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SÃO OS COMUNISTAS OS QUE PENSAM COMO OS CRISTÃOS” - Papa Francisco

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Não gosto, mas sorrio

*Tb pub no jornal Gazeta de Alagoas e nos sítios Pragmatismo Político e PCdoB - Alagoas

Não gosto de escrever sobre política. Juro!, com o dedo indicador de cada mão levados cruzados à boca, beijando-os duas vezes: numa, estalando a beijoca no indicador de uma delas; noutra, o outro. Não é ironia. Estou rindo, agora. Vou me recobrar, para continuar.

Devo dizer que comecei, entretanto, a expor minhas modestas (sem demagogia, juro novamente) ideias sobre o malfadado tema, aliás, de maneira nada aprofundada com vistas a atingir o maior público possível — pretensão infelizmente certamente inalcançada pelo viés de esquerda que as contém, pouco aceito pela classe média, pelo preconceito de que são impregnadas, arrisco supor —, depois que me vi preso a uma cama após cirurgia a que me submeti nos idos de 2006. De início o fiz parcimoniosamente, vez ou outra. Adotava, então, minhas preferências, que naturalmente recaíam sobre outros temas. Depois, passei a fazê-lo mais amiúde sobre política. Há algum tempo o faço semanalmente, ou quase, aqui, neste blog,  e, simultaneamente, no jornal Gazeta de Alagoas, e nos sítios Pragmatismo e PCdoB -Alagoas.

Sem que até então jamais imaginasse, essa atividade militante, ao lado de tornar-me figura conhecida do diminuto, mas seleto e querido público leitor respectivo, concorde ele ou não com as ideias que defendo, angariou-me resultados nada perseguidos. Ao mesmo tempo em que me vi surpreendido com manifestações de apoio ao que produzia, em grau maior (talvez) criei desafetos e percebi amizades(?) estremecidas ou, até, pasmem, rompidas.

Sim. Apenas porque me atrevi a expressar minha opinião sobre o tema, preponderantemente em defesa do projeto político em que se traduzem os governos Lula e Dilma, vi-me, de um dia para o outro, sujeito aos mais diversos ataques, diretos (em redes sociais) ou indiretos. Sobre estes últimos, jamais me esquecerei (farto-me de intimamente sorrir com eles, até hoje) dos olhares de reprovação ou estupefação a mim dirigidos (volto a sorrir), mais ou menos velados, vindos inclusive de pessoas conhecidas, quando acompanhava minha idosa mãe à seção eleitoral, na Ponta Verde, em que aquela consignaria firmemente seu voto na presidenta afinal reeleita. Eu estava vestido (e investido), com indisfarçável orgulho, de uma camisa com o desenho do rosto da presidenta, ainda jovem, estampado no peito, num colégio eleitoral prenhe de eleitores do asséptico Aécio.

Nada me resta, pois, que não voltar a sorrir. Já voltei. E terminar o texto sorrindo.

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