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― Espera! Para com
isso, amor... Você já bebeu muito...
― Agora é que vou
beber mesmo!
Tentou segurá-la
pelo braço.
— Me larga — esquivou-se,
grosseira, e partiu, bufando. Ele a seguindo. Passaram do nosso lado. Olhamos
pra trás, os três, curiosos. Lá ia ela, à frente. Tentou aproximar-se e
contê-la, com aquela expressão aflita e algo constrangida, sabedor de que
aquela intimidade estava sendo compartilhada com os passantes da orla da Ponta
Verde.
― Cê viu?! ― o pai
perguntou, espantado, à namorada.
― E então... Ele
havia reclamado de que ela havia bebido muito no último bar em que estiveram.
Ela, braba, disse que “nem tinha começado ainda”!
― Vixe Maria! Como
as coisas tão, velho!... E a cara de bobo-aflito dele... Visse?
― Cara de otário
da poxa ― disse o filho.
(...)
Texto também publicado no jornal Gazeta de Alagoas, Caderno SABER, de 04/02/2012
(...)
Texto também publicado no jornal Gazeta de Alagoas, Caderno SABER, de 04/02/2012
― Meu irmão, isto
eu via antigamente, mas ainda assim era o cara, normalmente um cabra grosso,
quem fazia o que ela fez. E nem era tão comum...
― É mesmo —
concordou a namorada.
― A mulherada tá
virada na gota, hein? — disse-lhe.
Ela fez que sim
com a cabeça, enquanto franzia levemente as sobrancelhas e, com os beiços fazia
um bico, em que o inferior fica esticado pra frente e pra baixo, mais saliente do
que o superior e cobrindo este. Tava pensando no que ouvira do namorado e no
que havia ocorrido. Ele também refletia por alguns momentos sobre aquilo. Ela
se cala pra pensar. Ele pensa enquanto fala.
— Tá calada...
— Tô pensando...
Havia uma aliança em seu dedo anelar da mão direita.
Os três fizeram
aquela cara de “oh, coitado!”
Era noite, e a
belíssima orla maceioense, com sua brisa fresca vinda do mar calmo azul-esverdeado,
e seus muitos bares e restaurantes, estava lotada de turistas e jovens em
férias, aguardando pelas talvez melhores festas de reveillon do país, ou
simplesmente deleitando-se com os derradeiros dias do ano. O verão
definitivamente chegara e a orla, mais do que em qualquer outro período —
porque também iluminada, e os seus hotéis e prédios residenciais, pelas luzes e
ornamentos natalinos —, era um espetáculo bom demais de apreciar.
Haviam resolvido
repetir o passeio que fizeram no final da tarde do mesmo dia. Saíram a pé e foram
passear, mais ou menos do Kanoa (barrraca que é bar e restaurante) ao atual Restaurante
Maikai, antigo Rapa Nui, passando pelo Lopana Clube do Pirata e Pedra Virada
(outras barracas-bares). Lopana e Kanoa as mais badaladas. Definitivamente, moravam,
mesmo, no lugar em que os outros escolhiam para gozar férias. E Maceió se
tornara, também, uma autêntica cidade de veraneio, ao menos até onde, nela,
existissem o quadrinômio sol, mar, baladas e gente bonita.
A garota também
era bonita, dos seus 25 a
28 anos, parecia. Hoje também é difícil identificar a idade das garotas. Muitas
vezes, adolescentes em corpos de adultas. E com cara de mulher feita. Ou quase.
Resultado de uma soma de hormônio, presente nas nossas proteínas animais, com
muita malhação e, não raro, anabolizantes proibidos. Os homens, se ainda não é tão
difícil a identificação da faixa etária a qual pertencem, são quase todos
iguais: pernas finas, peito e braço bombados, também nem sempre às custas
apenas do binômio malhação e alimentação suplementada com altas doses de
proteínas e carboidratos.
O sujeito, o que
levou o rela da garota, parecia uma mistura de gente boa com, com, com,... sei
lá. Não era bonito, mas também não era feio. Detalhe: não era bombado. Eita! É
mesmo... Será por isto que ela agia assim, embora a cara de legal do coitado? Mas
lhe faltava amor próprio, acho. E moral. É! Faltava moral! — Cabra mole da boba
— disse o filho. Era mesmo. Oxe!
Após voltarem, quando
pensavam em retomar o passeio, novamente no sentido Sete Coqueiros-Ponta Verde,
viram o tal casal no Lopana. Ocupavam uma mesa animada por cerca de seis ou
sete garotas. Ele, o único homem, descansava a mão direita no colo dela, o
braço um tanto esticado porque ela não estava próxima. Na verdade, quase de
costas pra ele, falando, gesticulando e sorrindo alto.
Ficaram ali por
perto durante um tempo, olhando o movimento e batendo papo distraídos. Deu
preguiça de andar mais. Chope o pai não queria tomar, mas eis que a fome chegou.
Pros três. Assim, depois daquela tradicional dificuldade de decidir o que
gostariam de comer, foram enfrentar um temakizinho num japonês ali próximo.
Alimentados e tendo
voltado ao calçadão da orla na direção de uma banca de revistas, eis que um
sujeito quase esbarra no pai. Quando este se virou para ver o afobado,
reconheceu-o. Era o rapaz cara-de-bobo-gente-boa que, apressado, ia embora.
Sozinho e sem aliança.



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