F R A S E

SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Credo*

*Tb pub no jornal Gazeta de Alagoas

Acredito na mídia grande. Ops, grande mídia. Piamente. Creio inexistir motivo para que as poucas famílias milionárias que a comanda fossem realizar um jornalismo parcialaético e desonesto. Assim é que, por exemplo, creio, mesmo, que as sucessivas manchetes, na sua quase totalidade negativas, que pulularam no governo Lula, como agora no governo Dilma, tenham razão de ser.

 

Daí que, por exemplo, acredito, de olhos fechados, será por isto?, que o chamado mensalão petista não se tratou de mero caixa dois, e sim de mesadas pagas regiamente aos parlamentares de oposição para que votassem matérias de interesses do governo Lula. Pouco me importa que não se trouxe notícia de uma só dessas mesadas. E o STF não sofreu pressão alguma de meu deus midiático, realizando um justiçamento, ops, julgamento que ficará para a história. Aliás, aquela Corte involuntariamente culminou por apontar falha inaceitável no currículo dos cursos de direito das universidades federais de PE e ALLá, onde estudei, jamais me apresentaram à Teoria do Domínio do Fato, criada por um alemão com o fim de incriminar nazistas. É verdade que aqui realizaram uma interpretação extensiva do colega deles de além-mardispensando a existência de provas para condenar um dos réus, mas Suas Excelências tupiniquins sabiam o que estavam fazendo.

 

Venho, outrossim, dizer-lhes também da admiração que fortalece meu credo. Explico.

 

Suas manchetes, pasmem: as vendas da Toyota cresceram 3% no primeiro trimestre; a demanda por carros da Honda já cria filas de consumidores ávidos por adquiri-los. Mas, alertam-nos: apesar da crise! Assim também em manchetes “positivas” outras. Exemplifico: “apesar da crise”, os cinemas no país experimentam o maior crescimento em 4 anos; “apesar da crise”, o Piauí apresenta número crescente de abertura de empresas; “apesar da crise”, os fabricantes de máquinas agrícolas estão otimistas para 2015; “apesar da crise”, brasileiros gastam com produtos de luxo no exterior; ou mesmo, mas sempre “apesar da crise”, brasilienses não abrem mão de viagens, e a produção de batatas atrai investimentos em Minas.

 

Isto é jornalismo responsável! Não houvesse o alerta, poderia parecer aos incautos que a crise não é tão grande assim. Mas ela é, sim. Apenas a grande, asséptica e despretensiosa mídia tem o dever de não nos deixar menos esquizofrênicos com a crise. O que seria terrível para nós e para o país. Viva a crise! E, claro, viva a mídia grande! Eu creio!

quarta-feira, 22 de julho de 2015

O alvo é Lula*

*Tb pub no jornal Gazeta de Alagoas (22/08/2015, p. Opinião)
 

Hoje não constrói lamentar-se pela ditadura midiática, quando se desfrutou, nesses últimos anos, das melhores condições para conferir-lhe pluralidade, regulação adotada até por países liberais como a Inglaterra e os EUA. E nada se fez.

 

Tampouco adianta chorar peltriste produto da ditadura militar. Aliado ao excremento advindo da mídia grandeestá presente na formação de boa parte de nossos jovens e adultos de hoje. A lei da anistia, apesar dos acertos, trouxe também o vazio da derrota fragorosa, que não houve, imprescindível para que criminosos de farda e sem farda, que torturaram e assassinaram homens, mulheres e crianças nos porões da ditadura e fora deles, permanecessem impunes e sua história de horror afastada dos bancos escolares.

 

Menos ainda contribui empertigar-se porque alguns membros do partido que sempre defendeu a ética, enquanto na oposição, tenham sucumbido ao fascínio do poder e optado por traí-la. A esses, a justiça, mas que se faça a corruptos de todas as cores. Afinal, não somos idiotas, cínicos, muito menos hipócritas para crer que a corrupção foi inventada agora, ou, principalmente, que antes foi combatida como agora.

 

Em momento de imensa gravidade, importa é a luta, para que não se ponha a perder os inéditos avanços da senzala sobre a casa grande. Luta que se dê, corajosamente, no executivo, no parlamento e nas ruas. Não é possível que, à exceção de uma deputada do PCdoB e de outro, do PSOL, este último da oposição, as mais retumbantes defesas do governo nos últimos tempos tenham partido de um parlamentar do PSC/PE e de outro do PMDB/PR.

 

E que não se imagine, tolamente, que as crescentes investidas de criminalizar o próprio PT e destruí-lo sejam o principal objetivo da grande mídia, do capital mais reacionário e da oposição partidária, com o inestimável auxílio de movimentos fascistas, pretensamente populares, e de parcela do judiciário e do ministério público.

 

Não há outro caminho para matar e sepultar os direitos atrevidamente conquistados pelas classes mais sofridas nos últimos doze anos que não passe pela extirpação de Lula da vida pública. Eles não estão parados. A última: um promotor de nome Valtan Timbó, que ora se defende de processo por negligência funcional, abriu inquérito contra Lula, que não tem cargo público, por suspeita de “usar sua influência no exterior para promover empresas brasileiras”.

 

Certo deve estar o senador José Serra/PSDB, que pretende entregar o pré-sal às empresas estrangeiras. E não é incomodado.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Judiciário midiático*

*Tb pub no jornal Gazeta de Alagoas


Infelizmente, parte do Judiciário brasileiro tem se transformado em instrumento político da direita midiática e partidária tupiniquins.

 

Joaquim Barbosa, “o Batman”, assim repercutido por aquela revista que se transformou num dos principais excrementos mal-cheirosos do corrompido jornalismo praticado pela chamada grande mídia, era, até então, seu braço mais vistoso, pois integrante da maior Corte de Justiça do país e relator do mega-espetaculoso julgamento (?) do chamado “Mensalão do PT”. Mas é no Gabinete de um ex-colega seu, Gilmar Mendes, que repousa o processo que decidiria sobre o fim do financiamento empresarial de campanha, fundamental elemento da corrupção político-eleitoral existente no país. Está pensando.

 

A propósito disto, pergunto-me cá com meus botões em que pé está o julgamento do eufemisticamente chamado “Mensalão Mineiro”, que nada mais é do que o “Mensalão Tucano”, ou “Mensalão do PSDB”? Parado.

 

Agora, ocupa os holofotes o juiz Sérgio Moro, da Operação Lava-Jato. Absolutamente escandaloso o vazamento seletivo! de informações que seriam decorrentes de delação premiadae o valor que lhes é dado, como se não se tratassem de meros indícios, porque formuladas por criminosos assumidosPrende, para depois apurar. Prende-se, para amedrontar, tortura travestida de legalidade.

 

Segundo o Wikileaks, a esposa do referido juiz advoga para o PSDB do Paraná e para multinacionais do petróleo. A Lava-Jato, por sua vez, envolve interesses ligados exatamente ao petróleo (à Petrobrás) e ao PSDB, agora mesmo, por Zé Serra, descarregando no Congresso nova investida contra a Petrobrás e o Pré-Sal. Tesoureiro do PT, preso porque alvo da delação premiada. Prova? Não. Outros foram, inclusive do PSDB? Sim. Só ele está.

 

Aprendi, nos bancos da faculdade, que juiz é imparcial; que fala, nos autosque o princípio da presunção de inocência é dos mais caros a uma nação. Estou desaprendendo tudo. Socorro!

 

Abomino a corrupção tanto quanto qualquer um que assim o sinta, mas não compactuo com a adoção de dois pesos, duas medidas, aliás, escancaradamente adotado, donde não lhe faço coro, como se de gado eu me tratasse.

 

O objetivo é despudoradamente claro: tirar do poder a coalizão partidária legitimamente eleita que, com Lula e Dilma à frente, vem dando surra em cima de surra na oposição e na mídia, e em seus projetos internacionalmente entreguistas e socialmente excludentes. O país corre imenso perigo.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Vá procurá-la, também!*

*Tb pub no jornal Gazeta de Alagoas, de 08/07/2015

 

Caríssima leitora e leitor que me dão a impagável honra de ler essas linhas: faço-o em tom de desabafo, com misto de razoáveis revolta e desalento.Vocês certamente me dirão que não devemos fazê-lo, porque ao assim agir estaremos nos igualando ao que há de pior que vemos neles e que condenamos. Mas, que diabos, perdoem-me: sou assaz pequeno para tanta grandeza.

 

Uma, talvez mais vez, exercitando minha filosofia de botequim, já disse, em tinta ou voz, que se a eleição de Lula não tivesse servido para nada o teria para desnudar, novamente, o pior que existe na autodenominada cordata e avançada sociedade brasileira. Novamente, porque a de Vargas e a de Goulart já o fizeram, embora com consequências mais nefastas ainda.

 

E é verdade. A eleição e reeleição de Lula e Dilma provocaram, e continuam a fazê-lo, o emergir do racismo, do fascismo, da homofobia, da xenofobia, do desrespeito, do preconceito, da face mais cruel e ignorante do povo brasileiro de qualquer classe, embora com mais vigor e, por isto mesmo, sem o recurso do perdão aos analfabetos funcionais, das classes média e alta. Fazem-no, não há negar-se, com o auxílio inestimável, fundamental e preponderante dos grandes grupos midiáticos que governavam este país à época em que ministro de estado tirava os sapatos em aeroporto estadunidense, e que sob os governos Lula/Dilma se transformaram no seu principal partido de oposição. O modus operandi midiático envolve, sem eventual titubeio por resquício de moral, que não tem, a mentira, manipulação, omissão, e os crimes, entre outros, decalúnia, injúria e difamação.

 

Não há negar-se, tampouco, que é a presidenta e a mulher, filha, mãe e avó Dilma Rousseff a maior vítima dessa “gente”, com aspas, mais ainda do que Lula. Toda sorte de agressões verbais do mais baixo nível já lhe foram endereçadas, em público e nas redes sociais, com o apoio explícito, ou omissivamente cúmplice, da mídia e dos seus adversários políticos.

 

A última: um adesivo infame que me recuso a descrever, aqui. Uma internauta o teria recebido de uma ex-amiga, como faz questão de frisar. Resolveu brincar também: fez uma montagem do mesmo adesivo com o rosto da filha dela. Foi xingada, por isto, de tudo quanto é jeito e nome. Como assim? A brincadeira só vale com a mãe, filha, avó, classe social e orientação sexual do outro, indagou? Deu-lhe, então, o conselho que o Boechat deu ao Malafaia: vai procurar uma r...! Dou, também.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

O país da desesperança e o idiota político*

*Tb pub no jornal GAZETA DE ALAGOAS

Afinal, que país da desesperança é esse, que promoveu a maior inclusão social e angariou o maior respeito internacional de toda a sua história? Como negar os avanços econômicos e sociais conquistados pelo país nesses pouco mais de doze anos de governos Lula e Dilma? A crise existe, ela é internacional, antiga, e chegou no Brasil. Mas o país já enfrentou outras crises, e em situação econômico-financeira infinitamente pior. Resta saber a quem interessa amplificá-la ao infinito. Não dá pra desconfiar?

 

Há quem alardeie que se nesse país houvesse justiça a Dilma estaria fora.Aqui, porém, há uma meia verdade. A não-verdade: Dilma não terialegitimidade para ser presidenta, nem de continuar presidenta, ou de que teria praticado, ou houvesse indícios da prática, por si ou com o seu silêncio cúmplice, de qualquer atividade criminosa. É preciso muita alienação para assim imaginar e, pior, defender; a verdade: a justiça deste país, na mãos dos Barbosa e Moro da vida, com sua atuação seletiva, presunção (inconstitucional) de culpatortura travestida de prisões provisórias para forçar delaçãocondenação sem provas, já objeto de justas reprimendas pelos mais respeitados juristas deste país, certamente explicam e até justificam a metade verdadeira da frase. Lula que se cuide; claramente, o maior alvo dessa turma.

 

Aliás, por falar em verdade, arrisco dizer, sem o mais mínimo titubeio ou receio: a chamada grande mídia é a fundamental responsável pelas manifestações de ódio e fascismo que se tem tido notícia, inteiramente desconformes à realidade econômica e social experimentada pelo país a partir desses governos. Numa frase: os idiotas do ódio que estão disseminados pelas ruas a atacar, por enquanto moralmente, de autoridades a jornalistas, além de cidadãos que se recusam a deixar-se manipular, são filhos dessa mídia criminosa, manipuladora e, lamentavelmente, alimentada financeiramente pelo próprio governo.

 

Os grandes grupos midiáticos diariamente lançam sobre o cidadão o ambiente de caos e realidade manipulada e distorcida que inteligentemente pregam no imaginário popular; este, por crer na sua imparcialidade e honestidade, o reproduz cegamente. E aí reside a grande decepção que se deve pôr na conta dos governos Lula e Dilma: nunca tiveram a coragem de enfrentá-los, sequer competência para deles se defender. Enquanto isto, o idiota midiático se prolifera, no país e nos vôos internacionais. É a crise.