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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Mídia decide pela não-existência do livro

Por Washington Araújo, no Observatório da Imprensa

É de causar espanto a desfaçatez com que a informação, que deveria fluir livremente – e por todos os poros –, tem que atravessar um imenso deserto midiático para conseguir chegar ao receptor final. E o quem é o receptor final? Oras, é o seu José Silva, professor aposentado, ou Maria das Dores, a estudante que se prepara para fazer concurso público, ou Alexandre Santos, o desempregado em mais uma das intermináveis filas do banco. Enfim, o receptor final é qualquer quer cidadão ou cidadã, qualquer pessoa que tenha – ainda – o hábito de ler jornal.

O caminho da informação só não é completo para as pessoas comuns: para os do andar de cima, para os que se sentem o ornamento maior da importância social, os tais formadores de opinião e os engravatados da imprensa, a informação sempre esteve ali, clara, fácil de acessar, recebida em tablets e em “celulares espertos” (smartphones). É nesse contexto de perplexidade profissional e incredulidade mental que acompanho o lançamento do livro mais ignorado em terra brasilis desde o seu descobrimento, no distante 1500. Claro que me refiro ao Privataria Tucana, do colega Amaury Ribeiro Jr., publicado pelo selo editorial Geração Editorial, de meu amigo Luiz Fernando Emediato e, para completar a informação, lançado exatamente no dia 9 de dezembro, esse dia escolhido pelas Nações Unidas para ser o Dia Mundial Contra a Corrupção.


Se, por um lado, o boicote ao livro é ostensivo, os que poderiam se sentir acuados com as revelações do calhamaço de Ribeiro demonstram reação muito além de tímida, reação inexistente mesmo. Como é evidente a prática dos dois pesos e duas medidas na cobertura da política brasileira! Quão diferente o tratamento dado a livros como Honoráveis Bandidos e Lula é minha anta (nem me dou ao trabalho de dizer nomes dos autores, editoras etc. porque isso a grande imprensa fez à larga). Sei que ambos se ocuparam de nossas velhas mazelas nacionais – a corrupção auriverde. A comparação com o livro invisível do momento fica por aqui. É que tanto o Honoráveis quanto o da Anta, abundam em adjetivos e achincalhes para todos os gostos (e desgostos) e o livro A Privataria Tucana capricha na apresentação documental.

É quase que uma espécie de instrução dos autos de um processo, provavelmente o maior da República, a tratar de corrupção graúda, internacional, dissecando os dutos da roubalheira, seguindo rastros carimbados, documentos oficiais de bancos e de Juntas Comerciais, relatórios financeiros, extratos contábeis.

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