F R A S E

SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Os verdadeiros males: ignorância e hipocrisia*

www.pulpitocristao.com
*Tb pub no jornal Gazeta de Alagoas e no site do PCdoB  - Alagoas

Hoje, como nunca, são correntes expressões de estupefação com a corrupção no país e com os políticos, como se caminhássemos para a completa degradação moral e ética do país, por conduto dos governos Lula e Dilma.

Ora, das duas uma: ou a ignorância política e histórica alcançou níveis que nem Paulo Freire, aqui, ou José Martí, na ilha caribenha, ousariam prever, ou a hipocrisia, em que a indignação seletiva é uma horrenda fotografia, está mais disseminada por estas terras do que a tão atacada corrupção, que seria endêmica e presente apenas no vizinho, ainda assim se este for político ou ligado ao partido dos referidos presidentes.

Não são devaneios, mas fatos. Quais os governos que mais combatem(ram) a corrupção na história do Brasil? Os de Dilma e Lula. Registre-se que o combate seria, para muitos, seletivo; as investigações seriam direcionadas à desconstrução do governo, de Lula e Dilma, e do PT. Se for correta essa compreensão, como parece ser, só demonstra a autonomia que os órgãos policiais e de persecução criminal desfrutaram e desfrutam nesses governos. Para se ter uma ideia, enquanto a polícia federal, no governo do FHC, não realizou, durante seus oito anos de governo, 50 operações, e o procurador-geral da república, nomeado e reconduzido por ele ao cargo contra a vontade da maioria dos procuradores federais, ficasse conhecido como engavetador-geral da república, por arquivar todas as investigações contra o governo de então, a polícia federal nos governos agora atacados já realizou quase 2.300 operações, e os respectivos procuradores-gerais desse período podem ser acusados de tudo, menos de que engavetam processos contra políticos ligados à presidenta.

Não é só! Pode acrescentar-se, também, que a Controladoria-Geral da União foi criada no governo Lula, e as leis de acesso à informação, contra a lavagem de dinheiro, anticorrupção e contra as organizações criminosas (onde inserida a festejada delação premiada) o foram no governo Dilma. Enquanto isto, no governo do FHC, foi criada a lei do petróleo, que afastou a submissão da PETROBRÁS à lei de licitações, em 1997. E antes, em 1996, o próprio cidadão confessa em seu recente livro de memórias ter sido avisado de que havia uma “bandalheira” na companhia. Além de nenhuma providência adotar (prevaricou?), então, ainda afrouxou-lhe a fiscalização. Mas corruptos são onde a corrupção é combatida.


Quer dizer, cai-se no mesmo minifúndio de alternativas: que vai da ignorância à descarada hipocrisia.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

A mídia e a idiotização política*

soldadonofront.blogspot.com
*Tb pub no jornal Gazeta de Alagoas e nos sítios Pragmatismo Político e PCdoB - Alagoas

Para impedir a eleição de Lula, a grande imprensa divulgou que Abílio Diniz, aquele do Pão de Açúcar, fora sequestrado por militantes do PT. Mentira. Noutro episódio, fez um escarcéu da gota com uma pedra-petista que teria sido desferida contra o-cara-que-não-sossega-enquanto-não-entregar-o-pré-sal-ao-capital-estrangeiro, o Zé Serra, uma dos maiores vendilhões tupiniquins, ao lado do candidato-chorão-que-nunca-deu-um-tapa-numa-broa-mas-que-adora-aeroporto-helicóptero-dar-porrada-em-mulher-e-outras-coisitas-mais, o Aébrio, ops, Aécio. Descobriu-se que a pedra tinha sido uma perigosa bolinha de papel.

Às vésperas da última eleição, a revista-esgoto-do-jornalismo-nacional noticiou, em mais uma de suas capas e matérias criminosas, que Lula e Dilma “sabiam de tudo”. Resultado: Mentira. Não há nada contra um, nem contra o outro, mas o há, na própria Lava Jato, e contra a maior parte dos que lhe fazem oposição, inclusive em outras operações que não têm o amparo midiático, como Furnas, Zelotes, o Trensalão Tucano, etc.

A mesma mídia grande — não uso a expressão “grande mídia”, por razões óbvias — martela nossos olhos e ouvidos diariamente com manchetes e matérias alarmantes que transitam da “crise”, para “apesar da crise” — quando a notícia é boa e daquelas que não podem ser omitidas. A crise que nos assola(!), e não aquela que permeia toda a economia mundial desde 2008, aí incluídos, entre suas vítimas, nada menos do que a Europa inteira, os EUA e até a China.

Passamos a sentir os efeitos da crise apenas em 2015. De 2008 a 2014, vivemos com as menores taxas de desemprego da história, com inúmeros programas sociais inéditos e vitoriosos, uma carreada de universidades federais e escolas técnicas construídas e com inflação baixa e controlada. Formos fazer uma análise do que é veiculado na mídia internacional, constataremos que o principal temor da população é a instabilidade econômica mundial. Aqui, entretanto, a crise é tratada fora do contexto em que se encontra, como se fosse um mal nosso, fruto de um governo inoperante e que inventou a corrupção.


Enquanto isto, Lula é o presidente que mais homenagens de países e organismos internacionais recebeu de toda a história; Dilma, a presidente que mais combateu a corrupção e mais entregou casas à população; e o Brasil-gastador o país com mais de 370 milhões de dólares de reservas (FHC deixou a presidência, em 2002, com um caixa de 37 milhões de dólares, devendo ao FMI e ao escambau). Tá bom ou quer mais?

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

As Forças Armadas, o comunista e espingarda*

vermelho.org.br
*Tb pub no jornal GAZETA DE ALAGOAS e nos sítios PRAGMATISMO POLÍTICO e PCdoB - Alagoas

O Brasil deve ser um país que exerce enorme fascínio aos estudiosos sociais de todo o mundo contemporâneo. De um lado, conseguiu tornar-se independente sem precisar dar um só tiro, e somente precisou entrar em guerra com uma única das nações que lhe fazem fronteira, e só uma vez. Um país cujo povo tem a mestiçagem, a alegria, a criatividade e a hospitalidade como características reconhecidas por todos.

De outro lado, é também o país que assassinou crianças paraguaias mandadas à guerra por um ditador louco e cruel; que, no ocidente, resistiu por derradeiro à libertação dos escravos, e que teve a segunda mais longa ditadura militar da América Latina. Um país cuja parcela de seu povo é capaz de queimar miseráveis que dormem nas ruas, e é intolerante com as diversas diferenças, seletivo na sua indignação com a corrupção, e insensível às desigualdades sociais. Um país que não leu Marx, e pensa conhecer Jesus; que não estuda história, e idolatra as atrações consumistas que lhe batem à porta.
                                                                                              
Porém, é ainda o país que, finda a ditadura, elegeu (e reelegeu) presidente um humilde nordestino, metalúrgico e sindicalista, e em seguida elegeu (e reelegeu) uma mulher de classe média, forjada nas lutas contra a ditadura militar, sobrevivente corajosa às mais atrozes e covardes torturas físicas e psicológicas.

g1.globo.com
Pois bem, é esse também o país que a partir de oito de outubro último tem como Ministro da Defesa o comunista alagoano e deputado federal por São Paulo, por seis legislaturas, Aldo Rebelo, do PCdoB.

http://portalcorreio.uol.com.br/
Numa solenidade simples, mas emocionante e muito prestigiada por representantes de inúmeros países, inclusive dos EUA, de integrantes das três Forças, inclusive de seu alto escalão e da reserva, de políticos que iam do próprio PCdoB ao PSDB, de membros da igreja, além de amigos e familiares do Ministro, fora momento histórico de extrema importância para o país. Donde é fácil constatar enquanto parcela da sociedade politicamente regrediu, ou permaneceu em 1964, os militares experimentaram inegável e alvissareiro amadurecimento político. Recomendo a todos que se deem o direito de assisti-la: basta acessar o You Tube.


E a espingarda? Bem, é que o Ministro, ao final de suas palavras, reportou-se a uma espingarda de caça que fora do Marechal Floriano Peixoto, e que adquirira quando soube estava para ser leiloada pela família. Não, ele não a guardou para si. Doou-a ao Museu do Exército do Forte de Copacabana. Como bom comunista.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

A política e o futebol*

http://pmdbma.com.br
*Tb pub no jornal GAZETA DE ALAGOAS e nos sítios PRAGMATISMO POLÍTICO e PCdoB - Alagoas

Nasci regatiano. Diz-se regatiano aquele que torce pelo Clube de Regatas Brasil, o CRB, também conhecido como Galo de Campina, Galo da Pajuçara, Regatas, e Maior de Alagoas.

Por esse aspecto, seriam regatianos todos os que torcem por clubes “de regatas”. Mas não. Regatianos somente nós, da maior torcida do estado, posto já ocupado, bem alhures, pelo seu maior rival, assim ainda considerado em respeito à tradição e à história. Aliás, por isto mesmo, nós não seríamos o que somos sem ele, e eles não seriam o que são hoje não fosse o CRB (com trocadilho, hahaha).

Certamente, fosse um azulino a escrever a conversa seria outra, por mais que verdadeiras as afirmações por mim realizadas (hahaha), porque o que nos move é a imensa paixão por nossos clubes do coração. Então, mas não é o caso agora (hahaha), na maioria das vezes discutimos menos com a razão, e mais com o coração.

A política também tem lado. A luta, aqui, é de classes. Independentemente do grau de manipulação, preconceito, reacionarismo, racismo, xenofobia e homofobia presentes, é essencialmente de classes. Assim, com algumas variantes, pois, agrupam-se mais à esquerda, ou mais à direita do espectro político.

Essa característica “genética” explica porque o cidadão que se diz contra a corrupção, que bate panelas quando a presidenta da república vai à TV, ao argumento de que seu governo seria corrupto, e ela também — embora nada haja contra a sua pessoa —, que se enche de irresignação com o chamado Mensalão do PT, despudoradamente silencia quando Aécio Neves, já prenhe de outros registros repugnantes, é citado nas famosas delações premiadas do célebre Sérgio Moro, ou quando sabe que seu nome está na chamada Lista de Furnas, ou por Eduardo Cunha ter sido citado em cinco dessas delações como beneficiário de propina, além de estar enrolado até o pescoço com contas milionárias na Suiça.

Há inúmeros outros casos que não desembocam em manifestações travestidas de camisetas verde-amarelas da CBF lideradas por autodeclarados movimentos anticorrupção, ou no som desafinado das panelas repercutidas nas varandas dos prédios da orla de Maceió. Também não há adesivos contra a sonegação praticada pelos milionários, nem pela taxação das grandes fortunas ou repatriação de dinheiro remetido ilegalmente ao exterior.


E sabe por quê? Porque estamos em plena luta de classes, cara-pálida. A bandeira anticorrupção é de papel. E as panelas... Bem, estas permanecem no fogão, sob a direção da mão calosa de suas empregadas.