F R A S E

SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Minha Namorada-Vinícius e Miúcha

No meio de tanta política ditada por uma campanha eleitoral acirrada, um pouco de poesia não faz mal a ninguém. De amor então, menos ainda. Então... Vinícius, claro (e Carlos Lyra). Letra e música. Voz de Vinícius e Miúcha.




Meu poeta eu hoje estou contente
Todo mundo de repente ficou lindo
Ficou lindo de morrer
Eu hoje estou me rindo
Nem eu mesma sei de que
Porque eu recebi
Uma cartinhazinha de você

Se você quer ser minha namorada
Ai que linda namorada
Você poderia ser
Se quiser ser somente minha
Exatamente essa coisinha
Essa coisa toda minha
Que ninguém mais pode ter
Você tem que me fazer
Um juramento
De só ter um pensamento
Ser só minha até morrer
E também de não perder esse jeitinho
De falar devagarinho
Essas histórias de você
E de repente me fazer muito carinho
E chorar bem de mansinho
Sem ninguém saber porque

E se mais do que minha namorada
Você quer ser minha amada
Minha amada, mas amada pra valer
Aquela amada pelo amor predestinada
Sem a qual a vida é nada
Sem a qual se quer morrer
Você tem que vir comigo
Em meu caminho
E talvez o meu caminho
Seja triste pra você
Os seus olhos tem que ser só dos meus olhos
E os seus braços o meu ninho
No silêncio de depois
E você tem de ser a estrela derradeira
Minha amiga e companheira
No infinito de nós dois

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

A bolinha

Manhã fria de outono. Capital dos EUA. Aos poucos, os representantes das principais polícias do mundo ingressavam, carrancudos e preocupados, no antigo mas ainda conservado e imponente Edifício J. Edgard Hoover. Logo que cheguei na antessala do diretor senti o cheiro do café fresco misturado à atmosfera densa. Aqui e ali identificava um outro, de suor ou de naftalina, proveniente, certamente, de algum chefe de polícia estrangeiro, quem sabe francês — que sua fama não deve advir de mera fofoca.

O fumo era excepcionalmente ali permitido. A gravidade da situação tornou irrelevante a questão dos malefícios do cigarro ao ser humano, incluídos nós, os policiais, claro, que seres humanos também o somos. Perguntei em meu inglês sofrível à mocinha que o servia a origem da bebida — tão agradável ao olfato e, depois constatei (aí já emocionado), também ao paladar. Do Brasil, respondeu-me. Puxa, por alguns segundos esqueci-me da difícil missão que me fora confiada por meu país e recordei-me das aves que lá gorjeavam — que não gorjeiam como as daqui —, das nossas verdes matas, cachoeiras e cascatas de colorido sutil, e daquele lindo céu azul de anil...

Subitamente fui trazido à realidade pelo empurrão do chefe de polícia alemão — a delicadeza não é mera coincidência —, que me lembrava já iria iniciar-se o encontro onde talvez o destino do mundo que hoje conhecemos seria decidido. Não entendi nada do que me disse, mas pela, digamos, ênfase do seu convite preferi acompanhá-lo.

Nem bem adentrei, os olhares a mim se voltaram. Tão ansiosos quanto preocupados. A razão: afinal, que poder letal poderia ter aquela nova arma? Como pode um objeto até então inofensivo ser capaz de provocar dano em alguém? Por que a vítima só veio a sentir a terrível dor cerca de quinze minutos depois, após uma ligação de celular? Esperavam de mim uma resposta... Infelizmente, porém, não a tinha. De certo, apenas, que um dos dois candidatos a presidente do Brasil fora atingido na careca por uma bolinha de papel, e surpreendentemente, metade de hora depois, sentira forte dor, por alguma desconhecida combinação entre o impacto provocado pela inocente bolinha e ondas radiativas provenientes do seu aparelho celular.

O mundo não estava preparado para a simplicidade da novel arma. Fosse a vítima da bolinha um Zé Ninguém, talvez houvesse morrido e nada saberíamos. Mas como foi o Zé Serra, temos uma chance de descobrir e salvar a humanidade. Pra isso estou aqui. Em Washington, D. C..
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"Bolinhagate"

"Eis que o bolinhagate, que fez de Serra motivo de chacota até na imprensa argentina, é agora concluído com a publicação, ao melhor estilo Folha de São Paulo, da ficha policial falsa da bolinha de papel:

sábado, 23 de outubro de 2010

Eca! (ou Uma nova versão do Cansei!)

Eca, aqui, não é o Estatuto da Criança e do Adolescente, como é conhecido aquele diploma legal. Eca!, aqui, traduz aquela expressão de nojo que a gente diz, entronchando a boca, e com a barriga revirando de enjoo. Tenho dito muitas ecas!, entronchado muito a boca, e sentido muita náusea desde que iniciada a campanha eleitoral para presidente do Brasil.

Primeiro, por causa da campanha realizada pelo candidato Serra. O ódio, a baixeza, as calúnias e difamações, as piadas agressivas e preconceituosas, o cinismo, a hipocrisia, as mentiras deslavadas são absolutamente repugnantes. Vão desde a distribuição de panfletos apócrifos contendo as mais sórdidas mentiras, passando pela veiculação de e-mails desrespeitosos, recheados de intolerância, ódio, preconceito e, claro, mentiras, até a própria campanha na tv, com o candidato e seu “angelical” discurso. Eles conseguiram extrair esses sentimentos e práticas das entranhas de parcela da população brasileira.

Segundo, devido à escancarada parcialidade da grande e velha mídia nacional, capitaneada pela Rede Globo de Televisão, pela revista Veja e pelos jornalões Folha de São Paulo e Estado de São Paulo. Aliás, a bem da verdade, este último pelo menos assumiu, ainda que um tanto tardiamente, que apóia a candidatura do Serra, o que não deixa de ser digno.

Em face disto, como cidadão resolvi adotar medidas simples e ao meu dispor. Meu pai é cardíaco e já de certa idade, de sorte que as sucessivas Ecas! a que é levado a dizer, entronchando a boca e sentindo fortes náuseas levou-me, e à minha família, a adotar as providências necessárias a cancelarmos, sem titubear e com urgência, a assinatura daquela revista. Também decidimos abolir da nossa casa o (pseudo) jornalismo da Globo.

Cansei! Ou, simplesmente, eca!
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Campeão também no combate à corrupção

O Serra, e grande parte de seus eleitores, adoram dizer-se donos da ética, inclusive para nos apontar o dedo (limpo) e questionar-nos a nossa predileção política pela candidatura Dilma (além da própria, claro, e do Presidente, e de seu governo como um todo) sob esse prisma (translúcido, de tão asséptico).

Nada tão pretensioso quanto vazio. Para dizer o mínimo.

O Governo Lula, além de todos os indicadores econômicos e sociais campeões — os quais vou me abster de enumerar aqui, por sobejamente conhecidos —, foi o governo campeão também em atuação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Campeão! A Polícia Federal nunca agiu tanto. De 2004 a 2009 foram cerca de 1.000 operações e quase 13.000 prisões realizadas em articulação com a Controladoria Geral da União. Sabe quantas operações especiais foram realizadas pela mesma polícia no governo anterior? Não chegaram a 25! Cansou-se de ver não apenas bagres, mas principalmente tubarões sofrendo o peso da força policial.

O Procurador-Geral da República deixou de ser um cargo conhecido pela vergonhosa alcunha de Engavetador-Geral da República (referência à sucessão de processos que dormiam e dormiram para sempre nas gavetas daquele órgão). Só o Ministério Público instaurou quase 2.500 procedimentos judiciais em decorrência das fiscalizações da CGU. A lei se fez valer para todos, a favor ou contra o governo, de fora ou em suas entranhas.

Para o combate à corrupção diversos órgãos foram criados, através da CGU: Sistema de Correição da Administração Federal, articulação CGU e Polícia Federal, Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas, Programa de Fiscalização por Sorteios, Conselho de Transparência Pública e Combate à Corrupção, além do Portal da Transparência, considerado modelo no mundo.

Esses dados, entretanto, aqui perfilados em síntese apertada, não são conhecidos pela população, tampouco encontram na grande mídia a ressonância que deveria ser consequência lógica.

O interessante, por outro lado, é que as mesmas vozes que se pretendem proprietárias do discurso ético não se levantam, nem se levantaram, quando estouraram os escândalos do governo anterior, como os dos precatórios, do DNER, do BANESTADO, dos Bancos Marka e Fonte-Cidam, da REELEIÇÃO, das privatizações, do PROER, dos Anões do Orçamento, da pasta Rosa, entre outros. E muitas inocentemente não sabem que os escândalos dos Sanguessugas, Gabiru, Confraria, Navalha, Valerioduto, entre outros, embora revelados durante o governo Lula, foram originados em governos que lhe antecederam. Aliás, até o mensalão teve o PSDB como pai.

A corrupção, portanto, não é privativa do governo Lula, tampouco fora nele amplificada. Ao contrário, “nunca na história deste país”, para manter o tão repetido quanto verdadeiro bordão, um governo a enfrentou tão articulada e corajosamente quanto este.
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

CENTRAL DE BOATOS

Direto do blog Seja Dita Verdade

 CENTRAL DE BOATOS

"Para ajudar a campanha oficial, uma compilação dos emails falsos que circulam sobre Dilma Rousseff e seus respectivos desmentidos. Cada link remete ao leitor ao texto em questão. Espalhem, é importante". Tá lá no Seja Dita Verdade

sábado, 2 de outubro de 2010

Entre os ignorantes, por favor!

Eleição presidencial de 2006. Artigo em jornal, prenhe de arroubos morais e éticos, no melhor estilo “lacerdiano”, vaticinava, mais ou menos assim: quem teve educação, ou tem ética, como o raivoso articulista então proclamava, não vota em Lula.

Vixe! Deu um nó na minha cabeça. Num vou mentir... A ser verdade, eu, que sempre votei no nordestino-torneiro-mecânico-sapo-barbudo, e então votaria de novo, via-me numa autêntica sinuca de bico pessoal: ou eu seria um peste dum ignorante (sem educação doméstica e escolar) ou um desgraçado sem ética. Ou burro, ou cabra de peia.

Pôxa, como não me achava nem uma coisa nem outra fiquei atordoado, claro. Mais ainda porque não vi tanta ira à época do governo anterior, quando pipocaram (pouquinho, é bem verdade, porque a mídia grande não era muito chegada a divulgar essas coisas, mas algum milho conseguiu virar pipoca, sim) os escândalos do SIVAM, do PROER, da emenda da reeleição, das privatizações financiadas pelo próprio BNDES, e por aí vai.

Aí o tempo passou. O Lula foi reeleito pra mais um mandato, a dívida com o FMI foi paga (e dele o país hoje é credor), a maior crise mundial da história, desde 1929, foi pouco sentida pelo Brasil graças às providências do governo federal (uma marolinha para o país, segundo já avisava o presidente, porém ridicularizado por muitos), o Brasil deverá deixar de ter miseráveis até 2016 (segundo o IPEA), a renda sobe, a taxa de desemprego cai, e por aí também vai.

Ao lado disto, a popularidade do homem só cresceu. Hoje 79% consideram seu governo bom/ótimo, 17%, regular, e apenas 4% ruim/péssimo. O anterior alcançou o máximo de 47% de aprovação. Sua candidata a presidente para as próximas eleições, Dilma Rousseff, tem, hoje, dia em que se comemora a independência do Brasil, segundo o VoxPopuli/Band/IG, a marca de 56% das intenções de voto, enquanto o seu rival mais próximo, o tucano José Serra, tem 21%.

Mesmo assim, num vou dizer pra você que não me sinta mal ainda hoje. Afinal, mesmo sendo um governo que tem feito uma verdadeira revolução social e econômica neste país — hoje, por exemplo, o Brasil é o terceiro destino preferido para investir pelas multinacionais (atrás, apenas, da China e da Índia) —, mesmo sendo o presidente mais popular da história deste país, mesmo sendo o presidente brasileiro que mais recebeu prêmios nacionais e internacionais, a circunstância de ser ignorante ou sem-ética por apoiá-lo é no mínimo desagradável. Então, por favor, rogo a quem, como o tal articulista, pensar possa: ponham-me entre os ignorantes, ao menos.
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*Enviado à publicação no jornal Gazeta de Alagoas