F R A S E

SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Vencer o ódio*

Esse é um assunto de difícil esgotamento — certamente valeria tese de mestrado, quiçá doutorado —, mas o singelo objetivo, aqui, é de trazer à lume a estupefação pelo ódio à Presidenta à vista da absoluta falta de condições objetivas, concretas, para que assim se materializasse, bem como iluminar as alternativas, já existentes, de reduzir-se a manipulação e reformar-se a política, avançando enquanto sociedade pensante.

O fenômeno (ódio) é de tal modo irracional que nos meus devaneios fantásticos já considerei que nem na hipótese de este país, nesse curto espaço de doze anos, houvesse sido por Lula e Dilma transformado na maior potência econômica mundial, com irrisória desigualdade social — a existente seria decorrente apenas da vontade pessoal do cidadão que resolveu acomodar-se —, onde todos teriam alcançado os mais altos patamares em educação, nem assim, nem assim(!), Lula deixaria de ser o “milionário da Forbes”, seu filho o “dono da Friboi”, ou Dilma “a terrível” presidente que quer transformar o país numa ditadura, quiçá a “comunista” que (des)aprenderam nos iguais caminhos do preconceito e da ignorância (até acadêmica).

Não adiantaria. O preconceito e a ignorância, forjados numa história escravocrata de exploração social e econômica, até hoje enraizados em parcela da população brasileira, aliado à escancarada — desaforada, mesmo(!) — manipulação de um jornalismo-lixo praticado pelos grandes grupos midiáticos que distorce, mente, inventa fatos, além de disseminar esses mesmos preconceito e ignorância, amplificando-os e a nosso famigerado “complexo de vira-latas”, tudo isso parece tornar em vão a nutrição de qualquer expectativa de avanço dos telespectadores e leitores que lhe são vítimas e, ao mesmo tempo, alimento.


Daí a necessidade de promover-se, com urgência, não apenas a reforma política — com a instauração, no seu bojo, do financiamento público de campanha (evitando-se os ramos de corrupção permitidos e facilitados pelo que lhe é antagônico, o privado, cuja conta é cobrada depois, do país(!), eleito o candidato cuja campanha recebera os milionários “investimentos”) —, como a regulação da mídia (o que não se confunde com censura, embora digam o contrário, claro, os grandes grupos midiáticos, preocupados com a redução dos lucros inaceitáveis que auferem). Uma estimula diretamente a corrupção; a outra, diretamente o emburrecimento. Segue avançando, Brasil!
___________________________
*Publicada simultaneamente no jornal Gazeta de Alagoas, p. A4., e no sítio do PCdoB-AL

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Por que o ódio?


*Tb pub. no jornal GAZETA DE ALAGOAS, de 16.07.2014

Por que, afinal, esse ódio e desprezo ao governo federal, mais precisamente à presidenta da República democraticamente eleita?Vejamos, pelo curto espaço, um pequeno retrato do desempenho brasileiro frente a educação e ao emprego nos últimos doze anos.
O Brasil tem enfrentado com resultados inegavelmente satisfatórios a maior crise econômica mundial desde a de 1929. Ainda assim, no quesito educação os investimentos realizados nos últimos doze anos superam, de muito longe, qualquer outro período pretérito, ou a própria soma deles. Pela vontade política da presidenta, 100% dos royalties do pré-sal seriam destinados à educação (foram 75%, e 25% para a saúde). O Brasil é, agora, um dos cinco únicos países do mundo a destinar 10% do seu PIB à educação. Durante os últimos 12 anos foram criadas 563 Escolas Técnicas, enquanto o governo anterior criou onze. Universidades Federais foram 18 (nenhuma, o anterior), além de 173 campi. Pelo PNE, R$ 200 bilhões serão investidos em educação até 2024, além de garantido o acesso universal. Foram criados o PROUNI, o PRONATEC, usado por cerca de 8 milhões de jovens e adultos, aprovada a Lei de Cotas, quase 10 milhões de inscritos no ENEM este ano, mais de 83 mil estudantes no Ciência sem Fronteiras com bolsas no exterior. Criou-se o FIES, que acaba de valer também para Mestrado e Doutorado, graças ao qual 7 milhões de jovens estão fazendo universidade pública (4 milhões a mais do que em toda a história do país). Haveria outros dados absolutamente positivos a discriminar, mas esses são assaz suficientes para mostrar, sem qualquer sofisma, que nenhum governo investiu tanto em educação como o atual.
No quesito desemprego, por sua vez, os avanços são espantosamente alvissareiros. Para se ter uma ideia, no início de 2002 o país ocupava o 2º lugar em nível de desemprego no mundo; em 2013 tivemos a menor taxa média de toda a história do Brasil (5,4%), menor que a dos EUA e de países europeus. Cinquenta milhões de brasileiros foram retirados da pobreza, 35 milhões ascenderam à classe média, e nossas seculares desigualdades sociais foram drasticamente reduzidas (70%).

Se é assim, e assim comprovadamente o é, por que o ódio de parcela aparentemente majoritária da classe média e alta brasileiras à presidenta? O que fez a presidenta para ser destinatária de vaias e xingamentos por si só injustificáveis? A grande mídia manipula, é vero, mas não pode ser responsabilizada sozinha.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

ABASTADOS ABESTADOS*


http://megaphoneadv.blogspot.com.br
Tudo bem que a grande mídia errou feio em suas previsões de caos, fosse pela ação dos covardes mascarados, fosse pela vaticinada incompetência dos brasileiros de fazer uma Copa pro mundo ver, com seus estádios e aeroportos inacabados, voos atrasados, transporte ineficiente... Mas não errou quando decretou que morreríamos de vergonha, embora não pelos prognósticos desastrosos (com trocadilho) desejados ― martelados diariamente no tutano dos brasileiros ao longo de três anos, tanto dos que lhes faziam coro, como dos que se insurgiam por vê-los amesquinhados pelo interesse político-eleitoreiro.

Numa, o xingamento, que não me permito reproduzir aqui, à mulher-mãe-cidadã-presidenta-do-Brasil, já por mim aludido outrora; noutra, a vaia ao hino do Chile, sob os olhares e ouvidos atônitos e incrédulos dos seus filhos que nos visitavam, minoria no estádio. Esses atos vieram para mostrar ao mundo o retrato de parcela (minoria!) da sociedade brasileira, justamente a mais abastada ou remediada, com maior graduação acadêmica e profissional, pois. Embora a cores, um instantâneo já carcomido pelas traças e ácaros da covardia (agigantam-se porque em maioria), do desrespeito a um país e ao seu povo que lhe visita (xenofobia, racismo?), da irracionalidade tão animalesca quanto abobalhada (teriam vaiado os hinos da Europa rica ou dos EUA? Duvideodó).

A última, no futebol: o vexame protagonizado por nossa seleção. Ao largo da análise das razões para tanto, detenho-me na já previsível atitude dos vira-latas (expressão de Nélson Rodrigues) e dos que no fundo sempre torceram contra: a pueril (ignorância mais covardia, isto sim!) tentativa de tirar proveito político-eleitoral da triste goleada sofrida pelo escrete canarinho. Jesus, Maria, José! Se não o conhecimento da história, será que nem ao menos as eleições e copas experienciadas lhes ensinaram que não é assim que se faz gol (ou que se conquista voto)?

Os grandes grupos midiáticos, por sua vez, quando não se regozijam despudorada, ou disfarçadamente, com o insucesso da seleção, fingem-se alheios aos fracassos de suas previsões como se nada lhes dissesse respeito. Isto quando não têm o desplante de vir a público reconhecer seus “erros” de prognóstico, como se de meros enganos se tratassem, e não de verdadeiro crime contra a economia do país.

Como se vê, perto de todo esse pessoal, a vergonha pela derrota da seleção é pinto.
_____________________________
*Crônica escrita a partir do texto publicado hoje, no jornal GAZETA DE ALAGOAS (originariamente escrito no último domingo, 06/07/2014, antes do fatídico jogo com a Alemanha). Daí a adaptação que, apenas para o Blog, pôde sofrer, com o objetivo de poder se reportar ao jogo, o que não foi possível no matutino impresso (então já posto à publicação).

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Maior inimigo do Brasil*

*Crônica também publicada no jornal Gazeta de Alagoas, p. A4, edição de hoje, 03.07.2014.

brasil247.com
Talvez só o julgamento do chamado “mensalão do PT” ― o mais controvertido, espetaculoso e questionável julgamento, senão de toda a história do STF, seguramente da sua história recente ― tenha recebido cobertura maior, sempre na linha unilateral defendida pela chamada “grande mídia”.

O que se viu, inclusive até à véspera do início da Copa 2014, foi a mais impressionante campanha midiática de disseminação do caos prognosticado para o país, a par de sua “comprovada” incompetência para realizar um evento daquele porte, por indisfarçável interesse político-eleitoral.

Figuras carimbadas do “jornalismo” nacional disseminaram no brasileiro que forma sua opinião a partir da difundida por seus veículos de comunicação, o sentimento de descrença, revolta, baixa autoestima e pessimismo, desvirtuando fatos, omitindo dados, criando outros.

Os grandes grupos midiáticos dispuseram-se a dançar rumba, samba, tango e rock ao mesmo tempo, para prognosticar o caos, resguardando, ao mesmo tempo, as condições possíveis (publicidade à frente) para que lhe fosse, ao contrário, comercialmente rentável. Sua equipe de “profissionais” comprazia-se em defender a ideia (no caso, a certeza) de que os estádios e aeroportos não estariam prontos, que os vândalos de extrema-direita e da pseudo-esquerda mascarados não permitiriam a realização dos jogos, muito menos a segurança dos turistas que se aventurassem a vir ao Brasil.

Para uma revista semanal de grande circulação, os estádios somente estariam prontos em 2038, a realização da Copa 2014 pelo Brasil seria uma tragédia; ideias difundidas seja por sua linha editorial, seja pela pena irresponsável, quiçá criminosa, de seus colunistas e repórteres paus-mandados.

Iniciada a Copa, os estádios e aeroportos ficaram prontos, belos, confortáveis e modernos, ao lado das demais obras de infraestrutura e mobilidade urbana. Os turistas vieram e exaltam o evento, alegres e satisfeitos por aqui estarem, com saudade quando se vão. A imprensa internacional noticia o que chamou de injustificável pessimismo da tupiniquim, quando não ridiculariza os precursores do caos. O “não vai ter copa” virou anedota, e a Copa das Copas, exaltada.


No fim das contas, a vergonha que se sente ― ao lado dos atos repugnantes da parcela da sociedade brasileira que mandou a presidenta do Brasil “tomar no c...” (um horror) e vaiou o hino do Chile (inqualificável) ― é mesmo da mídia grande brasileira, que manipula, falseia, mente, deturpa e, assim, faz mal, muito mal ao país. Aliás, será que ela vai pagar a conta pelo que o país deixou, e ainda vai deixar de ganhar, com a vinda dos turistas que, por ela assustados, não vieram?