F R A S E

SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Os mistérios do julgamento do "mensalão"


Crônica originariamente publicada no jornal Gazeta de Alagoas, edição de domingo, 23/12/2012 (ilustração abaixo).

Trago mais alguns mistérios, na verdade menos esperando serão esclarecidos do que pra deles fazer um certo exorcismo, pois que batendo de lado a outro do meu juízo, a aquietar-me e a ele.

Desta feita são relativos ao julgamento da Ação Penal 470 — como o STF fez questão de denominar, num raro momento de sobriedade —, ou com ele se confundem. Sobriedade, porque a maciça divulgação das suas sessões, e sua cobertura e exposição “ao vivo”, por uma mídia espalhafatosa e ressonante, tal qual verdadeiro “reality show”, de sóbrias nada tiveram. O que, portanto, faltou de espetáculo na nomenclatura, sobrou no julgamento, com direito a tintas carregadas nas adjetivações e variados juízos de valor. Ora, essa atitude, em si, já é um mistério. Afinal, por que inusitadamente comportou-se desse modo aquela Corte?

JN transforma 1,7 milhão de empregos em notícia ruim


TV manipula notícia sobre criação de empregos


por Fernando Branquinho, no Observatório da Imprensa em 24/12/2012 na edição 726 (extraído do sítio VIOMUNDO

Na quarta-feira (19/12), no Jornal Nacional, o gráfico atrás da apresentadora Patrícia Poeta mostrava a criação de 1,77 milhão de empregos até agora, em 2012. Considerada a pindaíba econômica do mundo ocidental, qualquer cidadão de outro país olharia com inveja para cá. Mas na Globo não é assim: toda notícia que venha do governo tem que ser “negativada”.

Foi o que fizeram. Este foi o texto lido pela apresentadora:

“A criação de empregos com carteira assinada, este ano, foi 23% menor do que em 2011. É o pior resultado desde 2009. Mas, isoladamente, os números de novembro mostram um aumento de quase 8% no emprego formal.”

Que desvio de dinheiro público coisa nenhuma!

GILMAR, O ATOR DO MENSALÃO. O DINHEIRO NÃO SUMIU









Por Paulo Henrique Amorim, no Conversa Afiada

Vale a pena ver de novo. Está no YouTube (http://youtu.be/-smLnl-CFJw), nos votos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) do dia 29 de agosto, no julgamento do mensalão. A sessão já tinha 47 minutos. Fala o ministro Gilmar Mendes. Ele esclarece que tratará da "transferência de recursos por meio da Companhia Brasileira de Meios de Pagamento (CBMP)". Diz, preliminarmente, que, a seu ver, "se cuidava" de recursos públicos. Faz, então, uma pausa. E adverte ao presidente da casa, ministro Ayres Britto, que fará um registro. De fato, é uma espécie de pronunciamento ao País.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Mais uma do STF: a crítica agora é de relator da ONU

Atitude do STF escandaliza relator das Nações Unidas



Frank la Rue fez críticas a ministros
do STF, em recente visita ao Brasil



Correio do Brasil / Brasil de Fato
"Relator especial da ONU para liberdade de expressão, Frank William la Rue se disse escandalizado com a atitude do Supremo Tribunal Federal de derrubar a vinculação horária da classificação indicativa dos programas de televisão. Em uma visita não oficial ao Brasil, a convite do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, o relator preferiu não se pronunciar sobre a concentração de poder na mídia nacional, ou a absoluta falta de marcos regulatórios para o segmento, a exemplo daqueles em vigor nos países desenvolvidos.

La Rue referiu-se à ação de inconstitucionalidade apresentada pelo PTB e apoiada pelas emissoras de TV que tenta derrubar a obrigação das emissoras respeitarem faixas horárias para veicular programas voltados apenas a determinadas idades. As palavras do relator foram claras.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Carta aberta ao Ministro Ayres Brito

Por Luís Nassif

Ministro Ayres Brito,

Em que mundo o senhor vive? O senhor tem feito o jogo do jornalismo mais vergonhoso que já se praticou no país, usurpado os direitos de centenas de pessoas que buscavam na Justiça reparação contra os crimes de imprensa de que foram vítimas. E não para, não se informa, não aprende, não consegue pisar no mundo real, dos fatos.

No poder judiciário, o senhor tornou-se o principal responsável pelo aprofundamento inédito dos vícios jornalísticos. Sua falta de informação, sua atração pelo aplauso fácil, fez com que olhasse hipnotizado para os holofotes da mídia e, ao acabar com a Lei de Imprensa sem resolver a questão do Direito de Resposta, deixasse de cumprir seu dever constitucional de zelar pelos direitos individuais de centenas de vítimas de abusos da imprensa.

Centenas de pessoas sendo massacradas pelo jornalismo difamatório e o senhor ainda vem com essa história de defender a mídia das decisões de juízes de primeira instância.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Desespero do cambaleante Aécio Neves

Por Altamiro Borges


Em seus artigos na Folha, Aécio Neves, o cambaleante presidenciável do PSDB, tem abusado das platitudes – com textos enfadonhos que não dizem absolutamente nada. Até Suzana Singer, ombudsman do jornal, já escreveu que eles servem apenas de palanque eleitoral. Nesta semana, porém, o senador mineiro se superou e partiu para a mentira deslavada. Logo na abertura, ele afirma na maior caradura que “desde que o século 21 começou, a economia brasileira vive o seu pior ano”. Será que ele já esqueceu a “herança maldita” de FHC, a quebradeira do país no triste reinado tucano?



Comparativo desmente o tucano

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O prefeito Graciliano Ramos

Crônica em homenagem aos 120 anos de nascimento do escritor alagoano, e prefeito (enfoque do texto), Graciliano Ramos, publicado originalmente na Revista da ADVOCEF  (ilustração imediatamente abaixo) Segue:

Os anos eram os de 1928/30. A cidade de Palmeira dos Índios, lá no agreste alagoano, conhecida como a “Princesa do Sertão”, estava em polvorosa. Aliás, cabe logo dizer, como ele disse então, no início do 1928 era uma “princesa, vá lá, mas uma princesa muito nua, muito madraça, muito suja, muito escavada.”

http://valerumlivro.mtv.uol.com.br
Ressabiado e revoltado estava não seu povo mais necessitado e até então esquecido (este sorria de orelha a orelha), mas boa parte do que se convencionou chamar elite, ou no dizer daquele enfezado manso, os que a administravam em particular: os “cobradores de impostos, o Comandante do Destacamento, os soldados”, os “Prefeitos Coronéis e Prefeitos inspetores de quarteirões”, os “fiscais”, que “resolviam questões de polícia e advogavam”, como também o que chamou de “pobre povo sofredor”: os “negociantes, proprietários, industriais, agiotas que esfolam o próximo com juros de judeu” (hoje esta referência lhe traria problemas com os politicamente corretos), povo “bem comido e bem bebido”, que “quer escolas, quer luz, quer estradas, quer higiene”, é “exigente e resmungão”, mas que, como “ninguém ignora que se não obtém de graça as coisas exigidas”, “acha que os impostos devem ser pagos pelos outros”.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O Senhor Justiça: Ricardo Lewandowsky


"Encerrando o ano, minha mais profunda admiração pela figura de um senhor Juiz, que, com sua postura serena, demonstrou a verdadeira coragem, não a dos retóricos, dos que se escudam no poder das manadas, mas a que não se entrega à sedução dos holofotes nem se intimida com o clamor da turba, com o linchamento, com a selvageria que se sobrepõe à análise ponderada que deve ter o julgador.
Com sua fala mansa, com sua indignação contida, com seu anti-estrelismo, Lewandowski demonstrou o que é a força da convicção legalista. Quem assistisse os assomos retóricos de Celso de Mello, a verborragia incontida de Joaquim Barbosa, os votos implacáveis de Gilmar Mendes, poderia julgar erradamente que a força estava com eles.
Engano, lego engano! Gilmar e Celso apenas cavalgaram a onda criada pelo clamor da turba.
A verdadeira força, da convicção, do não oportunismo, sempre esteve com Lewandowski."

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Como a mídia brasileira sufoca a liberdade de expressão

Vídeo produzido pelo Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social com o apoio da Fundação Friedrich Ebert Stiftung remonta o curta ILHA DAS FLORES de Jorge Furtado com a temática do direito à comunicação. A obra faz um retrato da concentração dos meios de comunicação existente no Brasil.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

É inútil. O Brasil sabe que querem destruir Lula

"Os brasileiros estão sempre esperando uma nova acusação contra Lula. Ele foi acusado até quando contraiu câncer, por não se tratar no sistema público de saúde. Afinal, como pode um retirante nordestino querer se tratar em hospitais que deveriam ser exclusividade de políticos com pedigree, como FHC?"

Eduardo Guimarães, em seu sítio (obtido no sítio Pragmatismo Político)

"Vai se cumprindo o script. É tudo tão previsível que chega a dar preguiça de comentar. Lula não é menos alvo hoje do que era há dois, quatro, seis, oito, dez, vinte ou vinte e dois anos. Entre 1989 e 2012, ele foi acusado de ser racista, abortista, ladrão, pedófilo, estuprador e assassino, entre outros. Não se consegue lembrar acusação que não tenha sofrido.

A cada manchete contendo uma “bomba” contra Lula, quase é possível ouvir os barões da mídia, seus pistoleiros e a oposição partidária de direita exclamarem “Agora vai”, ou seja, que, desta vez, desmoralizarão o retirante nordestino que se tornou um dos maiores líderes políticos do mundo.

Os mesmos jornais, revistas, rádios e televisões que dia após dia, sem um único intervalo, durante as últimas duas décadas tratam de tentar desmoralizar esse homem com todo tipo possível e imaginável de acusação, renovam suas esperanças pérfidas a cada nova tentativa.

Já usaram até uma ex-namorada de Lula para destruir sua imagem pública – ela o acusou de abortista e de racista. Já publicaram acusação de que ele tentou estuprar um garoto de 15 anos; já disseram que assassinou 200 passageiros de um voo comercial que terminou em tragédia.

Os brasileiros estão sempre esperando uma nova acusação contra Lula. Ele foi acusado até quando contraiu câncer, por não se tratar no sistema público de saúde. Afinal, como pode um retirante nordestino querer se tratar em hospitais que deveriam ser exclusividade de políticos com pedigree, como Fernando Henrique Cardoso?

Alguém imagina que se um dia o ex-presidente tucano adoecer gravemente a oposição midiática irá cobrar dele que se trate em hospitais públicos? Alguém irá cobrar o mesmo de José Serra ou de Geraldo Alckmin?


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Oscar Niemeyer, a Veja online e o Escaravelho

Por Leonardo Boff (texto excelente enviado via e/mail por Julio Cesar Macêdo de Amorim)

Com a morte de Oscar Niemeyer aos 104 anos de idade ouviram-se vozes do mundo inteiro cheias de admiração, respeito e reverência face a sua obra genial, absolutamente inovadora e inspiradora de novas formas de leveza, simplicidade e elegância na arquitetura. Oscar Niemeyer foi e é uma pessoa que o Brasil e a humanidade podem se orgulhar.

E o fazemos por duas razões principais: a primeira, porque Oscar humildemente nunca considerou a arquitetura a coisa principal da vida; ela pertence ao campo da fantasia, da invenção e do lúdico. Para ele era um jogo das formas, jogado com a seriedade com que as crianças jogam.

A segunda, para Oscar, o principal era a vida. Ela é apenas um sopro, passageira e contraditória. Feliz para alguns mas para as grandes maiorias cruel e sem piedade. Por isso, a vida impõe uma tarefa que ele assumiu com coragem e com sérios riscos pessoais: a da transformação. E para transformar a vida e torná-la menos perversa, dizia, devemos nos dar as mãos, sermos solidários uns para com os outros, criarmos laços de afeto e de amorosidade entre todos. Numa palavra, nós humanos devemos aprender a nos tratar humanamente, sem considerar as classes, a cor da pele e o nível de sua instrução.

Isso foi que alimentou de sentido e de esperança a vida desse gênio brasileiro. Por aí se entende que escolheu o comunismo como a forma e o caminho para dar corpo a este sonho, pois, o comunismo, em seu ideário generoso, sempre se propôs a transformação social a partir das vítimas e dos mais invisíveis. Oscar Niemeyer foi um fiel militante comunista.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Operações da Polícia Federal - Quadro comparativo: FHC - LULA - DILMA



Por Julio Cesar Macêdo de Amorim (por e-mail)


Dados atualizados até 26/04/2012 Fonte: www.dpf.gov.br

Governo FHC: em 8 anos foram 28 operações da Polícia Federal.

Governo Lula:

Ano
N˚ de Operações
Total de Presos
Servidores Públicos
Policiais Federais
2003
08
223
97
39
2004
42
703
134
9
2005
60
1.366
219
09
2006
165
2.673
385
11
2007
188
2.876
310
15
2008
235
2.475
396
07
2009
288
2.663
183
04
2010
269
2734
124
5
Total
1255
15713
1848
99

Nas operações acima foram presas diversas autoridades, servidores públicos e empresários. Atestando a imparcialidade do trabalho foram presos juízes federais, estaduais, policiais civis, federais (94 da própria corporação), rodoviários federais, Auditores Fiscais, membros do Ministério Público Federal, prefeitos, inclusive do PT, governadores, deputados, vereadores, senadores e tantos outros. Também foram investigadas pessoas ligadas a grandes empresas (Daslu, Schincariol, Odebrecht, OAS, Camargo Correa, etc).

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

No governo FHC, corrupção era descaradamente acobertada

O texto abaixo, além do vídeo (entrevista do colunista Jânio de Freitas, da insuspeita, porque reacionária, conservadora e oposicionista Folha de São Paulo) e da reportagem da mesma Folha, são absolutamente imperdíveis.
Você que não quer mais se deixar manipular pela imprensa das quatro famílias, não perca.
Você, que é manipulado "de coração e alma", leia (e assista) também: para limpar um copo cheio de água suja, joga-se, contínuamente, água limpa nele.
Seguem, nessa ordem, o texto, o vídeo, e a reportagem:
"No governo FHC corrupção era descaradamente acobertada
Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania
Ontem (3), o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, afirmou publicamente que “A corrupção não está mais debaixo do tapete” e que, “Hoje, há mais autonomia dos órgãos de fiscalização e controle como o Ministério Público, a Controladoria Geral da União (CGU) e a Polícia Federal”.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de pronto, rebateu a afirmação de Carvalho. À noite, no Jornal Nacional, a reportagem mostrou parte das declarações do ministro e do ex-presidente sobre o assunto. FHC, visivelmente alterado, qualificou como “leviandade” a declaração do adversário político.
Vejamos, pois, quanto de motivos teve o ex-presidente para se irritar assim com a declaração do ministro de Dilma.

PCdoB lança nota criticando ação penal do chamado "mensalão"


O Comitê Central do Partido Comunista do Brasil aprovou nota sobre a Ação Penal 470, o processo do chamado “mensalão”. Na opinião dos comunistas, foi um “julgamento de exceção”, com caráter “eminentemente político”, que chegou a “sentenças injustas e desproporcionais”. Leia a íntegra da nota intitulada “Em defesa do Estado democrático de direito”.

Via Vermelho

O Comitê Central do Partido Comunista do Brasil – PCdoB –vem a público manifestar sua crítica ao processo de julgamento da Ação Penal 470 no Supremo Tribunal Federal. O STF já adotou posicionamentos favoráveis à democracia, à garantia de direitos individuais e a outras importantes causas para o avanço da sociedade. Como os demais poderes da República, não é infalível. Neste caso, sob intensa pressão da mídia, marcou o julgamento para as vésperas de uma eleição, chegando a sentenças injustas e desproporcionais, em um julgamento de exceção que foi, assim, de caráter eminentemente político.

A mídia conservadora promove a execração pública dos acusados

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

BRASIL reduz pobreza em 7,9% - A Direita e o PIG morrem

"Prego na bota do PIG: pobreza tem redução de de 7,9% em 2011

Por Charles Bakalarczyk

Dilma: combatendo a pobreza

A pesquisa De Volta ao País do Futuro, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que teve por objeto a análise da nova classe média e foi divulgada no dia 7 (ver abaixo), não obteve a repercussão devida.

Diz a pesquisa o Brasil anda no sentido aposto ao resto do mundo. Se em muitos países as desigualdades sociais têm aumentado, no Brasil a curva é inversa: a pobreza caiu 7,9% entre janeiro de 2011 e janeiro de 2012, com redução contínua das desigualdades.

Fico pensando como pesquisa desse naipe incomoda o PIG e os conservadores. É prego na bota deles!"

domingo, 2 de dezembro de 2012

O julgamento que desnudou o STF, e...

"A louca cavalgada do juiz Luiz Fux por uma vaga no STF"

Por Paulo Nogueira

"Ia usar a palavra perplexidade para descrever o sentimento que toma conta do leitor ao ver, na Folha de hoje, a entrevista que o juiz do STF Luiz Fux concedeu à jornalista Mônica Bergamo.

Mas recuei ao me lembrar de que grandes filósofos como Sêneca e Montaigne defenderam a tese de que a perplexidade é atributo dos tolos, tanto os coisas de repetem ao longo dos tempos.

Então ficamos assim: é uma entrevista altamente reveladora sobre o próprio Fux, o STF e as ligações imorais entre a justiça e a política no Brasil.

No último ano do governo Lula, Fux, em busca da nomeação para o STF, correu sofregamente atrás do apoio de quem ele achava que podia ajudá-lo.



Está no texto de Bergamo: “Fux “grudou” em Delfim Netto. Pediu carta de apoio a João Pedro Stedile, do MST. Contou com a ajuda de Antônio Palocci. Pediu uma força ao governador do Rio, Sergio Cabral. Buscou empresários. E se reuniu com José Dirceu, o mais célebre réu do mensalão. “Eu fui a várias pessoas de SP, à Fiesp. Numa dessas idas, alguém me levou ao Zé Dirceu porque ele era influente no governo Lula.”

Paulo Maluf, réu em três processos no STF, também intercedeu por Fux, segundo o deputado petista Cândido Vacarezza, ouvido na reportagem de Mônica. Vacarezza era líder do governo Lula.

Palavras de Vacarezza, na Folha: “Quem primeiro me procurou foi o deputado Paulo Maluf. Eu era líder do governo Lula. O Maluf estava defendendo a indicação e me chamou no gabinete dele para apresentar o Luiz Fux. Tivemos uma conversa bastante positiva. Eu tinha inclinação por outro candidato [ao STF]. Mas eu ouvi com atenção e achei as teses dele interessantes.”

Fux afirmou ao jornal que jamais viu Maluf.

O contato mais explosivo, naturalmente, foi o com Dirceu. Na época, as acusações contra Dirceu já eram de conhecimento amplo, geral e irrestrito. E Dirceu seria julgado, não muito depois, pelo STF para o qual Lux tentava desesperadamente ser admitido.

Tudo bem? Pode? É assim mesmo que funcionam as coisas?

Fux afirma que quando procurou Dirceu não se lembrou de que ele era réu do Mensalão. Mesmo com o beneficio da dúvida, é uma daquelas situações em que se aplica a grande frase de Wellington; “Quem acredita nisso acredita em tudo”.

A entrevista mostra um Fux sem o menor sentido de equilíbrio pessoal, dono de uma mente frágil e turbulenta. Considere a narração dele próprio do encontro que teve com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, no qual acabaria recebendo a notícia de que atingira o objetivo: estava no STF.

“Aí eu passei meia hora rezando tudo o que eu sei de reza possível e imaginável. Quando ele [Cardozo] abriu a porta, falou: “Você não vai me dar um abraço? Você é o próximo ministro do Supremo Tribunal Federal”. Foi aí que eu chorei. Extravasei.”

Fux, no julgamento, chancelou basicamente tudo que Joaquim Barbosa defendeu, para frustração e raiva das pessoas que ele procurara para conseguir a nomeação, a começar por Dirceu.

Se foi justo ou injusto, é uma questão complexa e que desperta mais paixão que luz. Talvez a posteridade encontre uma resposta mais objetiva.

O certo é que Fux é, em si, uma prova torrencial de quanto o STF está longe de ser o reduto de Catões que muitos brasileiros, ingenuamente, pensam ser."