F R A S E

SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Mãos Limpas à brasileira

*Tb pub no jornal Gazeta de Alagoas,  postada nos sítios Pragmatismo Político e PCdoB - Alagoas

De um lado, o Mensalão do PT. Agentes públicos, políticos ou não, e privados, julgados e condenados pelo STF. Vou me abster de analisar o que para muitos, e indescupavelmente para advogados, juízes, membros do ministério público, bacharéis, etc., seriam apenas insignificantes detalhes, tais como condenações sem prova ou fundadas em premissas falsas — de que é exemplo a de que a Visanet seria uma empresa pública —, julgamento de pessoas sem foro privilegiado — entendimento válido apenas para aquele processo —, entre muitos outros que enodoaram para sempre a história daquela Corte.

Da mídia, por sua vez, sofreu inédita cobertura: diuturnamente, por anos a fio, as investigações, primeiro, e o julgamento, depois, foram massivamente cobertos pela grande mídia. Aqui também vou me permitir passar ao largo de questões que moldaram para a posteridade a face do jornalismo tupiniquim, a exemplo dos interesses político-partidários expostos às escâncaras, como corolário da matéria-prima fornecida semanal e despudoradamente por alguns juízes da aludida Corte em sua TV, no bojo de algo mais afeito ao teatro e prenhe de juízos de valor.

Do outro lado, o Mensalão do PSDB. Mais antigo que seu desafortunado primo, e recheado de provas contra seus agentes públicos e privados. Probabilidade de julgamento antes de prescreverem os crimes respectivos: próxima à zero.

Marchando em fileira paralela, a grande mídia tupiniquim, seguindo caminho diametralmente oposto àquele em pinceladas desenhado alhures: silêncio e proteção.

Mais modernamente, fomos apresentados à Operação Lava-Jato, ou Petrolão. No judiciário, a delação premiada é alçada a valor probante isolado, embora negado, e o protagonismo tem novel herói eleito pela mídia grande, interpretando o papel com indisfarçáveis deslumbramento, soberba, medievalismo e parcialidade. O MPF, por sua vez, enquanto sai à caça de algo para implicar Lula, que nunca foi sequer referido em nada, arquiva inquérito contra Aécio Neves, citado pelo doleiro Youssef. Onde? Em delação premiada.

Para a mídia, por sua vez, é irrelevante que políticos ligados ao PSDB, a exemplo de Aécio Neves, José Serra e Aloysio Nunes tenham sido citados em delações que tais. O que importa é o selo PT. Tem? Repercuta-se. Não tem. Omita-se.


Comparar isto que vemos, porque temos olhos pra ver, com a Operação Mãos Limpas, da Itália, é um escárnio. Além dos mal intencionados e cúmplices, somente os incautos e ignorantes a engrossar-lhe o coro.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Uma noite, na ditadura*

http://www.ricbit.com
*Tb pub no jornal Gazeta de Alagoas e nos sítios Pragmatismo Político e PCdoB - Alagoas

Devia ter entre seis, dez anos (1970/1974). Vez em quando íamos dormir na casa de meus avós maternos, Togo e Juracy, lá na Des. Amorim Lima. Por lá também havia outros velhinhos adoráveis, como a d. Marinete e seu esposo, “seu” Djalma.

Aos domingos, missa nos Capuchinhos, logo cedo, pra mim cedíssimo, mas eu gostava, porque me sentia mais próximo de Deus e de vovó. Algo como: estou indo à missa com a minha avó e isto é muito importante! E o companheirismo ditado pelo exercício daquele compromisso cristão, fazia-me amá-la ainda mais nesses momentos. Mesmo quando eu, impaciente, torcia pra missa acabar logo.

Naquela época, sabe-se, havia o delicioso e então possível hábito de familiares e amigos sentarem-se à calçada à porta de casa, para jogar conversa fora. E não éramos exceção, embora, ao que me recorde, meu avô não compartilhava muito desse ritual: preferia ficar lendo algum livro ou vendo o noticiário. Eu achava o máximo desfrutar daqueles momentos; havia uma sensação, real, de enorme cumplicidade e união entre todos nós. Como se sentar-se ali pra bater papo fortalecesse os laços que já existiam. E fortaleciam.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Por que a grita?*

*Tb pub no jornal GAZETA DE ALAGOAS, e nos sítios PRAGMATISMO POLÍTICO e PCdoB - Alagoas

Evidentemente, nada estranho desejar-se pagar o mínimo de impostos possível. Donde muito natural irresignar-se com a criação de novo tributo. Mas quando o dito cujo incidirá sobre movimentação financeira é mister ficar de olhos e ouvidos bem abertos para não se deixar manipular, como sói se vê ocorrer pelas manifestações dos pretensos (ou não) formadores de opinião, notadamente aqueles regiamente pagos pelos grandes grupos midiáticos nacionais, ou por eles convidados na qualidade de “especialistas”, além dos representantes do capital, a exemplo de presidentes das grandes federações nacionais da indústria e do comércio.

Em primeiro lugar, o olhar para o passado. Quando a CPMF foi criada, não se ouviu nem metade das vozes, tampouco no volume de vários decibéis amplificados que hoje, em uníssono, unem-se contra a pretensão do governo de Dilma Roussef. Não falo nem da oposição, que naquela época a criou, mas para prejudicar os governos seguintes conseguiu derrubá-la, privando-os de receita com que já contavam e para a falta da qual não estavam preparados; agora manifesta-se visceralmente contrária, posando, logo ela, de amiga do povo. Refiro-me aos que acabei de discriminar alhures, tão comedidos em suas raras manifestações de então. Recordo-me bem, à época em que fôramos obrigados, pelo governo do senhor Fernando Henrique Cardoso, a pagar o então chamado “imposto do cheque”: não se via na grande imprensa brasileira essa cruzada contra a sua imposição e manutenção, muito menos dos dignos representantes do parlamento. Por que agora, quando o Brasil finalmente é inserido na crise mundial e necessita equilibrar as contas públicas?

Em segundo lugar, sabido que o ínfimo percentual a incidir sobre as movimentações financeiras é de 0,2%, por que a grita diuturna, massificada e amplificada da chamada grande mídia, claramente tendente a insuflar a opinião pública? A resposta não se verá sem desnudar o véu da hipocrisia. Mas desnudado... Ora, não existe imposto igual que permita identificar-se crimes de sonegação de impostos, inclusive por omissão na aquisição e venda de bens, e lavagem de dinheiro. De outra parte, e até por isto, incrementa a arrecadação de receita, já que muito do que é escondido, escamoteado, surrupiado passa a sofrer a tributação.


A verdade é que o imposto sobre a movimentação financeira é uma fabulosa arma contra corruptos, sonegadores, cínicos, moralistas seletivos, hipócritas. Daí, meus caros, não se enganem, a grita.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Quero ser alienado*

*Peço desculpas ao meu pequenino, mas seleto público leitor. Por problemas técnicos no blog, não consegui publicar o texto da quarta-feira passada, 02/09, embora o tenha sido, normalmente, tanto no jornal Gazeta de Alagoas, quanto nos sítios Pragmatismo Político e PCdoB - Alagoas. Desatado o nó, segue o texto:


Quero a alienação; o discernimento político de parcela das classes média e alta. Sua compreensão de mundo e da política. A verbalizada pelos famosos coxinhas. Quero ser um deles. Dos, digamos, inocentes. Os verdadeiramente alienados, incautos, mesmo. Que se recusam a pensar. Que vão na onda da mídia e do discurso dominante e hegemônico nessa democracia do capital, onde manda os que estão no topo da pirâmide social excludente. Não quero ser um dos coxinhas pilantras. Aqueles corruptos até a medula, mas que posam de bons moços e moças, respeitáveis senhores e senhoras, com seu discurso prenhe da hipocrisia mais deslavada, ou com seus crimes praticados amiúde em sua vida pública e privada. Esses são cínicos e hipócritas, mesmo.