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SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

terça-feira, 10 de março de 2015

Deus é brasileiro*

*Tb pub. no jornal Gazeta de Alagoas e nos sítios Pragmatismo Político e PCdoB/AL, de 18/02/2015

Sabia do risco que corríamos, fosse eleito o candidato tucano Aécio Neves. Direitos arduamente conquistados e consolidados, finalmente direcionados a toda a população brasileira e não apenas à sua elite econômica e financeira, traduziam-se motivos mais do que suficientes a que se benzessem, os que tinham fé, ou batessem três vezes na madeira, os supersticiosos, ou que simplesmente se sentissem aliviados, os demais, em face do resultado da eleição presidencial de outubro último.

Porém, quando se constata, de um lado, o nível dos congressistas eleitos — substancialmente inferior ao que lhe antecede em vários sentidos, notadamente no grau exacerbado de reacionarismo até a intimidade escancarada com a picaretagem —, a par de alguns nomes que tiveram que ser engolidos pela presidenta na composição do ministério, além das medidas de viés nitidamente impopular adotadas pelo governo, chega-se à até inusitada constatação de que o desastre seria ainda maior do que o que se previa fosse outro o resultado das eleições.

De outra parte, o candidato derrotado, para quem tem olhos minimamente abertos para ver, não cansa de galgar alcançar o seu real tamanho. Com efeito, impressiona como o referido político só decresce, somente diminue, invariavelmente apenas se apequena, seja quando se apresenta inerte e omisso no Congresso Nacional, como lhe é característico — lembremos que foi recentemente eleito, e pelo mais asqueroso jornalismo escrito do país, a insuspeitíssima revista Veja, o pior parlamentar brasileiro —, seja quando expõe sua verborragia deprimente e patética, ora afeiçoando-se a menino mimado e birrento, ora demonstrando que sua loquacidade verbal não tem mais conteúdo que uma dessas bolas de soprar de aniversário cheias... de vento. A rima foi involuntária e pobre, mas adequada ao tamanho do indigitado político brasileiro.


Pois bem, esse singelo somatório de fatos e impressões são sobejamente suficientes para que os pelos se ericem arrepiados, a respiração promova fortes expirações de alívio, a pressão retorne aos patamares aceitáveis, os batimentos cardíacos se normalizem. Não sei o que seria deste país e de seu povo estivesse aquele cidadão no seu comando no meio da crise em que se encontra o mundo capitalista. Escapamos. Escapamos por pouco, mas escapamos. O que me leva a crer que Deus, se não for brasileiro, ao menos tem este país em grande conta.
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Escrito em 13/02/2015

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