F R A S E

SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O dia da alegria

http://site.adital.com.br/
Não seria um dia qualquer. Dias antes, finda a última disputa na TV, viram-se tomados por uma sensação de relaxamento, ainda que parcial, afinal ainda se seguiria a matéria criminosa, porque falsa e eleitoreira, daquele periódico semanal.

Orgulhosamente envergada a camiseta vermelha com a imagem dela ainda jovem estampada no peito, saiu para o compromisso cívico tão esperado: ele e aquela “capitalista” mais socialista que já conhecera. Ela foi ao prédio daquela faculdade no litoral norte, cujas predileções do eleitorado não se faziam perceber. Ele, para uma zona eleitoral situada na talvez mais bonita orla marítima do país, onde, porém, instalados dos mais reacionários e politicamente atrasados eleitorados da região; o que naturalmente dava-lhe ainda mais prazer.

O horário de verão na capital federal sinalizava que a disputa se encerraria primeiramente na quase totalidade do nordeste, onde uma hora a menos. Contados os outros fusos horários, os primeiros resultados somente se fariam possível conhecer a partir das vinte horas (hora dali).

Com dezenas de militantes, e com ela e um dos filhos dele que se achegara, aguardou. O batuque soava animado; desbordando do prédio já invadia a rua. Os semblantes, porém, variavam do otimismo, decerto forjado pelas cervejas paulatinamente bebidas, à tensão incontida espelhada na maioria. Quanto mais a hora se aproximava, mais a crueza da realidade contida na expectativa aflita fazia-se iluminada. Ela rezava, aflita; ele cuidava, disfarçando a aflição, preocupado com ela e com tudo. “Calma... É assim mesmo... Não der, não deu”, dizia-lhe, já preocupado, fingindo não ver as lágrimas em seus olhos.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Política e fé*

http://www.blogvarzeapaulista.com
*Tb pub. no jornal GAZETA DE ALAGOAS e nos sítios Pragmatismo Político e PCdoB/AL

Tenham dó! Política não é profissão de fé, tampouco fé tem alguma coisa a ver com política ou o que mais da vida mundana. No exercício da minha fé em algo que acredito ser Maior — a que, particularmente, chamo Deus —, peço-Lhe, entre outras coisas (sou nada econômico nesse quesito, diga-se), para me dar compaixão, generosidade, saúde, luz, tolerância, humildade, coragem, força, fé. No exercício da luta política, que já é naturalmente outra coisa, esforço-me por um mundo melhor, com as armas que acredito sejam as possíveis e, dentre essas, as melhores. É simples assim.

Vez por outra sou abordado por gente dizendo-se decepcionada porque “acreditava” no PT, e em Lula, até em Dilma (apesar de muitos a terem considerado um poste; poste de muita luz, diria eu), mas que agora estaria estarrecida com a roubalheira que estaria sendo patrocinada por aquele partido, de que é exemplo mais recente a Lava-Jato e, mais famoso, o Mensalão. É, pois, o momento de pelo menos exercitar a tolerância, a compaixão e a humildade concedida.

Política não é profissão de fé! Quando muito é mera fonte e arcabouço de expectativas. Expectativas não são pra quem quer ter, mas pra quem pode. Expectativas ajudam a viver, mas são terríveis quando frustradas. E elas não raro o são porque a gente não sabe lidar com elas, já que toda expectativa pode trazer em si mesma dolorosa frustração, mais culpa nossa do que dela.

Porém, até pra tolice há limite. Sabe-se que os desvios de dinheiro público — notadamente aqueles para proveito particular — não são privilégio dos governos do PT ou de seus aliados. E você sabe que por mais que existam padres pedófilos, tarados ou predadores da fortuna do Vaticano; empresários corruptores, sonegadores, escravagistas e exploradores da mão-de-obra; milicos assassinos, covardes, torturadores, ladrões; juízes vendedores de sentença e da própria alma, não se pode confundi-los com a Igreja Católica, com o empresariado inteiro, com nossas Forças Armadas, tampouco com o Poder Judiciário. E ao que se saiba, você continua catolicozinho-da-silva...

Você sabe. Então, se por tolice você se diz decepcionado e desacreditado, receba essas palavras e minha compaixão. Depois analise, leia, investigue, acresça outras leituras às suas já costumeiras (e parcialíssimas) fontes de manipulação. Mas se o que você quer mesmo é arranjar um pretexto pra estar do lado do que de pior existe na política, faça “bom” proveito. Mas me poupe. Porque nem a fé aguenta esse blá-blá-blá.
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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Ranzinzices

Faz uns dias, passadas as eleições, mas não imediatamente após, afastei-me um bocado das redes sociais. Pouco acessei, menos ainda compartilhei o que quer que fosse. Nem sei se foi tão sacrificado assim, sei lá, mais ou menos, talvez. Tampouco estou certo deveria ter agido assim, devo registrar, mas estava cansado. Ainda estou. Aquela foi uma campanha especialmente cansativa. Pra dizer o mínimo.

A verdade é que as tais das redes sociais, por mais que se imagine o contrário, e embora felizmente (e obviamente) não sejam só isso, são também fiéis espelhos de nossos preconceitos, ignorância (em vários aspectos, notadamente em política, história, sociologia, filosofia, economia...), superficialidade, futilidade, vaidade, racismo, xenofobismo, sectarismo, reacionarismo e, claro, de nossa hipocrisia mais desavergonhada (no sentido de uma hipocrisia turbinada com um bocado de suplemento proteico, ou anabolizante mesmo, para inchar, ou inflar, o que temos de pior, e não são os músculos, naturalmente).

A também verdade é que ver(!) é muito incômodo — e nesse caso devo ter muita cautela e passar logo desse parágrafo, pra meu cérebro não gravar o que acabo agorinha mesmo de escrever e, imaginando que não quero ver (enxergar), pretenda tirar-me a visão; porque você sabe da força do pensamento, não é? Ver que nossa sociedade evoluiu em tantas coisas (alimentos dietéticos, vacinas e remédios, por exemplo), mas involuiu na busca do ser, e de ser mais generosa com os filhos do Deus a quem diz amar e servir... É ruim de ver.

Escrevi essas minúsculas abobrinhas-desabafo no feriado do Dia da Consciência Negra, já se vão dez dias. Nele, vi gente apoiando (ainda que aplauda o assassínio e o linchamento de ladrões e malfeitores, desde que pobres e negros), e gente, do alto de sua hipocrisia (sempre ela), com ar circunspecto e altivo defender que o importante são os “365 dias de consciência humana” (como se vivêssemos numa sociedade onde não fosse imprescindível e urgente, ainda!, a defesa intransigente e veemente dos negros e dos homossexuais, ao lado da conscientização, pela educação e pela punição, da ignorância que dissemina o preconceito mais vil e cruel contra essas supostas minorias).


Como não passavam disto — ranzinzices —, deixei-as meio que de escanteio. Relendo-as, agora, estou ainda mais convencido de que deveriam ficar onde estavam: no ostracismo do HD de meu computador. Mas como não seria ranzinza fazê-lo, trouxe-as à vida.
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Tb postado nos sítios Pragmatismo Político e PCdoB/AL

sábado, 29 de novembro de 2014

Nove empreiteiras, muitos segredos

http://www.conversaafiada.com.br
Para quem torcia para a Operação Lava-Jato ser a bala de prata a ferir de morte o governo recém reeleito, o tiro está saindo pela culatra.

Dezenove poderosos diretores das maiores construtoras do país foram presos. Embora com o estardalhaço de sempre, como costuma ocorrer com as operações policiais no Brasil — e aí minha preocupação com eventuais inocentes lançados na lambança —, tem-se as melhores expectativas quanto ao seu sucesso.

Realmente, a despeito dos golpes midiáticos ocorridos durante as eleições e acirrados nos dias que se lhe antecederam — “vazamento” seletivo de suposto conteúdo que atingiria o governo federal, pinçado de depoimentos produzidos em delação premiada a delegados da Polícia Federal, os mesmos que às vésperas se prestavam a atacar agressivamente a presidenta da república e o ex-presidente Lula em seus perfis nas redes sociais (e há quem imagine estarmos numa ditadura ou caminhando para uma), até à malfadada reporcagem levada a cabo por aquela revista semanal de extrema-direita, que definitivamente enterrou o jornalismo político que já realizou há um bom tanto de anos atrás —, não dá pra não ter esperança de que se tenha inaugurado uma nova época no país.

Nesse ponto, não se pode ser tolo para imaginar não haja envolvimento de gente do PT ou de aliados nas maracutaias. Mas muito menos ser cínico para fingir que o muro de corrupção que se ergueu dentro da maior e mais rentável empresa do país é resultado da obra e graça desse partido, restrito aos últimos doze anos em que está no poder.

Os ladrões do erário sempre por lá meteram suas garras sujas. A diferença é que antes suas cafajestadas não vinham à tona. Para se ter uma idéia, as quatro maiores empreiteiras do país nasceram sob os auspícios da ditadura militar (1964-1985), sobreviveram sem ser incomodadas a todos os governos que se lhe seguiram, inclusive por aquele do sociólogo cujos escândalos eram abafados por uma mídia vendida e por um representante do ministério público que se tornou conhecido pela triste alcunha de engavetador-geral da república. Das nove sob investigação — olha, só —, ao menos seis delas financiaram a campanha para presidente do rapaz  xodó da “elite branca” deste país, num valor superior a R$ 20 milhões de reais.


Para o “salve-se quem puder”, a delação premiada está aí. Não existe corrupto sem corruptor.  E quem for podre, meu caro leitor, que se quebre. Com o perdão pelo chavão. Não pela rima. Paupérrima, mas involuntária.

*Tb postada nos sítios Pragmatismo Político e PCdoB/AL

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Liberdade alvissareira*

terezacruvinel.com
*Tb pub. no jornal GAZETA DE ALAGOAS e nos sítios PRAGMATISMO POLÍTICO e PCdoB/AL

Enquanto alguns poucos se mostram despreparados para a convivência democrática, agredindo, física ou moralmente, quem veste uma camisa vermelha ou se diz eleitor da presidenta eleita, e outros lutam por um Brasil livre(?), como se não estivéssemos vivendo o mais efetivo período de liberdade de toda a nossa história — tanta que tem-se visto um contingente lamentavelmente razoável (embora pequeno, em números absolutos) de brasileiros que livremente pedem o impeachment da presidenta reeleita (sem a mais mínima base jurídica, política ou popular para tanto), ou a instauração de novo golpe militar, mediante a destituição, à força, do governo democraticamente eleito e agora reeleito, — eis que justamente uma das marcas dos governos Lula e Dilma vem, na onda do avanço democrático e da luta contra a impunidade que somente nesses governos encontraram guarida, dar um alento a quem deu a vida pela democracia e aos que, vivos, lutam incessantemente para mantê-la e aperfeiçoá-la, cônscios de seu inestimável valor.

Refiro-me ao propalado escândalo da Petrobrás, ou Operação Lava-Jato (como denominado pela Polícia Federal), ou Petrolão, como quer a asséptica oposição ao governo Lula. Aquele escândalo que o oligopólio midiático — que tenta mandar e pautar este país — imaginou faria estragos irremediáveis na candidatura da presidenta Dilma, vazando suspeitas declarações formuladas em sede de delação premiada, ou escancaradamente falsas, como a capitaneada, às vésperas da eleição, pela revista-símbolo do jornalismo-lixo deste país.

Desde tempos remotos da nossa república (no governo militar já era referido, mas à boca pequena, por motivos óbvios), vez por outra a Petrobrás vê seu nome envolvido em escândalos. Um de seus dirigentes referidos na aludida operação, por exemplo, lá está desde a década de 1970. Nada jamais foi investigado. Mas agora o governo é outro, meu caro(a) leitor(a). Embora haja quem ache que este não é um país livre (ah! a liberdade, que até esses equívocos permite...), a Polícia Federal, por exemplo, tem hoje tanta autonomia, que até ultrapassa limites inaceitáveis, como quando vem a público que alguns delegados seus, à frente de investigações, faziam abertamente campanha contra Dilma nas redes sociais. Donos das maiores empreiteiras deste país foram detidos para investigação, porque há indícios fortes de sua participação como corruptores, espécie de gatuno nunca antes importunado pra valer.


É alvissareiro demais.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Golpe, não! Intervenção. Hein?*

www.brasil247.com
*Tb pub. no jornal GAZETA DE ALAGOAS de 11.11.2014, e postado, na mesma data, nos sítios PRAGMATISMO POLÍTICO e PCdoB/AL
Passadas as eleições, impressionante sucessão de tolices — algumas inaceitáveis, porque crime —, mais ou menos histéricas, mais ou menos coletivas, vindas de parte da parte branquela do país, assolaram as redes sociais e televisivas, ensandecidas com a vitória da presidenta Dilma.
De cabeça, sem pensar muito, teve o vídeo da loura sebosa do sul, que irresignada (eufemismo para “enlouquecidamente patética”) com os nordestinos, pela acachapante vitória conferida à Dilma — para minha alegria e satisfação, até pela minha Maceió —, tachou-nos de toda a ordem de impropérios, para ao final, secundando-se em papai “rico” que moraria em Orlando (já comecei a rir), avisar que estaria deixando o Brasil. Alguns dias depois, já com alguns processos nas costas, veio desculpar-se, dizendo que não foi bem assim, e que sequer pensa em deixar o país. Oh, que pena! Outra, esta do sudeste, cabelos lisos e negros cortados rente ao pescoço, esgoelava-se feito louca, dirigindo-nos os mais rasos adjetivos, ao tempo em que vaticinava (rindo mais), que a presidenta legitimamente reeleita do país não iria tomar posse em janeiro, ou porque sofreria impeachment, ou porque haveria intervenção militar. Mas não seria empossada!, gritava. Louco, aqui no texto, bem entendido, é como fdp. Você não xinga pensando na mãe do filho. O xingamento meio que já adquiriu identidade própria, entende?
Aliás, na seara dos reclamos por novo golpe militar — que alguns mais “engraçados” ressalvam não se tratar de golpe, mas de “intervenção militar” (ai, Jesus, desculpa, eu rio muito quando os vejo realizando esse histriônico salvo-conduto) —, as mais estapafúrdias verbalizações foram produzidas. Tão impressionantemente surreais que se você não estivesse assistindo, ainda que não presencialmente, nem o mais arredio adversário de S. Tomé se atreveria a crer. Afinal, como se pode desejar a volta ao país do período mais terrível de sua história? Sem liberdade de expressão (os imbecis protestam pela volta de golpistas que jamais lhes deixariam fazer o que estão abiloladamente praticando), sem liberdade de ir e vir, sem imprensa verdadeiramente livre, sem garantias individuais e coletivas, sem combate à corrupção; mas com tirania, tortura, crueldade e covardia com os que pensam diferente.

Pirralho, meu avô Togo me dizia que educação vai muito além de estudar para ser um bom profissional. E que a ignorância era o pior dos defeitos. Passado algum tempo, entendi perfeitamente o que ele me queria dizer. 

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Onde ela está?*

*Simultaneamente pub. no jornal GAZETA DE ALAGOAS e nos sítios PRAGMATISMO POLÍTICO e PCdoB/AL
Só na política, há tantos temas que poderiam ser abordados aqui, hoje. Vou ficar num que me tocou enormemente. Desalentador. A impressão que se tem é de que as pessoas cegaram: preconceito e ódio despertando-lhes os piores sentimentos e atitudes. A historinha a seguir é, desgraçadamente, baseada em relato real.
Dona Josefa é doente. Diz-se doente, e vou acreditar, afinal está com uma receita, onde prescrito um remédio de que precisaria fazer uso. Também se me apresenta como alguém pobre. Tem o estereótipo do pobre nordestino que, nas grandes cidades, ainda não encontrou sua cidadania. D. Josefa está a vagar pelas ruas, tentando obtê-lo.
“Moço, pode me ajudar a comprar esse remédio?”, perguntou. A essa pergunta, igual a tantas outras que já ouvimos nessa nossa pátria ainda tão injusta, normalmente ouve-se algo parecido com “não, não tenho agora”,  ou “quanto custa?”, ou “vamos ali na farmácia que compro pra senhora”, e por aí vai...

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O ódio perdeu, o povo venceu*

www.blogdogusmao.com.br
*Simultaneamente pub. no jornal GAZETA DE ALAGOAS e nos sítios PRAGMATISMO POLÍTICO e PCdoB/AL
 
Acabou. Mas não há como sair-se dessa contenda eleitoral o mesmo de quando se entrou. O amadurecimento é inevitável. Dizem que o país agora está dividido. Bobagem. O Brasil sempre o foi. A diferença é que agora a divisão está escancarada. Essa exposição de hoje deve-se em grande parte às redes sociais, ou à internet, mesma. Diz-se na rede ― não confundir com a natimorta Rede, da patética Marina Silva, ― o que pessoalmente não se diria com tanta facilidade.

Nesse sentido, uma das melhores ferramentas das redes sociais é o que lhe permite bloquear aquele(a) que não sabe respeitar o outro e à sua opinião; que é grosseiro(a), ou inconveniente, ou deselegante, ou não tem espírito democrático, ou simplesmente lhe falta educação, ou tudo junto. A importância dessa ferramenta permite-lhe não apenas livrar-se do(a) chato(a), como preservar aquela amizade ou trato pessoal que julgue valer ser mantida. Foi e é muito usada por mim, o que me priva de mais dissabores, e a ele(a), do incômodo que lhe pareciam causar minhas postagens. Faz-se até um bem, como se vê.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Alguns obrigados pré-eleição*

Nesta derradeira crônica antes do 2º turno das eleições, alguns agradecimentos, pondo-me nela, doravante, como se até então fosse um eleitor indeciso, ou mesmo um outroque pensara em votar em Aécio.

Assim, agradeço, em primeiríssimo lugar, à notícia, irrefutada, de que o candidato esmurrou sua acompanhante numa festa em famoso hotel, no Rio. Agradeço, pois, aojornalista Juca Kfouri, que não titubeou em postá-la em seu blog, ao jornal Hora do Povo e, claro, aos blogs, sítios e redes sociais que a repercutiram. Afinal, sabedor dodantesco fato e seus prescindíveis detalhescomo votar no cabra para presidente de meu país? E depois? Como mirar-me no espelho. E à minha noiva, minhas filhas, minha mãe? O que lhes diria? Como olharia em seus olhos?

Quero agradecer, também, pelos apoios pra lá de sintomáticos que o candidato recebeu dos prs. Everaldo, Silas Malafaia e Marcos Feliciano (o triunvirato da ignorância)dohomofóbico declarado Levi Fidelix, do deputado de ultra-direita Jair Bolsanaro, do ator pornô Alexandre Frota e também do irascível (e também adepto da porrada em mulher)ator Dado Dolabela, entre outros. A identificação desse pessoal com o candidatoajudou-me, por demais, a conhecê-lo.

Agradecer ao próprio Aécio pela célere indicação de seu ministro da economia, Armínio Fraga, que, sem escamotear, disse que o salário mínimo está alto demais, que há bancos públicos demais, e gastos sociais demais, dando o tom do que faria num eventual futuro governoTambém recordei quando ministro do governo FHC: juros a 45%, arrochosalarial, desemprego e inflação alta.

Agradecê-lo, muito, por sempre atribuir a FHC a paternidade do Real, deslavadainverdade e terrível injustiça com o falecido ex-presidente Itamar Franco. Nessa seara,agradecer pelo turbilhão surpreendente de mentiras desferidas nos debates, todas desmascaradas, inclusive pelo insuspeito jornal O Globo.

Agradecer, ainda, por sua atitude vil e repugnante quando sua adversária, uma mulher,sexagenária e que há pouco tempo enfrentara um câncer, teve um mal súbito ao final de um dos debates. Agradecerfinalmente, pelo sorriso irônico, cínico e de desprezo queostenta para as câmeras antes de fingir que irá responder ao que lhe fora objetiva e seriamente questionado por Dilma, com o naufragado intuito de humilhá-la e desqualificar o seu discurso.

Tirou-me uma chateação das costas, candidato. Agora, já sei que em você não voto. Nem que a vaca tussa!

*Tb pub. no jornal GAZETA DE ALAGOAS e nos sítios Pragmatismo Político e PCdoB/AL. 

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O que está posto para o 2º turno?*

www.pragmatismopolitico.com.br
*Tb pub. no jornal GAZETA DE ALAGOAS e nos sítios Pragmatismo Político e PCdoB/AL (todos em 15/10/2014)
De um lado, um ex-garotão neto de político tradicional mineiro, de carreira forjada à sombra do pai e avô no exercício de cargos comissionados: aos 17 anos, nomeado secretário de gabinete de seu pai, deputado da então Arena; aos 25 anos, com um ano de formado, nomeado diretor de loterias da Caixa Econômica. Meritocracia, pois.
Governador, conquistou vários títulos para MG: pior salário de médico do país, de delegado e de professor; pior IDH e maior taxa de mortalidade infantil do Sudeste, 20º PIB que menos cresceu dos 27 estados, maior alíquota de ICMS das contas de luz do país. Contratou 98 mil servidores sem concurso, mais que dobrou a dívida de Minas, teve pífio desempenho no Senado. Ah! Elogiava Lula, e foi com a comitiva buscar a Copa para o país.
Impediu que 70 CPIs fossem instaladas, tentou censurar o Google, e processa 66 blogueiros que opinam ou divulgam o que lhe desagrada.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Agora pode ser ainda mais fácil*

*Simultaneamente publicada no jornal GAZETA DE ALAGOAS e nos sítios Pragmatismo Político e PCdoB/AL.

É que agora restará o embate entre o velho ― como era o Brasil até 2002, notadamente nos governos FHC (1995-1998 e 1999-2002) ― e o novo ― como é o país a partir de 2003, precisamente nos governos LULA (2003-2006 e 2007-2010) e DILMA (2011-2014). E a comparação, aí, diferentemente de quando havia Marina Silva na disputa (ela própria sob alguns aspectos uma incógnita, apesar de suas contradições, que restaram desnudadas, mas até por elas), fica muito mais fácil para formular ao eleitor.

Claro que não me refiro àquela parcela do eleitorado de convicções neoliberais (ou que dizem tê-las, embora pouco ou nada saibam acerca do que seja neoliberalismo) ―, que vota no Aécio Neves sonhando com a volta de um FHC mais jovem, sem a (discutível) veia intelectual que os fascinava, mas com o jeitão bon vivant de playboy mineiro frequentador da noite e das praias cariocas que o rapaz tem  ―, tampouco ao grupo dos que se dizem desiludidos com o PT, e por isto, alardeando-se indignados (juram de pés juntos, e ainda dando beijinho nos dedos em forma de cruz levados aos lábios), apoiam-se em verdadeira ojeriza a tudo que a ele se refira.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

POR QUE ODEIO LULA E DILMA*

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*Simultaneamente publicado no jornal Gazeta de Alagoas e nos sítios Pragmatismo Político e PCdoB/AL

Estou muito preocupado. Agora que as pesquisas começam a retratar o que no fundo sempre soube ― que Dilma não caiu coisa nenhuma, como alguns institutos tentaram fazer crer após a morte trágica de Eduardo Campos e o imediatamente sucessivo crescimento meteórico de Marina Silva ―, e os factoides criados pela Veja só enganam os que se fingem de tolos (meu caso, que os uso como munição para o “FORA DILMA E LEVE O PT JUNTO”) e os tolos, mesmo, que não enxergam um palmo à frente do nariz, parece que terei que aturá-la e aos seus partidos aliados por mais quatro anos.
Não é justo. Explico e justifico.
Analise, de cara, a evolução do valor do salário mínimo.  Quando Lula foi eleito para o 1º mandato (2002), valia R$ 200,00; hoje, passados apenas doze anos, vale, vocês sabem, R$ 724,00: um aumento de 362%. Agora vá dar uma olhada na enxurrada de políticas públicas do governo federal: BOLSA FAMÍLIA, MINHA CASA MINHA VIDA, BRASIL SEM MISÉRIA, LUZ PARA TODOS, PRONATEC, PROUNI, ENEM, FIES, PAC, MAIS MÉDICOS, a LEI DE COTAS... Mais: Conseguiu aprovar que 10% do PIB e que 75% dos recursos do PRÉ-SAL fossem para a educação, criou o PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, a Política Nacional de Participação Social, aprovou o Marco Civil da Internet, e a última: segundo a ONU(!), o Brasil, pela primeira vez em sua história de 514 anos, saiu do Mapa Internacional da Fome! Mais um tanto: E se eu disser que há apenas 4,9% de desempregados? A Europa rica está com 20%! Pra terminar por aqui: Dilma inventou agora de criar um banco. Um banco! Quer dizer: o Lula paga o FMI. É pouco. Dilma funda um banco com o tal do BRICS.
Ora, isto só poderia dar em empregada doméstica metida (tem direito até a hora extra, vê se pode, e a gente a considerando como se fosse da família... Não, não herda, mas é como se fosse, ora!), pobre em restaurante, shopping, cinema e até teatro! Outro dia o vigilante do vizinho chegou para o trabalho de carro! E semi-novo! Isto sem falar nos aeroportos, que hoje mais parecem rodoviárias, de tanto pobre. Até minha família já sente na pele os absurdos de hoje. Imagina que ontem meu filho chegou em casa da faculdade todo acabrunhado. “O que foi, filho?” ― perguntei-lhe. “O que foi?” ― devolveu-me, irritado. “Sabe quem está estudando na minha sala? Em plena Faculdade de Medicina? ― disse, quase gritando. “A filha da lavadeira da minha tia! Sim, da sua irmã!” Silêncio. Engoli em seco, respirei fundo, mas nada falei. Dizer o quê? Estava coberto de razão... Trauma da gota. Telefonar pro psicólogo...

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A GRANDE MÍDIA DO BRASIL*

http://altamiroborges.blogspot.com.br
*Simultaneamente publicado no jornal GAZETA DE ALAGOAS e nos sites Pragmatismo Político e do PCdoB/AL

Outro dia um amigo juiz do trabalho — que como tal decerto muito se preocupou com o rápido crescimento de Marina nas pesquisas, ao sabor da comoção pela morte de Eduardo Campos, agora menos, porque vindo à lume as contradições (e intenções) da candidata, a queda que experimenta soa irreversível — dizia-me que a imprensa no Brasil não é o Quarto Poder, mas “O” Poder.
Verdade. A unicidade de opinião é uma razão. O brasileiro médio ― que tem a sua formada a partir daquela, única, da grande mídia ― passa a ser mero propagador do que ouve, lê e vê, acreditando em tudo que é divulgado ou opinado pela mídia, para ele autêntica personificação da imprensa livre que ela própria, sintomaticamente, alardeia.
O mais danoso, porém, é que a mídia no Brasil vai além: posa de imparcial (como se o jornalismo fosse imparcial), mas além de atuar com até escancarada parcialidade, não raro deturpa, manipula, inventa, mente.
Na política, o principal alvo dessa mídia são os governos Lula e Dilma, , seu partido, o PT, e os aliados, inclusive os pragmaticamente mais afinados à política governamental, caso do PCdoB, por exemplo, nas pessoas do ex-ministro Orlando Silva ― acusado criminosamente da prática de crime, mas que, inocentado das acusações plantadas nessa mesma mídia, não mereceu mais do que um registro de pé de página ―, e do ministro Aldo Rebelo.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

REVOLUÇÕES SILENCIOSAS*


*Tb publicado no jornal Gazeta de Alagoas, p. A4, de 17.09.2014, e nos sítios Pragmatismo Político e PCdoB/AL

Como muitos de vocês que me honram (de verdade!) com sua leitura, também nunca precisei de governo nenhum. Pra nada. Pelo menos não diretamente, se é que me entendem.

Assim, pude desfrutar de casa, comida e roupa lavada. Cama com lençois limpos, farda de colégio e material escolar de primeira mão, dinheiro pra merenda, escola particular (para onde meu pai podia me levar de carro, todos os dias), remédios, mesada para o cinema e o lanche com a namorada.

Mais tarde, ficando taludo, faculdade pública e gratuita em outro estado (graças aos meus esforços e à boa base oferecida por ensino médio em colégio privado), estadia também financiada por meus pais.

Formei-me advogado, passei nos concursos públicos que quis, tornei-me adulto e pai. Tive, portanto, todas as condições econômico-financeiras para construir um futuro digno e decente, conferidas por meus pais. O mais só dependia de mim.

Nunca aceitei, porém, a desigualdade social alarmante que testemunhava. Não me conformava que a empregada doméstica da nossa casa, por exemplo, não pudesse almejar um futuro, nem a seus filhos, salvo se transformando numa guerreira quase mitológica; o suprassumo da exceção, pois. Aí, se feliz em alguma conquista, a maioria das pessoas da minha classe sócio-econômica a aplaudiria e exclamaria: Oh! Tá vendo? Quando se quer consegue! Basta ir à luta, deixar a preguiça de lado. Esse povo é muito preguiçoso!

Felizmente há cerca de apenas 12 anos essa realidade cruel, impiedosa, injusta e anti-Cristã(!) começou a mudar. Já hoje não é raro você se deparar com filhos da velha miséria formando-se doutor. Não é incomum, numa família humilde, não raro antes beirando ou banhando-se na miserabilidade, encontrar-se alguém fazendo um curso técnico graças ao PRONATEC, outro cursando uma faculdade com o PROUNI ou o FIES, mais outro estudando no exterior com o Ciência sem Fronteiras. Criança na escola e com comida na mesa graças ao Bolsa Família não tem preço, como não o tem ver a alegria de um participante do Minha Casa Minha Vida. É emocionante testemunhar tantas mudanças em meu país e para seu povo, principalmente os mais sofridos e até então nunca vistos com os olhos do coração.

Sim, tenho dificuldade em compreender como se pode ser contra essa verdadeira revolução pacífica. Há quem o seja. Mas no que depender de mim aquela realidade será parte definitiva de um passado; um passado para ser lembrado apenas para que nunca mais a gente deixe que volte.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

BANCO CENTRAL, PRESIDENTE?*

http://planetaignis.blogspot.com.br/
*Tb pub. no jornal GAZETA DE ALAGOAS de 10.09.2014 (p. A4), e nos sítios PCdoB/AL e Pragmatismo Político

Não tenho como esperar algo de auspicioso de uma candidata que tem como principal financiador de sua campanha o segundo maior banco privado brasileiro e, na sua coordenação, um de seus proprietários. Menos ainda quando esse banco deve ao país em torno de 18 bilhões de reais — ela, por sua vez, é dona de quase 2% da mesma instituição; faça as contas de quanto, sozinha, é devedora.
Não tenho como sequer cogitar de ter como presidenta uma senhora que, ao contrário do que sempre defendeu, agora pretende tornar o Banco Central independente. Você sabe o que significa uma política de Estado Mínimo? Aumento dos juros e do superávit primário, redução de salários e benefícios previdenciários, flexibilização de direitos trabalhistas, cortes de orçamento das políticas sociais, aumento nas tarifas públicas, retorno da ALCA (ou de outra aliança nos mesmos moldes), e por aí afora.
Definitivamente não quero presidente alguém que de um lado diz que vai manter os programas sociais, enquanto defende um papel menor na economia para o Pré-Sal e para os Bancos Públicos, além do fim da Justiça do Trabalho. Jesus, Maria, José! O que teria acontecido nesse país sem os programas do governo, e sem os Bancos Públicos a torná-los realidade?
Foram retirados da miséria absoluta mais de 35 milhões de irmãos brasileiros; mais de 42 milhões foram alçadas à classe média; 18 universidades federais foram criadas, mais de 550 escolas técnicas; cerca de 8 milhões de jovens e adultos atendidos pelo PRONATEC, 3 milhões pelo ProUni e FIES, 83 mil estudantes no Ciência sem Fronteiras;  mais de 400 mil beneficiários do Bolsa-Família tornaram-se microempreendedores individuais; só nos últimos cinco anos 3,5 milhões de casas construídas através do Minha Casa Minha Vida, 40 mil obras já foram realizadas com os PAC – Programa de Aceleração do Crescimento 1 e 2! O Bolsa Família, que na visão preconceituosa, egoísta, reacionária e elitista não presta, elevou o país a condição de exemplo para o mundo no combate à pobreza, segundo a ONU.
O programa de Marina (leia-o!) permitirá continuemos avançando? O Brasil fez isto em míseros 12 anos, criando mais de 15 milhões de empregos (enquanto a Europa rica e os EUA perderam mais de 60 milhões de postos de trabalho), com a inflação há 12 anos na meta e o poder de compra do trabalhador seguindo aumentando. E eu vou querer um banco me governando à direita, sob a condução de pastores religiosos reacionários, homofóbicos e atrasados?
Pô! Prestenção, rapá!

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

E se Marina ganhar?*

www.facebook.com/TerraBrasil
*Tb pub no jornal GAZETA DE ALAGOAS e nos sítios PCdoB/AL e Pragmatismo Político

Ou por outra: E se as duas últimas pesquisas estiverem corretas? ― naturalmente já abstraindo que pesquisas eleitorais retratariam o momento em que são realizadas, além dos conhecidos históricos fracassos de algumas delas, inexplicáveis e surpreendentes, responsáveis por suspeitas eternamente consolidadas no imaginário; abstraindo meu próprio ceticismo. Mas... e se forem confirmadas?
Nessa hipótese, o cenário não é nada alvissareiro.
Primeiro, porque Marina vai se eleger na qualidade de “hóspede” de um partido político, que apesar de histórico, tem inexpressiva representação no Congresso Nacional, além de integrar coligação eleitoralmente pouco significativa. Não bastasse, o partido apresenta fissuras importantes quanto à aceitação de seu nome. É sabido, além disso, que não se pode governar sem o apoio do legislativo. Imaginar-se outra coisa é desconhecer o que a história e a ciência política ensinam, ao menos em se tratando de democracias ocidentais e de regime presidencialista.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Se correr o bicho pega, se ficar...*

ajusticeiradeesquerda.blogspot.com.br/
*Tb pub. no jornal GAZETA DE ALAGOAS e nos sítios Pragmatismo Político e do PCdoB/AL 

É nessa sinuca de bico em que se encontra o principal “partido” de oposição do país: a chamada grande imprensa. Explico:

Quando da tragédia de que foi vítima o então candidato à presidência da república, Eduardo Campos, percebeu-se na mídia grande, às escâncaras, um incontido rebuliço no sentido, de um lado, de sondar o mais rapidamente possível a tendência do eleitorado na hipótese de Marina Silva ser alçada pelo PSB à candidata do partido no lugar de EC (no dia seguinte ao desastre aéreo, o jornal Folha de São Paulo já estava nas ruas realizando pesquisa para esse fim) ― e se esta também seria a sua vontade (à época presumida, mas não confirmada) ―, enquanto, de outro, mais do que torcida, uma indisfarçável pressão sobre o próprio PSB, além de incontestável tentativa de cooptação popular em favor da então candidata a vice-presidente, fundada na exploração da emoção e, mesmo, comoção que se seguiu ao triste ocorrido (não se olvide que a comoção que se viu também ela foi propositadamente turbinada pela própria cobertura midiática deflagrada imediatamente após confirmada a presença de EC no avião).

Ocorre, porém, que MS não passa de instrumento caído no colo da mídia grande para levar a disputa eleitoral para o segundo turno. Aposta-se nela para ajudar a tirar do poder o PT e seus aliados (não se enganem, porém: não a querem, tampouco).

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Imagens de uma tragédia*

 

*Tb publicado na GAZETA DE ALAGOAS de 20.08.2014 e nos sítios PCdoB/AL e Pragmatismo Político

Desastres de avião geram comoção. Quando na aeronave há um político popular em seu estado natal, e ainda é candidato à presidência do Brasil, não se pode imaginar menos do que o estabelecimento do luto no país, e em seus eleitores um sentimento de vazio, quase orfandade, ainda que não ultrapassasse os 10% das preferências do eleitorado.

Assim é que a presidenta da república decretou luto oficial por três dias e suspendeu suas atividades de campanha, no que foi seguida pelo outro candidato melhor colocado nas pesquisas, Aécio Neves. Alguns políticos do partido a que pertencia o jovem candidato manifestaram-se por igual respeitosa e discretamente. A expectativa natural é que se guardasse silêncio obsequioso ao menos até o dia do seu sepultamento. Que nada...

Já no dia do acidente, o irmão de Eduardo Campos dá entrevista pedindo aos brasileiros para refletirem... sobre os rumos do país(!), como se a tragédia trouxesse algum dado novo à reflexão sobre o tema! Logo depois, afirma que o PSB deveria alçar Marina Silva à candidata no lugar de EC. Claro, com ele como vice (desejo não confessado, claro). Luto? Que luto?

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

CÊ QUE PENSA; O POVO VÊ!*

*Também pub. no jornal Gazeta de Alagoas, p. A4, de 14.08.2014, nos sítios PCdoB/AL e Pragmatismo Político
academiaeconomica.com
Será que a mídia grande realmente acha que o povo brasileiro é tão idiota ao ponto de não ver a manipulação pretendida e embutida em suas matérias e reportagens? Será que pensa que é incapaz de discernir quando o fato é criado, ou amplificado, ou omitido para prejudicar o governo a que faz escancarada oposição, beneficiando, por via transversa — ou por via direta, conforme o caso —, o candidato de sua preferência?

Disse-me uma amiga psicóloga, certa vez, que a maldade emburrece. Verdade: em regra o mal é burro na condução do personagem e das mentiras que encampa e defende. E decerto isto explique o porquê de o povo brasileiro, inobstante sujeito diuturna e ininterruptamente a essa desavergonhada tentativa de manipulação capitaneada pela mídia grande do Brasil, persista, em sua grande maioria, com lucidez de discernimento, preservadas suas argúcia e perspicácia. É decerto essa capacidade de ver e de sentir o odor desse jornalismo-lixo que explique a mantença da candidatura da presidenta Dilma à frente na corrida à reeleição à presidência da república, e o descrédito do povo brasileiro consolidando-se em relação aos grandes grupos midiáticos do país.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

LÁGRIMAS E SANGUE*

*Tb publicado no jornal Gazeta de Alagoas, de 07/8/2014, p. A4., e nos sítios do PCdoB-AL e Pragmatismo Político

Em apenas 25 dias, cerca de 1500 palestinos mortos e 10.000 feridos, 80% de crianças, mulheres e idosos. Milhares de lares, hospitais, escolas (inclusive a da ONU), mesquitas, igrejas destruídos. Aterroriza-me, sem trocadilho, imaginar a quantas estará o desastre quando esta crônica for publicada. Do lado de Israel, e depois da ofensiva terrestre, morreram pouco mais de 60 pessoas, 90% soldados.

Busca-se dizimar 1,7 milhão de gente miserável e desarmada, espremida numa faixa de terra de pouco mais de 350 km², de quem Israel — filhote assassino do império bélico estadunidense, que o apoia e o transformou na máquina de guerra ironicamente tão cruel quanto a nazista que os vitimou em meados do séc. passado — tomou quase tudo, inclusive a vida de sua população indefesa. Não há honra, não há lealdade, não há compaixão. Apenas ódio insano, ao cínico pretexto de combater-se o “terrorismo” do Hamas.

Fotos de crianças dilaceradas pelas poderosíssimas armas de guerra pululam nas redes sociais chocando até o mais insensível dos seres. Famílias inteiras, ou a maioria de seus membros, mortas. Milhares de ataques, 1/3 deles por mísseis, 2/3 por bombas. Dá pra imaginar o terror?

O governo brasileiro condenou veementemente os bombardeios israelenses com o uso desproporcional da força, além de ter chamado de volta ao Brasil para consultas o seu embaixador em Tel Aviv. O governo israelense, insolente e escancarando a sua pequenez, respondeu que desproporcional é perder um jogo por 7x1. Também chamou o Brasil de “anão diplomático”. O min. das Rel. Exteriores do país, por sua vez, respondeu que o “Brasil não usa termos que desqualifiquem governos de países amigos”, donde não teria “como comentar isso.” Mas lembrou que o Brasil é um dos únicos “11 países do mundo a ter relações diplomáticas com todos os membros da ONU” — “quando falamos somos ouvidos” —, além de incontestável histórico de cooperação pela paz internacional, donde se haveria algum “anão diplomático” não seria o país dos brasileiros. Graça Aranha deve estar revirando no túmulo.

No último dia 23 a ONU (até ela, sempre tão omissa) aprovou a criação de comissão internacional para investigar os ataques à Palestina. 29 países votaram a favor, 17 abstiveram-se (Alemanha, França, Reino Unido e Japão entre eles) e apenas um foi contra. Um doce para quem adivinhar quem. E outro para quem souber qual a revista semanal que condenou a atuação política do governo do Brasil no episódio.


quarta-feira, 30 de julho de 2014

Vencer o ódio*

Esse é um assunto de difícil esgotamento — certamente valeria tese de mestrado, quiçá doutorado —, mas o singelo objetivo, aqui, é de trazer à lume a estupefação pelo ódio à Presidenta à vista da absoluta falta de condições objetivas, concretas, para que assim se materializasse, bem como iluminar as alternativas, já existentes, de reduzir-se a manipulação e reformar-se a política, avançando enquanto sociedade pensante.

O fenômeno (ódio) é de tal modo irracional que nos meus devaneios fantásticos já considerei que nem na hipótese de este país, nesse curto espaço de doze anos, houvesse sido por Lula e Dilma transformado na maior potência econômica mundial, com irrisória desigualdade social — a existente seria decorrente apenas da vontade pessoal do cidadão que resolveu acomodar-se —, onde todos teriam alcançado os mais altos patamares em educação, nem assim, nem assim(!), Lula deixaria de ser o “milionário da Forbes”, seu filho o “dono da Friboi”, ou Dilma “a terrível” presidente que quer transformar o país numa ditadura, quiçá a “comunista” que (des)aprenderam nos iguais caminhos do preconceito e da ignorância (até acadêmica).

Não adiantaria. O preconceito e a ignorância, forjados numa história escravocrata de exploração social e econômica, até hoje enraizados em parcela da população brasileira, aliado à escancarada — desaforada, mesmo(!) — manipulação de um jornalismo-lixo praticado pelos grandes grupos midiáticos que distorce, mente, inventa fatos, além de disseminar esses mesmos preconceito e ignorância, amplificando-os e a nosso famigerado “complexo de vira-latas”, tudo isso parece tornar em vão a nutrição de qualquer expectativa de avanço dos telespectadores e leitores que lhe são vítimas e, ao mesmo tempo, alimento.


Daí a necessidade de promover-se, com urgência, não apenas a reforma política — com a instauração, no seu bojo, do financiamento público de campanha (evitando-se os ramos de corrupção permitidos e facilitados pelo que lhe é antagônico, o privado, cuja conta é cobrada depois, do país(!), eleito o candidato cuja campanha recebera os milionários “investimentos”) —, como a regulação da mídia (o que não se confunde com censura, embora digam o contrário, claro, os grandes grupos midiáticos, preocupados com a redução dos lucros inaceitáveis que auferem). Uma estimula diretamente a corrupção; a outra, diretamente o emburrecimento. Segue avançando, Brasil!
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*Publicada simultaneamente no jornal Gazeta de Alagoas, p. A4., e no sítio do PCdoB-AL

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Por que o ódio?


*Tb pub. no jornal GAZETA DE ALAGOAS, de 16.07.2014

Por que, afinal, esse ódio e desprezo ao governo federal, mais precisamente à presidenta da República democraticamente eleita?Vejamos, pelo curto espaço, um pequeno retrato do desempenho brasileiro frente a educação e ao emprego nos últimos doze anos.
O Brasil tem enfrentado com resultados inegavelmente satisfatórios a maior crise econômica mundial desde a de 1929. Ainda assim, no quesito educação os investimentos realizados nos últimos doze anos superam, de muito longe, qualquer outro período pretérito, ou a própria soma deles. Pela vontade política da presidenta, 100% dos royalties do pré-sal seriam destinados à educação (foram 75%, e 25% para a saúde). O Brasil é, agora, um dos cinco únicos países do mundo a destinar 10% do seu PIB à educação. Durante os últimos 12 anos foram criadas 563 Escolas Técnicas, enquanto o governo anterior criou onze. Universidades Federais foram 18 (nenhuma, o anterior), além de 173 campi. Pelo PNE, R$ 200 bilhões serão investidos em educação até 2024, além de garantido o acesso universal. Foram criados o PROUNI, o PRONATEC, usado por cerca de 8 milhões de jovens e adultos, aprovada a Lei de Cotas, quase 10 milhões de inscritos no ENEM este ano, mais de 83 mil estudantes no Ciência sem Fronteiras com bolsas no exterior. Criou-se o FIES, que acaba de valer também para Mestrado e Doutorado, graças ao qual 7 milhões de jovens estão fazendo universidade pública (4 milhões a mais do que em toda a história do país). Haveria outros dados absolutamente positivos a discriminar, mas esses são assaz suficientes para mostrar, sem qualquer sofisma, que nenhum governo investiu tanto em educação como o atual.
No quesito desemprego, por sua vez, os avanços são espantosamente alvissareiros. Para se ter uma ideia, no início de 2002 o país ocupava o 2º lugar em nível de desemprego no mundo; em 2013 tivemos a menor taxa média de toda a história do Brasil (5,4%), menor que a dos EUA e de países europeus. Cinquenta milhões de brasileiros foram retirados da pobreza, 35 milhões ascenderam à classe média, e nossas seculares desigualdades sociais foram drasticamente reduzidas (70%).

Se é assim, e assim comprovadamente o é, por que o ódio de parcela aparentemente majoritária da classe média e alta brasileiras à presidenta? O que fez a presidenta para ser destinatária de vaias e xingamentos por si só injustificáveis? A grande mídia manipula, é vero, mas não pode ser responsabilizada sozinha.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

ABASTADOS ABESTADOS*


http://megaphoneadv.blogspot.com.br
Tudo bem que a grande mídia errou feio em suas previsões de caos, fosse pela ação dos covardes mascarados, fosse pela vaticinada incompetência dos brasileiros de fazer uma Copa pro mundo ver, com seus estádios e aeroportos inacabados, voos atrasados, transporte ineficiente... Mas não errou quando decretou que morreríamos de vergonha, embora não pelos prognósticos desastrosos (com trocadilho) desejados ― martelados diariamente no tutano dos brasileiros ao longo de três anos, tanto dos que lhes faziam coro, como dos que se insurgiam por vê-los amesquinhados pelo interesse político-eleitoreiro.

Numa, o xingamento, que não me permito reproduzir aqui, à mulher-mãe-cidadã-presidenta-do-Brasil, já por mim aludido outrora; noutra, a vaia ao hino do Chile, sob os olhares e ouvidos atônitos e incrédulos dos seus filhos que nos visitavam, minoria no estádio. Esses atos vieram para mostrar ao mundo o retrato de parcela (minoria!) da sociedade brasileira, justamente a mais abastada ou remediada, com maior graduação acadêmica e profissional, pois. Embora a cores, um instantâneo já carcomido pelas traças e ácaros da covardia (agigantam-se porque em maioria), do desrespeito a um país e ao seu povo que lhe visita (xenofobia, racismo?), da irracionalidade tão animalesca quanto abobalhada (teriam vaiado os hinos da Europa rica ou dos EUA? Duvideodó).

A última, no futebol: o vexame protagonizado por nossa seleção. Ao largo da análise das razões para tanto, detenho-me na já previsível atitude dos vira-latas (expressão de Nélson Rodrigues) e dos que no fundo sempre torceram contra: a pueril (ignorância mais covardia, isto sim!) tentativa de tirar proveito político-eleitoral da triste goleada sofrida pelo escrete canarinho. Jesus, Maria, José! Se não o conhecimento da história, será que nem ao menos as eleições e copas experienciadas lhes ensinaram que não é assim que se faz gol (ou que se conquista voto)?

Os grandes grupos midiáticos, por sua vez, quando não se regozijam despudorada, ou disfarçadamente, com o insucesso da seleção, fingem-se alheios aos fracassos de suas previsões como se nada lhes dissesse respeito. Isto quando não têm o desplante de vir a público reconhecer seus “erros” de prognóstico, como se de meros enganos se tratassem, e não de verdadeiro crime contra a economia do país.

Como se vê, perto de todo esse pessoal, a vergonha pela derrota da seleção é pinto.
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*Crônica escrita a partir do texto publicado hoje, no jornal GAZETA DE ALAGOAS (originariamente escrito no último domingo, 06/07/2014, antes do fatídico jogo com a Alemanha). Daí a adaptação que, apenas para o Blog, pôde sofrer, com o objetivo de poder se reportar ao jogo, o que não foi possível no matutino impresso (então já posto à publicação).