F R A S E

SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Sonhos cidadãos*

*Tb pub no jornal GAZETA DE ALAGOAS.

Ontem tive uma noite profícua de belos sonhos. Sonhos assim, tipo, cidadãos. Tão bons que até trocaria ter um deles, uma vezinha só, vá lá, por aqueles que vez perdida a gente tem, e que macula os até então imaculados lençóis que nos amaram na noite solitária. Problema é que estes, que mancham os lençóis, tornam-se frequentemente realidade, ou podem tornar-se. Os que sonhei nem o mais otimista imagina possam realizar-se.

No primeiro, eu saía às ruas de minha cidade e percebia os vidros dos mais reluzentes carrões com adesivos onde se lia: Chega de PT! Julguem o mensalão do PSDB! Acessava as redes sociais e descobria que em todo o país haveria passeatas por melhores salários e condições de trabalho para os professores das redes pública e privada, organizada pelo Movimento Brasil Livre. Seus líderes justificavam dizendo que os professores precisavam deixar de ser tratados como profissionais de segunda categoria. Fiquei sabendo que a segunda seria contra a redução da maioridade penal e pela justiça para todos. Em ambas, os partidos políticos foram contatados e cobrado o empenho de seus membros junto aos parlamentos municipais, estaduais e federal. Noutro momento eu já estava em SP, onde via estampados nos para-brisas blindados dos Lamborghinis, Ferraris e congêneres adesivos coloridos de verde, amarelo, azul e branco com os dizeres: O Alckmin me fedeu! Água, já! E também: Tenho culpa! Votei no PSDB! Surpreso, pegava em seguida um avião para Brasília e lá chegando me deparava com o trânsito interrompido por causa das ruas tomadas pela população que reivindicava, à porta do Supremo e do STJ, que a venda da deusa Thêmis fosse recolocada, já que se suspeitava, com base em fortes indícios, de que a deusa matreiramente estivesse a ver por sob o pano, e com um só dos olhos, bem assim que sua balança fosse urgentemente submetida ao exame do Inmetro, já que vinha escancaradamente pendendo para um dos lados, além de que suas lâminas fossem igualmente afiadas.


No segundo sonho, os patetas que foram à Venezuela eram condenados a reembolsar o erário pela palhaçada que protagonizaram naquele país, além de terem de rezar uma centena de pais-nossos e duzentas ave-marias em frente à catedral de Brasília, ajoelhados sobre caroços de milho especialmente encomendados do São João nordestino. Malafaia não protestou contra as ave-marias, porque estava ocupado procurando a rola sugerida pelo jornalista Boechat. Aí acordei, porque até pra sonhar há limite.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Hipocrisia: seu nome pode ser armário

O brasileiro é de uma hipocrisia ímpar. Calma, não estou a dizer que todo brasileiro é hipócrita. Estou a afirmar, segundo a minha impressão, donde particular, que há hipocrisia pra dedéu grassando no seio da nossa sociedade, e ela se faz tão mais evidente quanto mais alta a classe social, encontrando terreno de fértil abundância na sua classe média.

 

Para mim, boa parte dessa hipocrisia se traduz no “armário” onde se esconde um monte de homossexual enrustido, e o que mais lá seja de orientação sexual diversa daquela tida canhestramente como normal por essa turma. Há um tanto de ignorância e preconceito, sim, mas penso que parcela significativa das vozes reacionárias e vorazes que se levantam cuspindo fogo e veneno são de hipócritas prenhes de homofobia, empedernidos escondidos em seus armários.

 

Minha meia dúzia de leitores: o que já teve de gente pregado na cruz neste país, inclusive na capa daquela revista semanal suprassumo do jornalismo-lixo e criminoso, que infelizmente está por aí à solta nas casas de famílias de bem e escolas do governo tucano paulista!... Fosse discriminá-las, aqui, a crônica se exauriria. Mas bastou um travesti aparecer simbolicamente pregado à cruz na chamada Marcha Gayprotestando, com essa imagem, contra os assassinatos, torturas e preconceitos cruéis de que são vítimas diariamente no Brasil, para que uma enxurrada de protestos tomasse o noticiário e redes sociais, hipocritamente a vociferar que Jesus Cristo estaria sendo ali desrespeitado, quando se sabe que desrespeito ali não havia.

 

Agora, na ordem do dia, a ouriçar os cabelos dos chocados de plantão, está uma tal de uma cartilha de identidade de gênero compartilhada nas redes sociais, mais uma mentira cabeluda que grassa naquele meio, confundindo os incautos de sempre. Basta que se leia o Plano Nacional de Educação para se constatar que sequer a palavra gênero consta de seu texto. Todo mundo com medo de que seu filho venha a se tornar veado ou sapatão, como muitos pejorativamente o dizem...

 

Anos atrás, quando ainda não era paitentaram me provocar dizendo-me que eu mesmo não gostaria de ter um filho ou filha homossexual. Disse-lhes que estavam certos. Não gostaria. Mas principalmente porque se até eles, que se diziam meus amigos, seriam os primeiros a fazer cair sobre a cabeça de um filho ou filha meus todo o preconceito vil, cruel e hipócrita de que são capazes, ainda que pelas costas, o que esperar de um estranho? Haveria de ter medo, mesmo. Por eles.


quarta-feira, 10 de junho de 2015

Não desvirtuem Jesus*

*Simultaneamente publicado no jornal GAZETA DE ALAGOAS e postado nos sítios PRAGMATISMO POLÍTICO e PCdoB Alagoas



Jesus, o querido Jesus Cristo, foi um sujeito porreta além da conta. Jesus não era careta, preconceituoso, nem ignorante; não era fascista, reacionário, ou egoísta; não era racista, xenófobo, tampouco homofóbico; não era hipócrita, não era sonso, cínico ou canalha, muito menos criminoso, embora não titubeasse em dar boas chicotadas nos costados de uns capitalistas de merda de sua época que, nessa condição, ousaram desrespeitar o templo do Seu Pai.
https://adissertacao.wordpress.com

Jesus não veio trazer a paz! Não a dos calhordas, dos sepulcros caiados, que não servem ao “reino de Seu Pai”. Jesus veio pra tumultuar, abalar as estruturas políticas, sociais e familiares carcomidas pelo desrespeito, pelo ódio, pelo puritanismo de meia pataca. Jesus mandou que pai e mãe fossem largados, para segui-Lo! Sacou? Espero que você não tenha entendido como se a Sua ordem significasse deixar os pais à própria sorte... É mais ou menos como quando afirmou da dificuldade intransponível de um rico entrar no reino dos céus. Lembra da metáfora da agulha no palheiro? Pois é... Jesus era bárbaro! Um revolucionário incorrigível! Jesus era Dez; ou é Dez, se você O tem vivo, como particularmente O tenho.

www.ivetejesus.com.br
Tenho a ousadia de fazer essas afirmações contundentes acerca do velho Jesus porque assim aprendi, sobre Ele, não num evangelho apócrifo, mas naqueles mesmos legitimados pela igreja católica apostólica romana. Fosse somar o que pude perceber do camarada Cristo em alguns daqueles outros, de autenticidade não aceita por Roma, aí é que O Cara se apresenta mesmo como Tal, porque ainda mais humano e menos divindade. Seja lá como for, ou como você O entenda, ou como seja a sua crença, ou descrença, o fato é que Jesus Cristo foi tudo o que boa parte de seus pretensos seguidores de hoje, por sua prática diária, não compreenderia O fora. Principalmente uns espécimes desgraçados com que somos obrigados a nos deparar mais amiúde neste país.

"Marcha para Jesus"
Refiro-me aos Felicianos, Malafaias, Bolsanaros, Cunhas, Maltas, Fidelix e outros tantos do mesmo naipe. Refiro-me aos inúmeros brasileiros mais ou menos anônimos, de todas as idades, que desgraçadamente seguem a mesma cartilha do preconceito, da crueldade e da falta de compaixão, expondo diuturnamente suas vísceras putrefatas. Essa turba me faz concluir que o Homem não esteve no evento autodenominado Marcha para Jesus, pretensamente realizado para Ele. Por outro lado, creio que esteve bem ao lado da travesti simbolicamente pregada à cruz, durante a Marcha Gay de SP.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

As crias da direita midiática (II)

*Pub no jornal Gazeta de Alagoas, de 03/06/2015, e nos sítios Pragmatismo Político e PCdoB/AL

Num dia foi o filho do jornalista Ricardo Noblat, crítico ácido do governo federal e do PT, o também jornalista Guga Noblat, este supostamente simpatizante daquele partido. Encaminhava-se para a sua residência, próxima ao MASP, acompanhado da mulher e filho bebê no colo, vestido numa camiseta vermelha, quando um pequeno grupo de energúmenos que fazia manifestação contra a presidenta Dilma, o PT e “tudo isto que está aí” passou a agredi-lo verbalmente e, por pouco, não o fez fisicamente.

 

Noutro dia, um senhor de idade, quando se preparava para descer do avião, foi agredido verbal e moralmente por uma turba do tal do Movimento Brasil Livre, Revoltados On-Line e outras babaquices do gênero, que se encaminhava à Brasília para participar da frustrada manifestação marcada para aquela data. Motivo: lera a revista Carta Capital durante o vôo. Quando o avião aterrissou, um anencéfalo não conseguiu sustar seu arroubo de intolerância e covardia com o terrível ato do cidadão, passando a vomitar sua ignorância fascistacontra o cidadão, secundado pela manada covarde que o acompanhava.

 

Numa noite, o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, foi desrespeitado por um outro primata ao jantar com amigos de infância num restaurante. A notícia veiculada pelos grandes grupos midiáticos dizia que o agressor havia sido aplaudido. Pra variar, mentira. Ao se assistir ao vídeo amador do “incidente” vê-se que o sujeito recebeu mísero apoio. Já em vez diversa, foi o ex-ministro Guido Mantega o agredido, sempre covardemente, como de resto é o modus operandi da turminha.

 

Hoje, mais cedo, conversava com um amigo dirigente do Sindicato dos Bancários de Alagoas, que a propósito do tema contou-me ele próprio já ter sido vítima de manifestações similares, embora individuais. Numa vez, encontrava-se no ponto de ônibus vestido em uma camiseta vermelha inscrita “bancários”; noutra, vestia uma com os simpáticos, mas contundentes dizeres: impítman é meu zovo! Ambas foram repelidas na mesma medida.

 

Este é o Brasil produzido pela chamada grande mídia. Um país prenhe de arremedos de fascistas, intolerantes e covardes, tão ignorantes que não se constrangem da vergonha de pedir, até, intervenção militar. Exemplares magnânimos da mais pura hipocrisia, somente se irresignam contra o que selecionam. São os moralistas seletivos. Ou simplesmente os garotos-propaganda da ilustre e asséptica CBF.  Ou os percussionistas desafinados das panelas gourmet. Viva o Brasil!