F R A S E

SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

terça-feira, 6 de setembro de 2011

De céticos a cínicos

Por Emir Sader, no Blog do Emir, em Carta Maior


O ceticismo parece um bom refúgio em tempos em que já se decretou o fim das utopias, o fim do socialismo, até mesmo o fim da história. É mais cômodo dizer que não se acredita em nada, que tudo é igual, que nada vale a pena. O socialismo teria dado em tiranias, a política em corrupção, os ideais em interesses. A natureza humana seria essencialmente ruim: egoísta, violenta, propensa à corrupção.

Nesse cenário, só restaria não acreditar em nada, para o que é indispensável desqualificar tudo, aderir ao cambalache: nada é melhor, tudo é igual. Exercer o ceticismo significa tratar de afirmar que nenhuma alternativa é possível, nenhuma tem credibilidade. Umas são péssimas, outras impossíveis. Alguns órgãos, como já foi dito, são máquinas de destruir reputações. Porque se alguém é respeitável, se alguma alternativa demonstra que pode conquistar apoios e protagonizar processos de melhoria efetiva da realidade, o ceticismo não se justificaria.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Os responsáveis



Novo espetáculo de selvageria envolve torcedores e policiais militares, ressuscitando as propostas de jogos fechados para uma (ou nenhuma) torcida. Mas não é justamente a Polícia Militar, a única instituição responsável por prevenir e combater a violência nos estádios, quem mais defende a exclusão do público? Por que distribuir punições difusas se a origem do problema é tão evidente e localizada?

Como Leis Secas e outras ataduras canhestras, o afastamento do torcedor forja um falso vilão para livrar a barra das “otoridades” incompetentes. O contribuinte é dono do espaço público, patrão da PM e único pretexto para qualquer disputa esportiva. Se a corporação não consegue preparar um evento agendado com meses de antecedência, envolvendo espaços restritos e pessoas facilmente identificáveis, ela desperdiça nosso dinheiro e precisa cuidar imediatamente de merecê-lo.

domingo, 4 de setembro de 2011

A faxina de uma angústia


Por Brizola Neto, no Tijolaço.com
O Estadão publica hoje uma matéria onde se afirma que a presidenta Dilma Roussef determinou que seus ministros apóiem a formação de um entendimento capaz de fazer sair do papel, onde está há quase um ano e meio, a instauração da Comissão da Verdade, destinada a apurar os acontecimentos da tenebrosa noite de arbítrio que escureceu a vida brasileira após 1964. É uma ação inadiável, destinada a lançar luz e verdade sobre situações que precisamos conhecer, até para que jamais se repitam.
Fiz a minha parte, apresentando o pedido de urgência para a votação no projeto na Câmara. Mas, embora quase todos os líderes tenham concordado com o pedido, há resistências a que seja feita a votação. Temem que se forme um “Tribunal de Nuremberg” contra os mandantes e os agentes daquelas violências. O líder do DEM, Demóstenes Torres, promotor por profissão, manifesta um descabido critério de apoiar ou não a Comissão, dependendo de quem a comande, como se uma investigação devesse ser feita ou não dependendo de quem a presida.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

A próxima capa da Veja


Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

Está cada vez mais difícil acreditar na Veja, para quem quer. Não bastando provas materiais e testemunhais de que seu repórter tentou invadir o domicílio de José Dirceu e a ausência de mísero indício de que ele se reunia com correligionários em um hotel de Brasília para fazer negociatas e conspirações, ela se porta como culpada e ele, como inocente.

O ex-ministro supostamente é o acusado. Ao menos para o grande público, que, ainda – eu disse ainda –, não ficou sabendo do que a revista andou aprontando. Dirceu, no papel de culpado, deveria estar fugindo da repercussão e a Veja, no papel de acusador, deveria estar surfando nela.

Exposta em bancas de jornais por todo país e tendo recebido alguma cobertura da grande mídia, a revista estaria em melhores condições para continuar a vender a sua denúncia do que Dirceu a dele. O que se esperaria, portanto, é que a Veja estivesse falante.