do ano passado, hein? Toc-toc-toc... Bate na madeira, aí, pô!

Finalmente, quanto aos novos — identificados acertadamente, ou não —, deixaram-me uma boa impressão. Principalmente, acho, o tal do Éder (acho que “aquele que vi” era ele), o Marcos e o Júnior Sertânia. O Serginho Mineiro, não arrisco, porque tenho receio de que quem eu imagino ser o cara, seja o William Souza. Brincadeira. Foi assim também não. E o goleiro? Rapaz, o cara parece um varapau de tão grande que é! O Bugrão, é cedo pra falar, mas não desgostei, não. O mais ovacionado pela torcida? A doutora. É, amigo, a doutora, sim! Ao menos era por “doutora” que foi tratada carinhosamente (e bota carinho, nisso) pelos gentilíssimos torcedores do Galo. Como somos amáveis, hein?

Bem, é isso. Na verdade, identificados todos, ou não, não me desagradaram. Alguns, até gostei. O que não gostei, mesmo, já disse, foi a falta do rádio. Ô trocinho pra fazer falta.
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Também publicada no sítio Futebolalagoano.com