F R A S E

SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A GRANDE MÍDIA DO BRASIL*

http://altamiroborges.blogspot.com.br
*Simultaneamente publicado no jornal GAZETA DE ALAGOAS e nos sites Pragmatismo Político e do PCdoB/AL

Outro dia um amigo juiz do trabalho — que como tal decerto muito se preocupou com o rápido crescimento de Marina nas pesquisas, ao sabor da comoção pela morte de Eduardo Campos, agora menos, porque vindo à lume as contradições (e intenções) da candidata, a queda que experimenta soa irreversível — dizia-me que a imprensa no Brasil não é o Quarto Poder, mas “O” Poder.
Verdade. A unicidade de opinião é uma razão. O brasileiro médio ― que tem a sua formada a partir daquela, única, da grande mídia ― passa a ser mero propagador do que ouve, lê e vê, acreditando em tudo que é divulgado ou opinado pela mídia, para ele autêntica personificação da imprensa livre que ela própria, sintomaticamente, alardeia.
O mais danoso, porém, é que a mídia no Brasil vai além: posa de imparcial (como se o jornalismo fosse imparcial), mas além de atuar com até escancarada parcialidade, não raro deturpa, manipula, inventa, mente.
Na política, o principal alvo dessa mídia são os governos Lula e Dilma, , seu partido, o PT, e os aliados, inclusive os pragmaticamente mais afinados à política governamental, caso do PCdoB, por exemplo, nas pessoas do ex-ministro Orlando Silva ― acusado criminosamente da prática de crime, mas que, inocentado das acusações plantadas nessa mesma mídia, não mereceu mais do que um registro de pé de página ―, e do ministro Aldo Rebelo.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

REVOLUÇÕES SILENCIOSAS*


*Tb publicado no jornal Gazeta de Alagoas, p. A4, de 17.09.2014, e nos sítios Pragmatismo Político e PCdoB/AL

Como muitos de vocês que me honram (de verdade!) com sua leitura, também nunca precisei de governo nenhum. Pra nada. Pelo menos não diretamente, se é que me entendem.

Assim, pude desfrutar de casa, comida e roupa lavada. Cama com lençois limpos, farda de colégio e material escolar de primeira mão, dinheiro pra merenda, escola particular (para onde meu pai podia me levar de carro, todos os dias), remédios, mesada para o cinema e o lanche com a namorada.

Mais tarde, ficando taludo, faculdade pública e gratuita em outro estado (graças aos meus esforços e à boa base oferecida por ensino médio em colégio privado), estadia também financiada por meus pais.

Formei-me advogado, passei nos concursos públicos que quis, tornei-me adulto e pai. Tive, portanto, todas as condições econômico-financeiras para construir um futuro digno e decente, conferidas por meus pais. O mais só dependia de mim.

Nunca aceitei, porém, a desigualdade social alarmante que testemunhava. Não me conformava que a empregada doméstica da nossa casa, por exemplo, não pudesse almejar um futuro, nem a seus filhos, salvo se transformando numa guerreira quase mitológica; o suprassumo da exceção, pois. Aí, se feliz em alguma conquista, a maioria das pessoas da minha classe sócio-econômica a aplaudiria e exclamaria: Oh! Tá vendo? Quando se quer consegue! Basta ir à luta, deixar a preguiça de lado. Esse povo é muito preguiçoso!

Felizmente há cerca de apenas 12 anos essa realidade cruel, impiedosa, injusta e anti-Cristã(!) começou a mudar. Já hoje não é raro você se deparar com filhos da velha miséria formando-se doutor. Não é incomum, numa família humilde, não raro antes beirando ou banhando-se na miserabilidade, encontrar-se alguém fazendo um curso técnico graças ao PRONATEC, outro cursando uma faculdade com o PROUNI ou o FIES, mais outro estudando no exterior com o Ciência sem Fronteiras. Criança na escola e com comida na mesa graças ao Bolsa Família não tem preço, como não o tem ver a alegria de um participante do Minha Casa Minha Vida. É emocionante testemunhar tantas mudanças em meu país e para seu povo, principalmente os mais sofridos e até então nunca vistos com os olhos do coração.

Sim, tenho dificuldade em compreender como se pode ser contra essa verdadeira revolução pacífica. Há quem o seja. Mas no que depender de mim aquela realidade será parte definitiva de um passado; um passado para ser lembrado apenas para que nunca mais a gente deixe que volte.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

BANCO CENTRAL, PRESIDENTE?*

http://planetaignis.blogspot.com.br/
*Tb pub. no jornal GAZETA DE ALAGOAS de 10.09.2014 (p. A4), e nos sítios PCdoB/AL e Pragmatismo Político

Não tenho como esperar algo de auspicioso de uma candidata que tem como principal financiador de sua campanha o segundo maior banco privado brasileiro e, na sua coordenação, um de seus proprietários. Menos ainda quando esse banco deve ao país em torno de 18 bilhões de reais — ela, por sua vez, é dona de quase 2% da mesma instituição; faça as contas de quanto, sozinha, é devedora.
Não tenho como sequer cogitar de ter como presidenta uma senhora que, ao contrário do que sempre defendeu, agora pretende tornar o Banco Central independente. Você sabe o que significa uma política de Estado Mínimo? Aumento dos juros e do superávit primário, redução de salários e benefícios previdenciários, flexibilização de direitos trabalhistas, cortes de orçamento das políticas sociais, aumento nas tarifas públicas, retorno da ALCA (ou de outra aliança nos mesmos moldes), e por aí afora.
Definitivamente não quero presidente alguém que de um lado diz que vai manter os programas sociais, enquanto defende um papel menor na economia para o Pré-Sal e para os Bancos Públicos, além do fim da Justiça do Trabalho. Jesus, Maria, José! O que teria acontecido nesse país sem os programas do governo, e sem os Bancos Públicos a torná-los realidade?
Foram retirados da miséria absoluta mais de 35 milhões de irmãos brasileiros; mais de 42 milhões foram alçadas à classe média; 18 universidades federais foram criadas, mais de 550 escolas técnicas; cerca de 8 milhões de jovens e adultos atendidos pelo PRONATEC, 3 milhões pelo ProUni e FIES, 83 mil estudantes no Ciência sem Fronteiras;  mais de 400 mil beneficiários do Bolsa-Família tornaram-se microempreendedores individuais; só nos últimos cinco anos 3,5 milhões de casas construídas através do Minha Casa Minha Vida, 40 mil obras já foram realizadas com os PAC – Programa de Aceleração do Crescimento 1 e 2! O Bolsa Família, que na visão preconceituosa, egoísta, reacionária e elitista não presta, elevou o país a condição de exemplo para o mundo no combate à pobreza, segundo a ONU.
O programa de Marina (leia-o!) permitirá continuemos avançando? O Brasil fez isto em míseros 12 anos, criando mais de 15 milhões de empregos (enquanto a Europa rica e os EUA perderam mais de 60 milhões de postos de trabalho), com a inflação há 12 anos na meta e o poder de compra do trabalhador seguindo aumentando. E eu vou querer um banco me governando à direita, sob a condução de pastores religiosos reacionários, homofóbicos e atrasados?
Pô! Prestenção, rapá!

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

E se Marina ganhar?*

www.facebook.com/TerraBrasil
*Tb pub no jornal GAZETA DE ALAGOAS e nos sítios PCdoB/AL e Pragmatismo Político

Ou por outra: E se as duas últimas pesquisas estiverem corretas? ― naturalmente já abstraindo que pesquisas eleitorais retratariam o momento em que são realizadas, além dos conhecidos históricos fracassos de algumas delas, inexplicáveis e surpreendentes, responsáveis por suspeitas eternamente consolidadas no imaginário; abstraindo meu próprio ceticismo. Mas... e se forem confirmadas?
Nessa hipótese, o cenário não é nada alvissareiro.
Primeiro, porque Marina vai se eleger na qualidade de “hóspede” de um partido político, que apesar de histórico, tem inexpressiva representação no Congresso Nacional, além de integrar coligação eleitoralmente pouco significativa. Não bastasse, o partido apresenta fissuras importantes quanto à aceitação de seu nome. É sabido, além disso, que não se pode governar sem o apoio do legislativo. Imaginar-se outra coisa é desconhecer o que a história e a ciência política ensinam, ao menos em se tratando de democracias ocidentais e de regime presidencialista.