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SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Onde ela está?*

*Simultaneamente pub. no jornal GAZETA DE ALAGOAS e nos sítios PRAGMATISMO POLÍTICO e PCdoB/AL
Só na política, há tantos temas que poderiam ser abordados aqui, hoje. Vou ficar num que me tocou enormemente. Desalentador. A impressão que se tem é de que as pessoas cegaram: preconceito e ódio despertando-lhes os piores sentimentos e atitudes. A historinha a seguir é, desgraçadamente, baseada em relato real.
Dona Josefa é doente. Diz-se doente, e vou acreditar, afinal está com uma receita, onde prescrito um remédio de que precisaria fazer uso. Também se me apresenta como alguém pobre. Tem o estereótipo do pobre nordestino que, nas grandes cidades, ainda não encontrou sua cidadania. D. Josefa está a vagar pelas ruas, tentando obtê-lo.
“Moço, pode me ajudar a comprar esse remédio?”, perguntou. A essa pergunta, igual a tantas outras que já ouvimos nessa nossa pátria ainda tão injusta, normalmente ouve-se algo parecido com “não, não tenho agora”,  ou “quanto custa?”, ou “vamos ali na farmácia que compro pra senhora”, e por aí vai...

Nessa historinha macabra, o moço respondeu ironicamente, empurrando-lhe três perguntas orelha’dentro: “A senhora sabia que poderia obter remédios gratuitos na farmácia do Lula e da Dilma?” “Não ouviu na propaganda eleitoral deles?” “O Brasil é ótimo, hoje, e tem remédio pra toda a população!” “Vá procurar saber no SUS!”, disse, já meio alterado.
“Já fui... Lá só tinha pra dor de barriga. Precisando muito, moço...”
“Minha senhora, a senhora votou nessas eleições?”, perguntou, já incomodado com a situação e, ainda mais, com a tentativa frustrada de d. Josefa junto ao SUS — afinal, o SUS não era o bom?, o sistema de saúde do Brasil não estava ótimo, segundo aquela mulher que quer transformar o país numa ditadura do PT?, pensava.
“Sim. Votei na Dirma”, disse inocentemente, mas meio arrependida (de ter pedido o remédio), meio sem entender (a raiva que o moço já deixava aparentar em sua feição).
A escolha política de d. Josefa, aliada ao “erre” no lugar do “ele” de Dilma — que pronunciou como a atestar ao moço as suas já consolidadas crenças, de que se tratava de um voto desqualificado, de uma ignorante pobre e analfabeta — fê-lo espumar todo o seu ódio contido. “Educadamente”, disse-lhe: “então a senhora vá pedir a ela.” E partiu, meio deliciando-se, meio sentindo-se vingado com sua atitude. Depois reproduzida por ele a seus amigos — como quem de alma lavada—, foi aplaudido, parabenizado, ovacionado. Bravo!

Eu, na verdade, só queria, imediatamente, saber de uma coisa: onde d. Josefa está?...

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