F R A S E

SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Se correr o bicho pega, se ficar...*

ajusticeiradeesquerda.blogspot.com.br/
*Tb pub. no jornal GAZETA DE ALAGOAS e nos sítios Pragmatismo Político e do PCdoB/AL 

É nessa sinuca de bico em que se encontra o principal “partido” de oposição do país: a chamada grande imprensa. Explico:

Quando da tragédia de que foi vítima o então candidato à presidência da república, Eduardo Campos, percebeu-se na mídia grande, às escâncaras, um incontido rebuliço no sentido, de um lado, de sondar o mais rapidamente possível a tendência do eleitorado na hipótese de Marina Silva ser alçada pelo PSB à candidata do partido no lugar de EC (no dia seguinte ao desastre aéreo, o jornal Folha de São Paulo já estava nas ruas realizando pesquisa para esse fim) ― e se esta também seria a sua vontade (à época presumida, mas não confirmada) ―, enquanto, de outro, mais do que torcida, uma indisfarçável pressão sobre o próprio PSB, além de incontestável tentativa de cooptação popular em favor da então candidata a vice-presidente, fundada na exploração da emoção e, mesmo, comoção que se seguiu ao triste ocorrido (não se olvide que a comoção que se viu também ela foi propositadamente turbinada pela própria cobertura midiática deflagrada imediatamente após confirmada a presença de EC no avião).

Ocorre, porém, que MS não passa de instrumento caído no colo da mídia grande para levar a disputa eleitoral para o segundo turno. Aposta-se nela para ajudar a tirar do poder o PT e seus aliados (não se enganem, porém: não a querem, tampouco).

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Imagens de uma tragédia*

 

*Tb publicado na GAZETA DE ALAGOAS de 20.08.2014 e nos sítios PCdoB/AL e Pragmatismo Político

Desastres de avião geram comoção. Quando na aeronave há um político popular em seu estado natal, e ainda é candidato à presidência do Brasil, não se pode imaginar menos do que o estabelecimento do luto no país, e em seus eleitores um sentimento de vazio, quase orfandade, ainda que não ultrapassasse os 10% das preferências do eleitorado.

Assim é que a presidenta da república decretou luto oficial por três dias e suspendeu suas atividades de campanha, no que foi seguida pelo outro candidato melhor colocado nas pesquisas, Aécio Neves. Alguns políticos do partido a que pertencia o jovem candidato manifestaram-se por igual respeitosa e discretamente. A expectativa natural é que se guardasse silêncio obsequioso ao menos até o dia do seu sepultamento. Que nada...

Já no dia do acidente, o irmão de Eduardo Campos dá entrevista pedindo aos brasileiros para refletirem... sobre os rumos do país(!), como se a tragédia trouxesse algum dado novo à reflexão sobre o tema! Logo depois, afirma que o PSB deveria alçar Marina Silva à candidata no lugar de EC. Claro, com ele como vice (desejo não confessado, claro). Luto? Que luto?

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

CÊ QUE PENSA; O POVO VÊ!*

*Também pub. no jornal Gazeta de Alagoas, p. A4, de 14.08.2014, nos sítios PCdoB/AL e Pragmatismo Político
academiaeconomica.com
Será que a mídia grande realmente acha que o povo brasileiro é tão idiota ao ponto de não ver a manipulação pretendida e embutida em suas matérias e reportagens? Será que pensa que é incapaz de discernir quando o fato é criado, ou amplificado, ou omitido para prejudicar o governo a que faz escancarada oposição, beneficiando, por via transversa — ou por via direta, conforme o caso —, o candidato de sua preferência?

Disse-me uma amiga psicóloga, certa vez, que a maldade emburrece. Verdade: em regra o mal é burro na condução do personagem e das mentiras que encampa e defende. E decerto isto explique o porquê de o povo brasileiro, inobstante sujeito diuturna e ininterruptamente a essa desavergonhada tentativa de manipulação capitaneada pela mídia grande do Brasil, persista, em sua grande maioria, com lucidez de discernimento, preservadas suas argúcia e perspicácia. É decerto essa capacidade de ver e de sentir o odor desse jornalismo-lixo que explique a mantença da candidatura da presidenta Dilma à frente na corrida à reeleição à presidência da república, e o descrédito do povo brasileiro consolidando-se em relação aos grandes grupos midiáticos do país.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

LÁGRIMAS E SANGUE*

*Tb publicado no jornal Gazeta de Alagoas, de 07/8/2014, p. A4., e nos sítios do PCdoB-AL e Pragmatismo Político

Em apenas 25 dias, cerca de 1500 palestinos mortos e 10.000 feridos, 80% de crianças, mulheres e idosos. Milhares de lares, hospitais, escolas (inclusive a da ONU), mesquitas, igrejas destruídos. Aterroriza-me, sem trocadilho, imaginar a quantas estará o desastre quando esta crônica for publicada. Do lado de Israel, e depois da ofensiva terrestre, morreram pouco mais de 60 pessoas, 90% soldados.

Busca-se dizimar 1,7 milhão de gente miserável e desarmada, espremida numa faixa de terra de pouco mais de 350 km², de quem Israel — filhote assassino do império bélico estadunidense, que o apoia e o transformou na máquina de guerra ironicamente tão cruel quanto a nazista que os vitimou em meados do séc. passado — tomou quase tudo, inclusive a vida de sua população indefesa. Não há honra, não há lealdade, não há compaixão. Apenas ódio insano, ao cínico pretexto de combater-se o “terrorismo” do Hamas.

Fotos de crianças dilaceradas pelas poderosíssimas armas de guerra pululam nas redes sociais chocando até o mais insensível dos seres. Famílias inteiras, ou a maioria de seus membros, mortas. Milhares de ataques, 1/3 deles por mísseis, 2/3 por bombas. Dá pra imaginar o terror?

O governo brasileiro condenou veementemente os bombardeios israelenses com o uso desproporcional da força, além de ter chamado de volta ao Brasil para consultas o seu embaixador em Tel Aviv. O governo israelense, insolente e escancarando a sua pequenez, respondeu que desproporcional é perder um jogo por 7x1. Também chamou o Brasil de “anão diplomático”. O min. das Rel. Exteriores do país, por sua vez, respondeu que o “Brasil não usa termos que desqualifiquem governos de países amigos”, donde não teria “como comentar isso.” Mas lembrou que o Brasil é um dos únicos “11 países do mundo a ter relações diplomáticas com todos os membros da ONU” — “quando falamos somos ouvidos” —, além de incontestável histórico de cooperação pela paz internacional, donde se haveria algum “anão diplomático” não seria o país dos brasileiros. Graça Aranha deve estar revirando no túmulo.

No último dia 23 a ONU (até ela, sempre tão omissa) aprovou a criação de comissão internacional para investigar os ataques à Palestina. 29 países votaram a favor, 17 abstiveram-se (Alemanha, França, Reino Unido e Japão entre eles) e apenas um foi contra. Um doce para quem adivinhar quem. E outro para quem souber qual a revista semanal que condenou a atuação política do governo do Brasil no episódio.