F R A S E

SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

sábado, 30 de maio de 2015

Mais ameaças no ar*

*Escrito em 26.05.2015. Tb pub no jornal Gazeta de Alagoas, de 27.05.2015, na pág. de Opinião, e nos sítios Pragmatismo Político e PCdoB/AL

Um dos maiores defeitos de nossa democracia, ocidental-capitalista, é que as eleições são ditadas pelo poder econômico, via financiamento empresarial de campanha.

De um lado, o que mais recebe realiza a campanha eleitoral mais vistosa; de outro, os eleitos são inexoravelmente cobrados pelas empresas financiadoras, das mais diversas e sub-reptícias formas. Isto para não falar do caixa-dois de campanha, onde, aliás, já pegos o PT, alvo principal e quase único da gana justiceira, com ou sem culpa no cartório, e o PSDB, este escandalosamente impune, a despeito de que os crimes que lhe são imputados terem ocorrido anteriormente àqueles atribuídos ao PT e espetaculosamente noticiados, e seu televisivo julgamento, durante meses a fio.

O financiamento empresarial de campanha, portanto, somente atende ao poder econômico e à corrupção, sendo desta sua maior semente e seu mais nutritivo adubo. Ou você é ingênuo para acreditar que uma grande empreiteira que invista milhões de reais numa candidatura não vá apresentar a conta depois? Outrossim, não é razoável que alguém que se diga horrorizado com a corrupção possa ser contrário ao financiamento publico de campanha, salvo se sua irresignação não passe de mais um arroubo de hipocrisia deslavada. Pois não se vê brotar do seio das classes média e alta deste país, elas que saem às ruas para apontar corrupção nos outros, uma só manifestação pelo fim do financiamento empresarial de campanha. É a hipocrisia ultrapassando os limites do crível.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

As crias da direita midiática*

http://luizfelipemuniz.blogspot.com.br/
*Simultaneamente publicado no jornal GAZETA DE ALAGOAS

Não sou do PT. Digo-o, não porque ache relevante fazê-lo, até porque não passo de um escriba com meia dúzia de leitores; muito menos porque julgue o Partido dos Trabalhadores indigno de minha pessoa, ao contrário; mas simplesmente porque muitos assim pensam, quando não o afirmam!, decerto por minha opinião favorável aos governos Lula e Dilma e pela polarização PT-PSDB. E não sou, entre outras razões porque estou à sua esquerda. Mas votei pra presidente no seu candidato, já em 1989, e o fiz em todas as eleições que se seguiram, embora então preferisse Brizola, um dos maiores políticos deste país, perda irreparável, porque insubstituível.

Sim, preferiria que Lula tivesse sido mais ousado quando eleito para o primeiro mandato, em 2002. Ele poderia, por exemplo, ter corrigido a brutal injustiça cometida aos aposentados, traduzida no fator previdenciário, um dos diversos bens perversos herdados do governo tucano do Sr. Fernando Henrique Cardoso. E se o fizesse, tampouco deixaria de ser capitalista o seu governo, como o é. Aliás, só a ignorância absoluta em política e em história para supor que os governos do PT buscam implantar o socialismo, ou a “República Bolivariana” nos moldes da Venezuela, como ouço aqui e ali, ora contendo ora o riso, ora a tristeza, porque tão engraçado quanto triste; acho até que mais triste.

Inegáveis, porém, os avanços sociais e econômicos alcançados por seus governos, incluído o de sua candidata, Dilma Rousseff, eleita e, para a sorte do país, reeleita. Equívocos e timidez em seu primeiro mandato, amplificados neste, enxergo muitos; mas isto não muda absolutamente nada a consciência inabalável de que é o melhor que se tem para o Brasil continuar avançando. E por isto há de ser defendido.


Preocupa, porém, ver pessoas, não raro apenas por vestir vermelho, sujeitas à intolerância dos energúmenos que, exatamente por sê-los, não aceitam a livre manifestação de opinião e militância políticas. Refiro-me às crias acéfalas dos grandes grupos midiáticos, que têm como armas a intolerância e a ignorância, manifestadas aqui e ali por agressão moral, quando não física, invariavelmente covarde, como se vê, já com freqüência preocupante, no celeiro da direita imbecilizada deste país: São Paulo. Felizmente por lá, ainda. Fascistas crias da mídia grande e de seus “calunistas” servis, vendidos ao seu jornalismo-lixo. Não sabiam eles, porém, mas já estão a perceber, que as crias podem voltar-se contra seus criadores. Exemplos já despontam.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

O Pornô*

*Tb pub no jornal GAZETA DE ALAGOAS e nos sítios PRAGMATISMO POLÍTICO e PCdoB/AL

Era porteiro em um prédio de apartamentos na orla de Ponta Verde. Não, esse não era bem o seu apelido, mas como era chamado, no particular, por seu principal fornecedor gratuito de DVDs piratas do gênero. Nem foram tantos assim, porque a pouca idade do garoto não favorecia a aquisição, mas o suficiente para que o adolescente gozador (o trocadilho, ou não, é o leitor quem decide se o põe) e também admirador das películas assim passasse a chamá-lo.

Seu nome era Juaneysson, donde talvez melhor, ao menos mais fácil para este escriba, por razões que saltam aos olhos ou aos dedos que digitam, continuar com o apelido. Uma vez o garoto apareceu no prédio com um DVD pirata onde bela parente da rebolativa Gretchen, outrora sonho de consumo de muito marmanjo, aparecia muito à vontade. Sucesso! Juaneysson imediatamente pediu para ver, assim que o garoto, digamos, cansasse de assisti-lo. Pronto; bastou isto para o pobre do Juaneysson virar “o Pornô”. O tal DVD, e uns outros que se seguiram, emprestados, nunca foram devolvidos; nem cobrados.

Há poucos dias, o outrora garoto, curioso e atento à política, perguntou-lhe sobre o que achava dos governos Lula e Dilma. Como assim?, perguntou. Você aprova? Têm sido bons pra você? Você melhorou de vida? Ôxe! Cá pra nós, gosto e muito! Antes do Lula ganhar pra presidente a vida da gente era um sacrifício só... Na época, era casado e desempregado; chegamos a passar fome quando meu pai, pedreiro, perdeu o emprego e não conseguia outro. Ruim demais...

Com a curiosidade redobrada, voltou a perguntar: E agora, qual a diferença? Ôxe, tudo! Antes a gente sobrevivia, agora a gente vive. Tive três filhos com minha ex-esposa, e o Bolsa Família ajudou demais, apesar de pouco. Desempregado, né?  Depois as coisas foram melhorando... Nem preciso mais, graças a Deus! E você na época não pensou em ter mais filhos, pra aumentar o valor? Ôxe, e eu sou otário, é?

E o que melhorou? Ôxe, tudo! Antes a gente morava numa casinha de nada, e vivia faltando dinheiro pro aluguel. Hoje, eu e meu pai a gente tem casa pelo Minha Casa Minha Vida, tenho uma moto, televisão daquelas de rico, tô fazendo o PRONATEC, meus filhos tão estudando, é outra coisa...Hoje, quem se esforçar consegue ter uma vida boa, digna. Basta querer.


E o que você pensa das denúncias de corrupção? Ôxe, agora a gente tá sabendo de muita coisa que andava escondido, mô fio... E das pessoas que são contra Lula e Dilma, como boa parte aqui do prédio, mesmo? Umas egoístas. Cá pra nós.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

A selvageria e o silêncio cúmplice*

*Tb pub no jornal GAZETA DE ALAGOAS e nos sítios PRAGMATISMO POLITICO e PCdoB/AL
 

“Existem momentos que gostaríamos de não ter vivido. É assim que me sinto hoje. Vi colegas professores no chão, desmaiados, sendo chutados pela PM, a mando do Secretário de Segurança, Franschini.

 

Os outros colegas tentavam ajudar, em vão, pois quanto mais tentavam recuperar os feridos, mais bombas caiam sobre nós. Fomos massacrados durante duas horas.

 

A PM, armada de bombas de gás, spray de pimenta, treinamento militar, armas de fogo, e nós? O que tínhamos para nos defender? Apenas a nossa voz. Cercados, não havia para onde correr. Mesmo encurralados com as mãos para cima, as bombas não pararam. Um cenário de guerra.

 

Vi funcionários públicos em choque, em histeria, chorando (não é fácil ver um ser humano ser pisoteado e não poder fazer nada). Gritei a alguns soldados que estavam perto de mim: ‘Ajudem! Vocês estão aqui para nos proteger.’ Imóveis, eles apenas olhavam as viaturas. A ambulância não conseguia recolher os feridos.

 

Todos recuamos e buscamos abrigo na Prefeitura de Curitiba, onde outros paranaenses viam horrorizados a nossa dor e nosso desespero. No carro de som, o comando da APP sindicato gritava, já com a voz rouca: ‘POLICIAIS, NÓS JÁ RECUAMOS! PAREM COM AS BOMBAS!’

 

Em vão. Só pararam quando o Senador Roberto Requião subiu ao palco do carro de som. Hoje nossa dignidade nos foi tirada. Nossa humanidade nos foi arrancada. Hoje fomos tratados como bandidos, e não como profissionais graduados, com especialização, concursados e com anos de carreira.

 

São 150 feridos (devido a tiros de borracha e mordidas dos cães da polícia). Oito em estado grave e suspeita de duas mortes. Hoje temi por minha vida. E senti vergonha de ser paranaense e viver em um regime de fascismo liderado por este que devia governar o nosso estado.”

 

O depoimento acimaatribuído à professora no Paraná, Suzel Faedo, foi transcrito das redes sociais. O governo fascista a que se reporta é capitaneado por Beto Richa, do PSDB.

 

É ensurdecedor o silêncio de Aécio Neves, FHC e demais tucanos, além dos MBLs e novéis gruposverdes-amarelos, sobre covardia criminosa contra os professores. Mas o mesmo silêncio do inconformado derrotado não é ouvido para defender o retrocesso que é a terceirização ampla, geral e irrestrita, tampouco,feito desocupado sem um bom lavado de roupa, para criticar a presidenta Dilma por optar pela internet para a fala de 1º de maio.

 

Enquanto isto, você vê os jovens de agora a tripudiar da dita selvageria, vazios, frios e cruéis na sua ignorância imbecilizada. É desalentador.


segunda-feira, 4 de maio de 2015

O que somos?*

www.vermelho.org.br
*Tb pub no jornal GAZETA DE ALAGOAS de 22.04.2015 e no sítio www.pcdobalagoas.org.br


Esse era um uruguaio jovem proprietário de um “hotel boutique”, em Colônia de Sacramento: atendimento personalizado, arquitetura e ambientação que se destacam por características ora bucólicas, ora vanguardistas, modernos, mas sem ser futuristas, charmosos e muito agradáveis; invariavelmente belos. Culto, demonstrava conhecer satisfatória e então para mim surpreendentemente a história e a situação econômica e política do seu país e do mundo. Cuidadosamente, criticou a campanha reacionária dos grandes grupos midiáticos no Brasil, e lamentou a legião de brasileiros que, por eles manipulados, não conseguiam enxergar os avanços obtidos com os governos Lula e Dilma. E vaticinou, antes que eu o dissesse: esse é o resultado de uma ditadura que não foi cabalmente derrotada, como a que vocês enfrentaram por mais de vinte anos. Avança sobre a comunicação e, pior, sobre a educação escolar, formando uma geração de bacharéis e pós-graduados que nada conhecem de História, com “H” maiúsculo, frisou. Quando me reportei à retomada das conversações entre CUBA e os EUA, então recém-iniciada, com o semblante desanuviado falou-nos da esperança de que a Ilha possa finalmente livrar-se daquele jugo terrível, insana e cruelmente imposto pela potência econômica norte-americana. Era um jovem capitalista uruguaio que me dizia. Os adjetivos foram dele.

Esse outro era uma espécie de faz-tudo de um pequeno e agradável hotel em Punta Del Este, rico balneário da elite branca uruguaia. Falava fluentemente três línguas além da sua; já residira em algumas partes do mundo. Tinha horror às ditaduras que se estabeleceram em nosso continente. Sobre CUBA e EUA, não nos passou impressão diferente daquela de seu conterrâneo, acima sucintamente referida, mas destacou a fibra e o orgulho do povo cubano por seu país e pela intransigente defesa do socialismo. Gostava muito do Brasil e torcia para que o governo continuasse logrando êxito na sua política até agora exitosa de redução das desigualdades sociais e combate à corrupção. Sobre a classe média do Fora Dilma, vaticinou: aprenderam o que a ditadura que os subjugou quis que fosse aprendida. Por quê?, perguntei. Porque não foi categoricamente derrotada.

Diversos testemunhos semelhantes ouvi dos hermanos uruguaios com quem tive o prazer de conversar: de empresários bem sucedidos a estudantes, de professor universitário a garçons. Todos latino-americanos como nós. Como nós?