F R A S E

SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Reminiscências de ontem e de hoje

*Tb pub no jornal GAZETA DE ALAGOAS e nos sítios PRAGMATISMO POLÍTICO e PCDOB - Alagoas

Nasci em 1964, no alvorecer funesto do golpe. Meus pais não tinham militância na esquerda. Nem na direita. Tinham medo, suponho, como a maioria da população brasileira, que pouco ouvia falar do que acontecia nos porões dos DOI-CODIs e similares espalhados pelo país.

Só lá pelos 14 anos é que me vi torcendo pelo candidato ao Senado, Moura Rocha, que ganhou, mas não levou — é que pelas regras dos golpistas de então seria eleito o mais votado do partido que, somados os votos de seus candidatos, tivesse a maior votação: a ARENA vencia. Porém, para minha satisfação elegeu-se para a Câmara o meu hoje amigo querido José Costa (MDB). Também Mendonça Neto (MDB). Como somente podiam existir esses dois partidos, na “democracia” militar, todos do MDB “eram” de esquerda. E a gente queria ser de esquerda. E, claro, contra a ditadura militar. Ali, não sabia, mas já estava decretado de que lado eu estaria em toda a minha vida. Uma escolha realizada, então, quase que apenas intuitiva (ou seria orgânica?).

Eleição seguinte (1982), então estudando Engenharia Civil na UFPE — que depois abandonei para fazer vestibular para Direito para a mesma universidade —, fiz campanha para Marcos Freire, governador; aqui, para José Costa, e para o Senado em Moura Rocha; todos derrotados. Foi por essa época ou um pouco antes que iniciei minhas incipientes leituras marxistas, e era leitor voraz da Tribuna da Luta Operária, a que fui aconselhado pelo meu pai: leia, mas não assine. Ele temia por mim.

Em 1986, foi eleito o comunista alagoano, Eduardo Bomfim, constituinte nota 10 da Constituição vigente, de 1988, pelo corajoso PCdoB. De lá pra cá, o povo brasileiro elegeu o presidente mais respeitado e homenageado da história deste país, e uma mulher valente, corajosa e digna de todo o respeito e admiração: Lula e Dilma. As Forças Armadas, por sua vez, evoluíram e voltaram a merecer o respeito que a sua genuína e imprescindível missão exigem.



E hoje, conhecidos de há muito os crimes de porão tingidos de verde-oliva e sangue, surpreendo-me e entristeço-me quando vejo brasileiros defendendo a volta do regime militar, ou o impedimento da presidenta eleita do Brasil (tentativa golpista travestida de legalista). Mas alegro-me ao constatar a força dos que defendem a democracia tão arduamente conquistada e, de consequência, o mandato legitimamente conquistado da presidenta — inclusive nas ruas, como pude ver (e participar) no último 16 de dezembro. Definitivamente, o povo vê. E, se necessário, vai à luta.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Essa esquisita crise

*Tb pub no jornal GAZETA DE ALAGOAS e nos sítios Pragmatismo Político e PC do B - Alagoas

Desde quando a crise internacional por aqui desembarcou, e os grandes grupos midiáticos tupiniquins passaram a bombardear a cabeça do brasileiro, dia após dia, por semanas e meses a fio, venho, pasmo, a observá-la (a crise), aos fenômenos que lhe margeiam e aos coros dos descontentes, manipulados, porque incautos, ou de má-fé, mesmo, no seu contumaz exercício de desonestidade intelectual movido pela luta de classes em que está enfronhado, a par com fatos e números da economia que teimam em refutá-la.

Até por isto, já se tornou famosa e objeto de pilhéria e deboche a expressão “apesar da crise”, a iniciar o título de notícia positiva da economia veiculada pelos grandes grupos midiáticos, ou a findá-lo, quando não lhe é possível escamoteá-los, apesar da crise!

Claro que a crise alcançou o Brasil, e que ela é perversa e relevante. O problema é que o seu tamanho, aqui, é criminosamente amplificado pelos artifícios midiáticos, de modo que seus efeitos se dão tanto efetivamente, quanto apenas no plano psicológico.

A crise existe, é internacional, e o governo tem parcela de responsabilidade pelo seu incremento e equívocos no seu enfrentamento. Porém, pela manipulação e clima criado pela oposição incompetente e irresponsável, sob o comando da mídia de direita aparelhada para dar-lhe sustentação, ela não apenas se torna maior, mesmo, do que seria ou é, como dá a impressão (psicológica) de uma estatura ainda mais robusta.

É de se notar, inclusive, que boa parte do empresariado mais engabelado pela mídia e suas pretensões políticas, que inicialmente fez coro à crise, com o objetivo de enfraquecer, para golpear, um governo recente e legitimamente re-eleito, agora, ao sentir o gosto amargo da cria que alimentou, percebe que deu um tiro-no-pé, quando não no coração (de sua empresa).

Assim, enquanto presencio por todo o país aeroportos, hotéis e rodovias lotados de brasileiros, pasmo, pois, com a esquisita crise alardeada pela mídia criminosa, a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (ALSHOP) divulga que as compras em suas lojas sofreram em 2015 (ano da crise) um incremento de 1,7% relativamente a 2014. E que houve uma queda de (apenas) 1% em relação ao Natal dos últimos 10 anos (apesar da crise).

O que a mídia, então, noticiou, enfaticamente? A queda de 1%. E como é de seu feitio, o fez sem esclarecer que ela refere-se ao período de 1 a 24 de dezembro, tampouco que há onze anos atrás (e há doze, treze, etc.), o incremento foi maior.

Assim é a chamada grande mídia.