F R A S E

SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

sábado, 14 de março de 2009

A triste história de Assembleia


Crônica

Há muitos anos atrás, nasciam no Brasil algumas donzelas da melhor estirpe. E por conta dessas mágicas que somente os contos de fada têm o condão de operar, vieram à luz uma em cada estado da federação, ao mesmo tempo e todas recebendo o mesmo nome de batismo: Assembleia. A fêmea que as pariu, nessas circunstâncias tão inusitadas quanto espetaculosas, chamava-se Constituição. Como o das demais, o parto da nossa, de Alagoas, foi recebido com muita alegria e expectativa, de sorte que prontamente lhe foram confeccionadas as mais belas vestes — um vistoso e majestático prédio no centro da capital, Maceió —, ainda hoje mantidas em estado digno e glamoroso.

Mas se mal ou bem permaneceram íntegras ou, quando em vez, restauradas — embora se comente que o processo último de restauração das majestáticas vestes foi mais custoso do que o normal, nele recaindo suspeitas de superfaturamento, essas coisas —, assim não se pode dizer da própria. Ao menos não da Assembleia dos seus primeiros tempos de mocidade e vida adulta, quando até, em homenagem a um de seus filhos muito queridos e ilustres, fora apelidada Casa de Tavares Bastos. Honraria imensa.

Mas Assembleia parece não vir se comportando com o decoro e a dignidade que dela se esperava e cria. Corre pelo estado as histórias mais escabrosas a seu respeito. E dizem que não são futricas, meras maledicências sopradas ao vento pelas fuxiqueiras de plantão, não. A coisa seria séria, mesmo. Fala-se que teria desviado (surrupiado, em bom português) cerca de trezentos milhões de reais daqueles a quem devia representar e defender! Imagina, só!

Bem, o fato é que de lá pra cá Assembleia, se não tem encontrado paz — dizem que o Judiciário, um primo próximo, vem perseguindo-a implacavelmente —, tampouco se mostra ao menos arrependida dos desarranjos que lhe são imputados. Ao contrário. Com a ajuda de outro primo, Executivo — que injustificadamente permanece enviando-lhe vultosa quantia anual a título duodécimo (nome que é dado a sua mesada) —, Assembleia segue a vida, alheia a tudo e a todos.

Sua mais recente atitude, tão inusitada quanto ilegal e perigosa, foi a de cerrar as portas — uma espécie de greve ou coisa parecida, já que nela ninguém entra, dela ninguém sai — sem atinar que, por isto mesmo, poderá restar cabalmente demonstrada, infelizmente, a sua atual absoluta falta de serventia. Enfim, um tiro no próprio pé (ops, pilastra). E isto não é bom.

Oh, Assembleia! Cria juízo, mulher!...

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Foto em www.amigobrasileiro.com
Também publicada no jornal Gazeta de Alagoas, de 14/03/2009, e no site BrasilWiki!