F R A S E

SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

quarta-feira, 25 de março de 2015

Vamos combinar?*



http://4.bp.blogspot.com/
*Tb pub no jornal Gazeta de Alagoas e nos sítios Pragmatismo Político e PCdoB/AL.

Seu ódio não é contra a corrupção, cujo manto podre vem sendo levantado, ainda que com holofotes e megafones voltados só para um dos lados do espectro político, mais particularmente para o governo e o PT, que independentemente de seu voto vem vencendo todas as eleições presidenciais.

Seu ódio não é contra a corrupção, que desde 2003 é combatida com instituições finalmente livres do cabresto dos donos de ocasião do poder, com o auxílio de mecanismos de controle criados por esses governos, sem espaço para engavetamento de inquéritos por procurador amestrado, e com os órgãos policiais efetivamente autônomos e livres para investigar o que e quem quer que seja, com toda a publicidade.

Seu ódio não é contra a corrupção, porque você não é estúpido para acreditar que a corrupção é algo novo no Brasil, nascida, criada e desenvolvida por alguns inescrupulosos que possam estar enfileirados em partidos de esquerda, ou de centro-esquerda, como o PT, que merecem, sim, os rigores da lei, mas não seletivamente.

Seu ódio não é contra a corrupção, porque você sabe que os grandes grupos midiáticos são useiros e vezeiros na utilização de “dois pesos, duas medidas” quando se trata desse tema, ou quando se trata de qualquer outro tema que possa ser negativo ou positivo ao governo; se negativo, amplificadores, quando não o engodo, o falseamento, a manipulação, a mentira deslavada; se positivo, o silêncio, na melhor das hipóteses.

Seu ódio, meu caro, é porque você não aguenta um governo que finalmente tenha desejado e conseguido realizar, num mundo capitalista visivelmente decadente, alguma coisa de justiça social, ainda que com mais de quinhentos anos de atraso; seu ódio é porque você não suporta a ideia de que as pessoas comecem a compreender que elas podem ter uma vida melhor, porque isto não pode e não deve ser um privilégio ditado pelas oportunidades dadas apenas a quem teve um berço rico ou remediado para nascer; seu ódio é porque você é individualista, mesquinho e egoísta, além de complexado por não suportar que a filha(o) de sua(eu) empregada(o) esteja cursando uma faculdade no exterior e a(o) sua(eu) tenha perdido o terceiro ou quarto vestibular; seu ódio é porque sem gente desqualificada e sem direitos você daqui a pouco sequer empregada poderá ter.


Seu ódio, por favor, sem hipocrisia, vamos combinar?, não é contra a presidenta Dilma, mulher honrada e corajosa, eleita legitimamente: seu ódio é porque já está evidente que o “pobre”, hoje, é você.

terça-feira, 24 de março de 2015

Vai pra CUBA!*

http://www.andremansur.com
*Tb. pub. no jornal Gazeta de Alagoas e nos sítios Pragmatismo Político e PCdoB/AL, de 18/03/2015

Vai pra Cuba!, esgoelava-se, imaginando estar a agredir quem, como eu, entende que os governos Lula e Dilma, com todas as dificuldades e equívocos em que incorreram, são os melhores que este país já foi capaz de eleger e construir. Dados matemáticos provam irrefutavelmente o que afirmo, para ficar só neles. Abstenho-me de citá-los. Estão na internet, para quem quiser conhecê-los.

Uma vez um alagoano, vendo-me a tecer elogios a Cuba em uma rede social, provavelmente ao sucesso de suas políticas educacional e de saúde, indagou-me: André, você já foi a Cuba?, querendo com sua pergunta insinuar que eu só a defendia porque não a conhecia. Claro que para quem, como eu, conhecia um tanto da história e da realidade da ilha (ou das ilhas, como mais correto), mesmo sem lá ter ido, sua pergunta capciosa não encontrava guarida ao fim desejado. Mas ele podia fazê-lo, afinal estivera lá.

Noutra vez, assisti numa rede social alguém destilar lamentações do quão a pobre Cuba estava decadente, naturalmente face ao governo socialista que lá se implantara. Pobre Cuba, lamentava, com sua sensibilidade forjada no preconceito e, por isto mesmo, na ignorância acerca da história daquele povo.

Tratando-se de velho desejo irrefreável, fui à Cuba. E confesso que me surpreendi lembrando-me de suas observações, notadamente porque me era difícil compreender como alguém ligado às artes (ambos supostamente eram) poderia ter uma visão tão preconceituosa, limitada e canhestra acerca da ilha caribenha; a gente sempre tem a ideia (falsa, entretanto) de que um sujeito assim, por em princípio ter a sensibilidade mais aguçada, escaparia do preconceito ideológico que lhe fora, como aos brasileiros em geral, incutido. Ledo engano.

Então, fui. E constatei que Cuba era ainda muito mais impressionante, admirável, bela e culta do que imaginara. Se antes já admirava o cubano, passei a fazê-lo com a razão escorada no testemunho diariamente observado e constatado em cada esquina de qualquer aglomerado urbano de suas muitas cidades.


Aprendi muito. Mas por ora finalizo dizendo que uma das maiores lições que aprendi é que uma nação é mesmo feita de seu povo. Cuba é alegria, generosidade, sacrifício, coragem, beleza, luta, orgulho, autoestima elevada, educação, cultura, amor. E o povo cubano é o maior responsável por Cuba ser o que é. Lembrei-me das vaias e ataques sofridas por seus médicos ao desembarcarem em meu país. E intimamente aplaudi-os novamente, agora ainda mais envergonhado...

quarta-feira, 11 de março de 2015

Por quem as panelas dobram?*

blogdogersonnogueira.wordpress.com
*Tb pub. no jornal Gazeta de Alagoas e nos sítios Pragmatismo Político e PCdoB/AL, de 11/03/2015


Impossível não comentar o famoso panelaço realizado por setores de classe média e alta de algumas cidades do sul, sudeste e centro-oeste do país, durante o pronunciamento da presidenta da república, realizado domingo último em rede nacional.

Porém, para quem testemunhou — felizmente não de corpo presente, com receio de ser com eles confundido — a Presidenta Dilma ser mandada tomar no c... e vaiada por um público maciçamente de classe média e alta durante a abertura dos jogos da Copa de 2014, deixando o mundo inteiro boquiaberto, para dizer o mínimo — sim, aquela Copa que não iria acontecer, onde haveria quebra-quebra, os ônibus, metrôs e trens não funcionariam, os aeroportos não ficariam prontos, etc. —, depois o hino chileno ser vaiado durante a solenidade que precedeu ao jogo disputado pelo Chile com o Brasil (que vergonha!), confesso que não vi nada demais no panelaço ou nas vaias. Claro que o som das vaias e panelas não lhes satisfazem, e o xingamento machista execrável haveria de vir: vaca!, bradaram os covardes.

Mas como dizia, o panelaço e as vaias são próprios da democracia. O que me deixa intrigado, tentando considerá-los resultantes de uma construção mental racional, é contra o quê, exatamente, batiam.

Seria porque em apenas dois meses de governo Dilma há maior transferência de renda do que a soma dos oito anos de mandado do governo FHC? Seria porque a empregada doméstica de alguns teria passado no ENEM e a filha dos patrões, não? Seria, ainda, porque mais de quarenta milhões de brasileiros teriam ingressado na classe média, a viajar de avião até para o estrangeiro, sentados na poltrona ao lado da irresignada paneleira? Ou simplesmente seria porque a corrupção, ao ser combatida como jamais o foi antes do governo Lula, ao atingir servidores subalternos e altas autoridades do país atingem, também, os que lhes fornecem o combustível à sua existência, a propina milionária, o financiamento empresarial de campanha?

Há alguns anos atrás tentaram mudar o nome da Petrobras para Petrobrax, reduziram o seu papel e pretendiam entregá-la, completamente, ao capital privado. As denúncias de corrupção não iam à frente. Veio o governo Lula e a Petrobras tornou-se umas das maiores empresas petrolíferas do mundo. Agora, o maior vício de que padece boa parte dos brasileiros, a corrupção, está sendo de lá extirpada, espera-se com a amplitude necessária.

Afinal, por quem dobram, então, as panelas gourmet?

terça-feira, 10 de março de 2015

Coxinha de classe média*

Cartoons Latuff
*Tb. pub. no jornal Gazeta de Alagoas e nos sítios Pragmatismo Político e PCdoB/AL, de 25/02/2015

Hoje resolvi falar um pouco sobre um termo que vem sendo muito usado por esses petralhas duma figa, e que me deixam muito incomodado. O coxinha. De início demorei uma barbaridade para entender, afinal como todo coxinha, eu também tenho as ideias curtas. Algumas vezes tive vontade de perguntar a algum deles o que era afinal um coxinha, por mais que de algum modo sempre intuí que eu devia ser um. Mas tive vergonha, porque aí é que eles iriam dizer que eu era um coxinha, mesmo. Então deixei quieto e fiquei tentanto pescar, aqui e ali, alguma pista. Sei lá...

Até que um belo dia me deparei no You tube com uma bela composição chamada “Classe média”, que seria de autoria de Max Gonzaga e Banda Marginal. A composição é muito inteligente (até um coxinha como eu consegue perceber) e bem humorada. Finalmente pude perceber o que é um coxinha. Ainda que não seja só aquilo, afinal, sabendo agora o que é um, posso constatar que há coxinhas em classe média alta, classe alta, e até na classe mais baixa. Mas descobri que a classe média é repleta de coxinhas. Então resolvi ajudar a todos quantos que, como eu, também não sabiam o que era um coxinha, nem porque eram chamados de coxinha. Segue a letra (vale ir lá e ouvir):

“Sou classe média, papagaio de todo telejornal; eu acredito na imparcialidade da revista semanal. Sou classe média, compro roupa e gasolina no cartão, odeio ‘coletivos’ e vou de carro que comprei à prestação. Só pago impostos, estou sempre no limite do meu cheque especial. Eu viajo pouco, no máximo um pacote CVC tri-anual. Mas eu ‘tô nem aí’, se o traficante é quem manda na favela; eu não ‘tô nem aqui’, se morre gente ou tem enchente em Itaquera. Eu quero é que se exploda a periferia toda, mas fico indignado com o Estado quando sou incomodado pelo pedinte esfomeado que me estende a mão. O para-brisa ensaboado, é camelô, biju com bala, e as peripécias do artista malabarista do farol. Mas se o assalto é em “Moema’, o assassinato é nos ‘Jardins’, e a filha do executivo é estuprada até o fim, aí a mídia manifesta a sua opinião regressa, de implantar pena de morte ou reduzir a idade penal. E eu que sou bem informado, concordo e faço passeata, enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal. Porque eu não ‘tô nem aí’, se o traficante é quem manda na favela; eu não ‘tô nem aqui’, se morre gente ou tem enchente em Itaquera. Eu quero é que se exploda a periferia toda; toda tragédia só me importa quanto bate em minha porta. Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida...”.
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Escrito em 15/02/2015

Deus é brasileiro*

*Tb pub. no jornal Gazeta de Alagoas e nos sítios Pragmatismo Político e PCdoB/AL, de 18/02/2015

Sabia do risco que corríamos, fosse eleito o candidato tucano Aécio Neves. Direitos arduamente conquistados e consolidados, finalmente direcionados a toda a população brasileira e não apenas à sua elite econômica e financeira, traduziam-se motivos mais do que suficientes a que se benzessem, os que tinham fé, ou batessem três vezes na madeira, os supersticiosos, ou que simplesmente se sentissem aliviados, os demais, em face do resultado da eleição presidencial de outubro último.

Porém, quando se constata, de um lado, o nível dos congressistas eleitos — substancialmente inferior ao que lhe antecede em vários sentidos, notadamente no grau exacerbado de reacionarismo até a intimidade escancarada com a picaretagem —, a par de alguns nomes que tiveram que ser engolidos pela presidenta na composição do ministério, além das medidas de viés nitidamente impopular adotadas pelo governo, chega-se à até inusitada constatação de que o desastre seria ainda maior do que o que se previa fosse outro o resultado das eleições.

De outra parte, o candidato derrotado, para quem tem olhos minimamente abertos para ver, não cansa de galgar alcançar o seu real tamanho. Com efeito, impressiona como o referido político só decresce, somente diminue, invariavelmente apenas se apequena, seja quando se apresenta inerte e omisso no Congresso Nacional, como lhe é característico — lembremos que foi recentemente eleito, e pelo mais asqueroso jornalismo escrito do país, a insuspeitíssima revista Veja, o pior parlamentar brasileiro —, seja quando expõe sua verborragia deprimente e patética, ora afeiçoando-se a menino mimado e birrento, ora demonstrando que sua loquacidade verbal não tem mais conteúdo que uma dessas bolas de soprar de aniversário cheias... de vento. A rima foi involuntária e pobre, mas adequada ao tamanho do indigitado político brasileiro.


Pois bem, esse singelo somatório de fatos e impressões são sobejamente suficientes para que os pelos se ericem arrepiados, a respiração promova fortes expirações de alívio, a pressão retorne aos patamares aceitáveis, os batimentos cardíacos se normalizem. Não sei o que seria deste país e de seu povo estivesse aquele cidadão no seu comando no meio da crise em que se encontra o mundo capitalista. Escapamos. Escapamos por pouco, mas escapamos. O que me leva a crer que Deus, se não for brasileiro, ao menos tem este país em grande conta.
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Escrito em 13/02/2015

Acordar é preciso*

*Tb pub. no jornal Gazeta de Alagoas e nos sítios Pragmatismo Político e PCdoB/AL, em 11/02/2015

“Este prêmio é um reconhecimento das conquistas notáveis, significativas e únicas alcançadas pela Petrobras, e das grandes contribuições para a nossa indústria (óleo e gás offshore). O comitê de seleção (da OTC) ficou extremamente impressionado com esta nomeação. As conquistas que a Petrobras fez na perfuração e produção desses reservatórios desafiadores é de classe mundial. A indústria aprendeu muito a partir das informações compartilhadas pela Petrobras sobre o Pré-Sal nos artigos e sessões apresentados na OTC. Nós todos nos beneficiamos do seu sucesso.”

O prêmio a que se refere o texto aspeado é o OTC Distinguished Achievement for Companies, Organizations, and Institutions, simplesmente o maior da indústria de petróleo e gás offshore mundial. A nossa Petrobras o receberá, pela terceira vez, no próximo mês de maio. O texto aspeado, por sua vez, é de autoria do Presidente da Offshore Technology Conference (OTC), Edward G. Stokes.

Aham, sei... Você deve estar se perguntando por que não soube desse feito, já que acompanha diuturnamente os jornais e análises econômicas e políticas realizados pelos grandes grupos midiáticos. Respondo-lhe: você não soube porque não interessa a esses grandes grupos midiáticos, que, afinal, são também grandes grupos econômicos, dar-lhe a conhecer fatos que engrandeçam nossa maior empresa. A esses grupos somente duas coisas interessam: uma, desmoralizar a Petrobras, fragilizando-a até que alcance o menor valor de mercado possível e, assim, possam dela abocanhar nacos generosos, ganhando posteriormente fortunas que você jamais terá com o subsequente processo de valorização; duas, tirar do caminho o governo onde a Petrobras experimentou seu maior crescimento e respeito nacional e internacional de toda a sua história, fazendo colar no imaginário popular que o combatente da corrupção, aquele que criou todos os meios modernos para reprimi-la, é o seu principal agente e a Petrobras o maior alvo de sua própria gatunagem.

Você já imaginou, entretanto, se ao contrário da tônica desses noticiários e comentários que você vê, lê e ouve diariamente, os fatos tais como se deram e dão viessem ao seu conhecimento, sem proteger os mal feitos de partidos e políticos servis aos seus interesses, e sem o afã de criminalizar a todo custo aqueles outros que lhe contrariam os interesses escusos e encobertos?


Você já percebeu que você repercute e se indigna exatamente com o que a chamada grande mídia quer, e somente com o que ela quer?
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Escrito em 10/02/2015