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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

A inveja não veste Prada*

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*Tb pub. no jornal GAZETA DE ALAGOAS e nos sítios Pragmatismo Político e PCdoB/AL

Não consigo desvincular a figura da autoridade, da mulher nela investida, ou da roupa em que vestida. Aliás, não pactuo com a ridicularização da aparência do outro, antes sinto indisfarçável repugnância. Assim me ensinaram desde criança, assim cresci ouvindo. Se assim pensar não for moderno, nessa época em que velho conta tão pouco, e muitas mulheres, e homens, não respeitam sequer a si próprios, paciência.

Particularmente assisti à posse presidencial da candidata reeleita, e embora não seja conhecedor de moda, o que vi foi uma senhora de quase setenta anos de idade, já avó, e presidenta do meu país, que mais do que envergar uma faixa presidencial ou vestir uma roupa que pessoalmente me pareceu adequada, embora isto pouco importe, estava lá prestigiada por mais da metade do povo brasileiro, que nela depositou suas esperanças e convicções, além de referendar-lhe a aprovação ao mandato que findava, bem assim pelas mais importantes e representativas autoridades internacionais e nacionais.

Vi, principalmente, uma mulher já idosa sendo condecorada como a mais importante do meu país e da América Latina, e uma das mais do mundo inteiro. Vi uma senhora que poderia ser a minha mãe, ou a mãe de minha mulher, ou a mãe de qualquer amigo meu, ou a mãe da Paula, como de fato o é. Sob esse aspecto, isto apenas o que vi.

Como se tratava de uma mulher de quase setenta anos, mãe e avó, e então empossada presidente da república do Brasil, não poderia, ali, nutrir qualquer expectativa de que fosse me deparar com uma miss presidencial, ou malhadora compulsiva de academia de ginástica, ou consumidora contumaz de whey protein e outras coisitas do gênero. Sequer de uma mulher dentro do peso prescrito pela endocrinologista ou nutricionista de plantão. Esperava apenas que a presidenta em que depositei meu voto pela segunda vez estivesse vestida com respeito ao meu país e ao seu povo. E assim ela estava. Irretocavelmente. Como sempre.


Não ia tocar nesse assunto, nem vou citar aqui as “celebridades” de meia-pataca que comportando-se no nível rasteiro da sua (des)educação contribuíram para aprimorar aquel’outra, dos grosseiros e grosseiras do meu país. Mas resolvi escrever essas poucas linhas porque quando os vejo agir tão desrespeitosamente com uma senhora, fazendo coro ao discurso patético da inveja inescondível, vejo-me impregnado de um dos mais desconfortáveis sentimentos conhecidos pelo ser humano, donde urge regurgitá-lo: vergonha. Depois, sorrio.

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