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SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

sábado, 29 de novembro de 2014

Nove empreiteiras, muitos segredos

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Para quem torcia para a Operação Lava-Jato ser a bala de prata a ferir de morte o governo recém reeleito, o tiro está saindo pela culatra.

Dezenove poderosos diretores das maiores construtoras do país foram presos. Embora com o estardalhaço de sempre, como costuma ocorrer com as operações policiais no Brasil — e aí minha preocupação com eventuais inocentes lançados na lambança —, tem-se as melhores expectativas quanto ao seu sucesso.

Realmente, a despeito dos golpes midiáticos ocorridos durante as eleições e acirrados nos dias que se lhe antecederam — “vazamento” seletivo de suposto conteúdo que atingiria o governo federal, pinçado de depoimentos produzidos em delação premiada a delegados da Polícia Federal, os mesmos que às vésperas se prestavam a atacar agressivamente a presidenta da república e o ex-presidente Lula em seus perfis nas redes sociais (e há quem imagine estarmos numa ditadura ou caminhando para uma), até à malfadada reporcagem levada a cabo por aquela revista semanal de extrema-direita, que definitivamente enterrou o jornalismo político que já realizou há um bom tanto de anos atrás —, não dá pra não ter esperança de que se tenha inaugurado uma nova época no país.

Nesse ponto, não se pode ser tolo para imaginar não haja envolvimento de gente do PT ou de aliados nas maracutaias. Mas muito menos ser cínico para fingir que o muro de corrupção que se ergueu dentro da maior e mais rentável empresa do país é resultado da obra e graça desse partido, restrito aos últimos doze anos em que está no poder.

Os ladrões do erário sempre por lá meteram suas garras sujas. A diferença é que antes suas cafajestadas não vinham à tona. Para se ter uma idéia, as quatro maiores empreiteiras do país nasceram sob os auspícios da ditadura militar (1964-1985), sobreviveram sem ser incomodadas a todos os governos que se lhe seguiram, inclusive por aquele do sociólogo cujos escândalos eram abafados por uma mídia vendida e por um representante do ministério público que se tornou conhecido pela triste alcunha de engavetador-geral da república. Das nove sob investigação — olha, só —, ao menos seis delas financiaram a campanha para presidente do rapaz  xodó da “elite branca” deste país, num valor superior a R$ 20 milhões de reais.


Para o “salve-se quem puder”, a delação premiada está aí. Não existe corrupto sem corruptor.  E quem for podre, meu caro leitor, que se quebre. Com o perdão pelo chavão. Não pela rima. Paupérrima, mas involuntária.

*Tb postada nos sítios Pragmatismo Político e PCdoB/AL

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