F R A S E

SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O dia da alegria

http://site.adital.com.br/
Não seria um dia qualquer. Dias antes, finda a última disputa na TV, viram-se tomados por uma sensação de relaxamento, ainda que parcial, afinal ainda se seguiria a matéria criminosa, porque falsa e eleitoreira, daquele periódico semanal.

Orgulhosamente envergada a camiseta vermelha com a imagem dela ainda jovem estampada no peito, saiu para o compromisso cívico tão esperado: ele e aquela “capitalista” mais socialista que já conhecera. Ela foi ao prédio daquela faculdade no litoral norte, cujas predileções do eleitorado não se faziam perceber. Ele, para uma zona eleitoral situada na talvez mais bonita orla marítima do país, onde, porém, instalados dos mais reacionários e politicamente atrasados eleitorados da região; o que naturalmente dava-lhe ainda mais prazer.

O horário de verão na capital federal sinalizava que a disputa se encerraria primeiramente na quase totalidade do nordeste, onde uma hora a menos. Contados os outros fusos horários, os primeiros resultados somente se fariam possível conhecer a partir das vinte horas (hora dali).

Com dezenas de militantes, e com ela e um dos filhos dele que se achegara, aguardou. O batuque soava animado; desbordando do prédio já invadia a rua. Os semblantes, porém, variavam do otimismo, decerto forjado pelas cervejas paulatinamente bebidas, à tensão incontida espelhada na maioria. Quanto mais a hora se aproximava, mais a crueza da realidade contida na expectativa aflita fazia-se iluminada. Ela rezava, aflita; ele cuidava, disfarçando a aflição, preocupado com ela e com tudo. “Calma... É assim mesmo... Não der, não deu”, dizia-lhe, já preocupado, fingindo não ver as lágrimas em seus olhos.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Política e fé*

http://www.blogvarzeapaulista.com
*Tb pub. no jornal GAZETA DE ALAGOAS e nos sítios Pragmatismo Político e PCdoB/AL

Tenham dó! Política não é profissão de fé, tampouco fé tem alguma coisa a ver com política ou o que mais da vida mundana. No exercício da minha fé em algo que acredito ser Maior — a que, particularmente, chamo Deus —, peço-Lhe, entre outras coisas (sou nada econômico nesse quesito, diga-se), para me dar compaixão, generosidade, saúde, luz, tolerância, humildade, coragem, força, fé. No exercício da luta política, que já é naturalmente outra coisa, esforço-me por um mundo melhor, com as armas que acredito sejam as possíveis e, dentre essas, as melhores. É simples assim.

Vez por outra sou abordado por gente dizendo-se decepcionada porque “acreditava” no PT, e em Lula, até em Dilma (apesar de muitos a terem considerado um poste; poste de muita luz, diria eu), mas que agora estaria estarrecida com a roubalheira que estaria sendo patrocinada por aquele partido, de que é exemplo mais recente a Lava-Jato e, mais famoso, o Mensalão. É, pois, o momento de pelo menos exercitar a tolerância, a compaixão e a humildade concedida.

Política não é profissão de fé! Quando muito é mera fonte e arcabouço de expectativas. Expectativas não são pra quem quer ter, mas pra quem pode. Expectativas ajudam a viver, mas são terríveis quando frustradas. E elas não raro o são porque a gente não sabe lidar com elas, já que toda expectativa pode trazer em si mesma dolorosa frustração, mais culpa nossa do que dela.

Porém, até pra tolice há limite. Sabe-se que os desvios de dinheiro público — notadamente aqueles para proveito particular — não são privilégio dos governos do PT ou de seus aliados. E você sabe que por mais que existam padres pedófilos, tarados ou predadores da fortuna do Vaticano; empresários corruptores, sonegadores, escravagistas e exploradores da mão-de-obra; milicos assassinos, covardes, torturadores, ladrões; juízes vendedores de sentença e da própria alma, não se pode confundi-los com a Igreja Católica, com o empresariado inteiro, com nossas Forças Armadas, tampouco com o Poder Judiciário. E ao que se saiba, você continua catolicozinho-da-silva...

Você sabe. Então, se por tolice você se diz decepcionado e desacreditado, receba essas palavras e minha compaixão. Depois analise, leia, investigue, acresça outras leituras às suas já costumeiras (e parcialíssimas) fontes de manipulação. Mas se o que você quer mesmo é arranjar um pretexto pra estar do lado do que de pior existe na política, faça “bom” proveito. Mas me poupe. Porque nem a fé aguenta esse blá-blá-blá.
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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Ranzinzices

Faz uns dias, passadas as eleições, mas não imediatamente após, afastei-me um bocado das redes sociais. Pouco acessei, menos ainda compartilhei o que quer que fosse. Nem sei se foi tão sacrificado assim, sei lá, mais ou menos, talvez. Tampouco estou certo deveria ter agido assim, devo registrar, mas estava cansado. Ainda estou. Aquela foi uma campanha especialmente cansativa. Pra dizer o mínimo.

A verdade é que as tais das redes sociais, por mais que se imagine o contrário, e embora felizmente (e obviamente) não sejam só isso, são também fiéis espelhos de nossos preconceitos, ignorância (em vários aspectos, notadamente em política, história, sociologia, filosofia, economia...), superficialidade, futilidade, vaidade, racismo, xenofobismo, sectarismo, reacionarismo e, claro, de nossa hipocrisia mais desavergonhada (no sentido de uma hipocrisia turbinada com um bocado de suplemento proteico, ou anabolizante mesmo, para inchar, ou inflar, o que temos de pior, e não são os músculos, naturalmente).

A também verdade é que ver(!) é muito incômodo — e nesse caso devo ter muita cautela e passar logo desse parágrafo, pra meu cérebro não gravar o que acabo agorinha mesmo de escrever e, imaginando que não quero ver (enxergar), pretenda tirar-me a visão; porque você sabe da força do pensamento, não é? Ver que nossa sociedade evoluiu em tantas coisas (alimentos dietéticos, vacinas e remédios, por exemplo), mas involuiu na busca do ser, e de ser mais generosa com os filhos do Deus a quem diz amar e servir... É ruim de ver.

Escrevi essas minúsculas abobrinhas-desabafo no feriado do Dia da Consciência Negra, já se vão dez dias. Nele, vi gente apoiando (ainda que aplauda o assassínio e o linchamento de ladrões e malfeitores, desde que pobres e negros), e gente, do alto de sua hipocrisia (sempre ela), com ar circunspecto e altivo defender que o importante são os “365 dias de consciência humana” (como se vivêssemos numa sociedade onde não fosse imprescindível e urgente, ainda!, a defesa intransigente e veemente dos negros e dos homossexuais, ao lado da conscientização, pela educação e pela punição, da ignorância que dissemina o preconceito mais vil e cruel contra essas supostas minorias).


Como não passavam disto — ranzinzices —, deixei-as meio que de escanteio. Relendo-as, agora, estou ainda mais convencido de que deveriam ficar onde estavam: no ostracismo do HD de meu computador. Mas como não seria ranzinza fazê-lo, trouxe-as à vida.
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Tb postado nos sítios Pragmatismo Político e PCdoB/AL