F R A S E

SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Um busto pro pinto

Crônica
Ops! Perdão! Leia-se: Um busto pro Pinto. Assim, com o P, de pinto, maiúsculo. Corrigi a tempo. Dificuldades com a gramática, à parte, refiro-me àquele cearense que nos veio devolver a fé e a coragem no homem. Não só no homem público. Digo em qualquer homem. Inclusive nas mulheres também. Óbvio. Falo do ser humano. Sim, o busto seria pra ele. Era o mínimo que os alagoanos poderiam fazer. Um belo busto, ao lado de um do deodorense Tavares Bastos, bem à frente daquela Casa Legislativa que tem o nome deste último, aqui mesmo na Capital das Alagoas.

Ôxe! Pode, não, é? Mas tem tanta gente viva dando nome a órgão público neste Estado!... Afinal, seria uma maneira de demonstrar-lhe o reconhecimento e a gratidão da gente de bem desta terra — que é a imensa maioria, fazendo o favor! — pelo excelente e corajoso trabalho por aqui realizado. Ao mesmo tempo ficaria registrado, publicamente e para a posteridade, para que jamais o esqueçamos e as suas profiláticas e assépticas ações. O salvador — o Pinto —, ao lado do seu protegido (e por ele salvo) — o Bastos.

O cabra tem nos dado uma lição, alagoanos. E, principalmente, às nossas autoridades — naturalmente àquelas omissas, ou acovardadas, ou comprometidas com o que ele combate, ou tudo junto. Uma bela e impagável lição. Afinal, quando poderíamos imaginar que alguém pudesse realizar a operação policial que promoveu no âmbito da Assembléia Legislativa de nosso Estado? Quando poderíamos supor que ouviríamos aquelas impressionantes (para dizer o mínimo; mínimo, mesmo!) gravações telefônicas, com seus nauseantes, chocantes e revoltantes, mas esclarecedores diálogos? É como se levássemos um soco e, então, passássemos, só aí, a enxergar o tamanho do “reino” daquelas plagas e a nossa própria omissão enquanto cidadãos.

Excessos podem ter sido cometidos. Equívocos, idem. Discute-se se as algemas eram mesmo necessárias. Pode ser, num ou noutro caso. Mas só não compreendo é essa tardia grita contra aqueles antiqüíssimos e mundialmente utilizadíssimos artefatos policiais. Que estranho... Claro, também, que ninguém foi julgado até agora. Mas aquelas gravações... Ah! Aquelas gravações!... Tão nítidas, tão longas, tão esclarecedoras..., tão bem-vindas! E aí, outra incompreensão minha: por que já estão querendo restringir o uso do grampo telefônico autorizado judicialmente? Ôxe!? Que coisa!? Por que será?

Ôme! Um busto pro José Pinto de Luna! Rápido! Antes que ele se vá.
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Também publicado no jornal Gazeta de Alagoas, de 18/10/2008

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Votei, sim. E com vontade!

Crônica
Domingo, 05/10/2008. Eu, com alguns adesivos do meu candidato a vereador, Marcelo Malta, colados à camiseta. “Ô André, e tu vai votar no Cícero, é?”, perguntou-me, com uma expressão misto de enjôo e incredulidade, certamente assim me questionando porque Marcelo apoiou Cícero para prefeito. Não lembro se falou Cícero. Ou Ciço. “Vou, claro! O que meus olhos vêem não me deixa votar em outro candidato!”, respondi, algo surpreso com aquele tom igualmente surpreso com que me foi dirigida a pergunta. Referia-me à verdadeira revolução urbana operada pelo então candidato à reeleição. Para até cego (ops!, deficiente visual) ver. “Ave Maria...!”, limitou-se a dizer — não sei se pra mim, ou para eu ouvir —, torcendo o nariz. Na verdade, desconheço se o que foi torcido foi mesmo o responsável pelo olfato; mas se não foi, que torceu alguma outra parte de sua face, ah!, torceu, sim). Ave Maria...!, não disse, só pensei. E nada mais me tendo sido dito ou perguntado, o “papo” foi encerrado por aí mesmo.

Confesso que não entendi o porquê de Nossa Senhora ter sido lembrada (ou invocada?) para vir em seu socorro — ou ao do próprio futuro da cidade, quem sabe? Pelo tom de desencanto que percebi tão-logo confirmei-lhe minha preferência, talvez tenha o chamamento sido em prol, mesmo, da coletividade. Tipo: protegei-nos, Mãe de Jesus! Coitada de Maceió! Mais um a votar no Ciço! Mas..., mais um o quê?, pensei cá com meus botões, embora minha camisa não fosse de abotoar. Mais um bobo, um incauto? Sei lá. O que percebi é que votar no Cícero parecia-lhe inaceitável.

Confesso que não votei nele na eleição anterior. Definitivamente não me parecia ideologicamente afinado com minhas idéias. Nem me lembro de já ter apoiado algum de seus correligionários de então. Tampouco o conheço pessoalmente. Mas se soubesse que aquele candidato iria fazer o que hoje vejo ter feito na minha cidade, afirmo: teria votado também ali.

Bem, duas conclusões: a primeira: é o melhor prefeito que já vi atuar. Pelo menos, na minha existência adulta (ou mesmo adolescente), embora saiba da (com justiça!) elogiada administração de Sandoval Caju e Dílton Simões, em tempos mais remotos. Pois o Cícero vem se juntar à dupla, então! Mais, ouso dizer: a continuar nesse ritmo, e ajustando o que há por ajustar, ficará para a história como o melhor prefeito que Maceió já teve.

A segunda: voltei a ter orgulho da minha cidade. O mérito: do Cícero. Queiram ou não. Fazer o quê? Não vou mentir.